Negra Li rebate críticas sobre músicas pop: 'Não sou a mesma' - Tangerina

MÚSICA

Negra Li nas gravações de Malagueta

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Nova fase

Em transformação, Negra Li abraça feminismo e pop: ‘Não sou a mesma’

Cantora exalta sensualidade depois dos 40 anos no clipe de Malagueta, prévia do seu quinto álbum de estúdio, e valoriza facetas múltiplas

Lucas Almeida
Lucas Almeida

Na preparação para lançar o seu quinto álbum de estúdio, Negra Li não se abala com comentários negativos nas redes sociais. Depois de lançar o single pop Malagueta, em que exalta a sensualidade aos 42 anos, ela chegou a ler reprovações do tipo “virou modelo?” em seus perfis.

“Virei!”, responde, sem papas na língua, a cantora à Tangerina. “Hoje, eu sou modelo, atriz, cantora, compositora, sou multitalentosa. Não sou a mesma Negra Li que começou no rap com 17 anos. Tenho outras vivências, experiências.”

A cantora afirma que não tinha familiaridade com a música pop no início da carreira e só percebia a grandiosidade estética dos artistas. Depois de ouvir Madonna e Lady Gaga com mais atenção, entendeu a importância de mensagens sobre liberdade e empoderamento. “Muitas vezes, eu olhava o pop com medo. O pop nada mais é do que popular, é para alcançar o maior número de pessoas e falar com elas de uma maneira diferente.”

As inseguranças vieram ainda no início da carreira da rapper. “Para impor respeito, a gente cobria o nosso corpo, tomava cuidado com as nossas posturas, conversas”, explica. Até cumprimentar os outros com beijo na bochecha era calculado, para não virar alvo de comentários.

As represálias aumentaram quando Negra Li se tornou a primeira mulher do rap a assinar com uma grande gravadora. O feito aconteceu com a Universal Music, em 2004. “Passei pela fase de ouvir mais o que as pessoas estão falando do que o que eu acredito”, relembra.

Com mais de 26 anos de carreira, a cantora agora vive um momento de liberdade. “Deixa que a mãe te tira da carência / Sabe que minha sentação é alta frequência”, canta ela em Malagueta, ao lado de Rincon Sapiência. A disseminação do feminismo foi protagonista na virada de chave de Negra Li.

Em Nada Pode Me Parar, trilha sonora do filme Antônia (2006), ela cantava “Nem feminista, nem pessimista / Sou satisfeita”. “Olha a cabeça que eu tinha!”, comenta ao lembrar os versos. “Hoje, eu digo em voz alta que eu sou feminista”, ressalta, depois de ter estudado mais sobre a pauta.

‘Preta diva’

Antes de Malagueta, Negra Li já tinha lançado o single Era Uma Vez Liliane, em que exaltava a própria história e se autointitulava “lenda viva, preta diva”. A primeiro pessoa que chamou a cantora de “diva” foi Chorão (1970-2013), ainda na época em que ela estava no grupo de rap RZO.

A própria Negra Li só foi perceber os marcos da sua carreira em 2021, quando pensava sobre os rumos que tomaria na música. “Sou referência, fiz história, mas ainda estou aqui. Estou atuante, atualizada e querendo fazer parte dessa nova geração. Eu ressurjo das cinzas, sou uma fênix”, afirma.

O processo de autoconhecimento foi longo. Em 2019, ela se separou do músico Júnior Dread, após um casamento de mais de uma década. Com 40 anos, começou a se consultar com psicanalista e depois seguiu para um psicólogo. Por causa de problemas para dormir, também foi a um psiquiatra e foi diagnosticada com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). Ela faz tratamento com cannabis para ajudar com a ansiedade.

“Hoje, eu faço uma terapia à base da Lei da Atração e da física quântica. Isso me ajudou a deixar crenças limitantes, porque sou evangélica. É uma constante. Quero tirar o maior proveito dos desafios da vida”, resume a jornada.

Negra Li leva o jovem a sério

Pronta para uma nova fase, Negra Li pretende lançar o próximo álbum ainda em 2022. O projeto chegará quatro anos depois do disco Raízes (2018). No processo de composição, ela organizou um “camping criativo” junto com nomes que são apostas do pop, rap e trap, incluindo Vitão, Day Limns, Carol Biazin, Luccas Carlos, Hodari e Bivolt.

Os artistas eram divididos em salas e tentavam criar algo em conjunto. A dinâmica foi repetida durante três dias, com a formação de diferentes grupos. E a produtividade foi comprovada. Sete músicas que estarão no disco foram compostas no camping.

“O ápice da nossa criatividade está na época em que a gente está com 20 e poucos anos e no começo dos 30. Sei disso, porque foi a época em que eu mais compus. Como eu não vou contar com essas pessoas para o meu disco, se amo falar com os jovens e se tenho um jeito jovial?”, questiona Negra Li.

Com quase metade das faixas finalizadas, a cantora fará uma pausa antes de terminar o álbum. Ela se prepara para uma viagem para os parques da Disney, nos Estados Unidos, junto com a família. “A vida imita a arte”, diz ela ao citar o verso “brinquei na rua, mas meus filhos brincam na Disneylândia”, de Era Uma Vez Liliane.

Assista ao clipe de Malagueta, de Negra Li

Single é uma colaboração com Rincon Sapiência

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Lucas Almeida

Repórter. Passou pela MTV Brasil e Veja.com. É fã de um pop triste e não deixa de ouvir todos os lançamentos musicais da semana.

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