Foto: Reprodução/MTV
Música do Kid Abelha foi bem recebida pelo público, que sempre cantou como algo romântico
Um dos maiores clássicos da Música Popular Brasileira, “Como Eu Quero”, do Kid Abelha, teve uma ótima recepção do público desde o seu lançamento, mas uma coisa incomodou Paula Toller, Leoni e toda a banda: a canção estava sendo cantada como uma declaração romântica, sendo que a letra foi inspirada em um relacionamento abusivo que eles acompanharam de perto.
Apesar de o Kid Abelha ter sido uma das maiores bandas de pop rock nacional, alguns de seus sucessos, como “Lágrimas de Chuva” e a própria “Como Eu Quero”, hoje são consideradas como um clássico MPB pela popularidade e qualidade de composição. Veja, a seguir, a história por trás da letra.
O refrão com um jogo de palavras foi o que abriu para o público a interpretação romântica de Como Eu Quero, afinal, a frase que também dá o título da música pode ser lida como a intensidade do quanto o eu lírico quer aquela pessoa, mas na verdade, é uma frase de controle.
De acordo com o livro Como as Músicas Foram Feitas, de Raul Ruffo, toda a letra foi baseada no relacionamento de Beni Borja, primeiro baterista da banda; sua namorada não apoiava a carreira como músico pois queria que ele fosse uma pessoa mais séria, o que inspirou o verso “tira essa bermuda, que eu quero você sério”.
Leoni e Paula, autores da música, não demoraram a perceber que a namorada de Borja tinha comportamentos estranhos em relação a isso, tentando moldá-lo a ter uma vida mais formal, já que o futuro na música não a convenceria, fato explícito em versos como “solos de guitarra não vão me conquistar”, “longe do meu domínio, você vai de mal a pior” e no fatídico refrão.
A namorada do baterista não o queria com intensidade; ela queria que ele fosse do jeito que ela acreditava melhor. Após escreverem a letra, no entanto, Paula e Leoni não ficaram satisfeitos e ela quase foi parar no lixo, mas o produtor da banda resgatou, fez alguns ajustes e os convenceu a gravar.
Para eles, a história era tão clara, que foi um susto quando perceberam que o público cantava como uma declaração de amor. Na tentativa de contornar isso, Leoni até passou a cantar uma versão mais agressiva da música nos shows, mas no fim, quem manda é o público.
Paola Zanon
Jornalista formada pela Cásper Líbero, repórter e redatora com passagens pelo Notícias da TV, R7, UOL Esporte, Lakers Brasil e UmDois Esportes. Apaixonada por cobertura esportiva e cultura pop em geral. E-mail: paola@tangerina.news
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