Foto: Marcos Hermes
Público no Rio de Janeiro alcançou a marca de dois milhões de pessoas
Carisma, discursos em português e uma grande demonstração de carinho, respeito e admiração pela cultura brasileira. Apesar do atraso de mais de uma hora, foi isso que Shakira entregou para os dois milhões de fãs que se juntaram na praia de Copacabana na noite de sábado (2), para o maior show da carreira dela.
A artista colombiana usou como base setlist e performances de sua turnê, Las Mujeres Ya No Lloran, que começou justamente no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2025. Ela acrescentou surpresas que foram desde o figurino até a participação de artistas brasileiros, além de colocar até a bateria da escola de samba Unidos da Tijuca no palco para acompanhar o dueto de “O Que É, O Que É”, com Maria Bethânia, e a performance de “Objection”.
Mas o maior acerto da cantora foram as interações em português durante toda a apresentação, com discursos íntimos sobre sua vida pessoal, trazendo identificação de forma que apenas uma artista latina poderia trazer, e que nenhum outro artista jamais fez.
Em um show pensado para enaltecer a força das mulheres, Shakira citou até dados sobre mães solteiras que trabalham para sustentar seus lares —assim como ela. Uma fala acolhedora em meio a uma onda cada vez maior de violência contra mulheres.
Ao cumprimentar as duas milhões de pessoas em Copacabana, Shakira relembrou a primeira vez que esteve no Brasil, aos 18 anos, e se apaixonou pela cultura. Não à toa, 30 anos depois, ela continua fazendo sucesso em solo brasileiro e demonstrando seu amor pelo país.
A artista mandou fazer figurinos nas cores da bandeira brasileira especialmente para o show e não só para ela; toda a equipe vestiu verde, amarelo, azul e branco, inclusive quem estava nos bastidores. Antes mesmo de ela subir ao palco, um show de drones já havia declarado: “Brasil, eu te amo”.
Mas levar ao palco artistas brasileiros de grande calibre, como Caetano Veloso, Maria Bethânia, Ivete Sangalo e Anitta, e ainda cantar com eles, em português, em vez de chamá-los para duetos em suas próprias músicas, mostrou todo o respeito, admiração e carinho que ela genuinamente sente pelo Brasil.
O atraso de mais de uma hora para o início do show foi algo bastante incomum para Shakira, que já chegou até a subir no palco antes da hora programada em apresentações feitas no Brasil anteriormente. Durante a transmissão ao vivo na Globo, foi avisado que a demora aconteceu por causa de “um problema pessoal”.
Quando ela já estava no palco, o Correio Braziliense noticiou que o pai da cantora, de 94 anos, teria passado mal e, ao saber, a colombiana pediu um tempo para se recompor. Não foram divulgados mais detalhes sobre o quadro de saúde dele.
Outros acontecimentos, tão incomuns quanto o atraso, indicam que o problema foi grave. Até o momento da publicação deste texto, no início da tarde de domingo, a equipe de Shakira ainda não publicou nada sobre o show nas redes sociais, coisa que costuma ser feita quase em tempo real. Além disso, a artista deixou o Copacabana Palace menos de duas horas depois de encerrar a apresentação. Ainda assim, a cantora simpatia e carinho mesmo de dentro do carro, para a multidão que o cercava.
O fato de Shakira ter subido no palco em um momento aparentemente delicado e ter entregado tudo o que prometeu, apenas reforça seu profissionalismo e amor pelo público, exatamente do jeito que merecem os fãs brasileiros, conhecidos por serem os mais calorosos do mundo.
Paola Zanon
Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news
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