MÚSICA

O cantor WD

Divulgação/Márcio Farias

PERIFERIA

Ex-The Voice, WD usa música para driblar destino do jovem gay e negro

Semifinalista do The Voice Brasil 2021, WD lança clipe de Periferia e quer usar seu holofote para transformar a sociedade que quase o rejeitou

Luciano Guaraldo

Semifinalista da décima temporada do The Voice Brasil, o cantor WD lança nesta sexta-feira (3) o clipe de Periferia, seu primeiro single como contratado da Universal Music. A faixa, como o nome indica, retoma a infância do artista e os problemas que ele encarou na sua trajetória. Gay, negro e de origem simples, ele sabe que desafiou as estatísticas para chegar onde está. E quer usar o holofote que o ilumina para mudar o destino pré-definido para outros como ele.

“A gente mora em um país que mata uma pessoa preta a cada 23 minutos. Só por ela ser preta. O mais provável era que eu nem estivesse vivo hoje. Eu adoraria estar cantando sobre o mar, sobre os passarinhos, sobre a beleza da cidade de São Paulo, mas não posso fazer isso enquanto tem gente morrendo, entende?”, desabafa WD em conversa exclusiva com a Tangerina.

“Não posso nem pensar em cantar sobre outra coisa, porque não é o que eu vivo. Na minha família morreu um cara que foi uma vítima da sociedade!”, aponta ele, em referência ao irmão –cuja morte trágica é referenciada no clipe de Periferia. “Eu tenho que revisitar meu passado e trazer à tona isso que aconteceu. Mostrar para as pessoas que sim, hoje eu tenho um contrato com a maior gravadora do mundo, consigo ir ao mercado e comprar o que quero sem ficar regulando, mas que não é porque estou aqui que nunca passei por daquilo. Pelo contrário. Olha tudo o que já aconteceu na minha vida!”

WD, porém, não deseja usar seu passado triste para ser tratado com pena. Ele quer é ser exemplo. “A música é uma maneira de dizer: ‘Olha, eu também vivi isso que vocês vivem. Mas eu não quero que isso aconteça mais. Então recebam minha crítica aí e se posicionem’. Em 2022, artista que não representa algo não tem mais voz. Percebemos que temos que usar nossa voz e o nosso alcance para mudar vidas”, filosofa.

O lançamento de Periferia acontece justamente em 3 de junho, aniversário de 15 anos de carreira. WD afirma que a data é uma coincidência. Mais uma para a lista de acasos do destino do artista, que se inscreveu para participar de todas as temporadas do The Voice, mas que lidou com a rejeição dos jurados do X Factor Brasil (2016) e só foi parar na atração da Globo depois de participar de outro reality, a versão uruguaia do Got Talent.

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“Eu não posso julgar a trajetória de outros artistas. Mas acho que para mim [o The Voice] deu certo porque juntou o preparo com a oportunidade. Eu já tinha muito tempo de preparo, e a Globo me deu a oportunidade de cantar minha música autoral no programa de maior audiência do gênero do país. Eu já fui focado em chamar a atenção da gravadora. Em fazer alguém olhar para mim e pensar: ‘Peraí, eu consigo trabalhar com essa matéria-prima’. Só que eu venho não só com a matéria-prima, mas com o produto pronto. É só botar na prateleira e vender”, resume WD.

Arte que cura

Para WD, a arte é terapia, é instrumento de cura, é uma ferramenta de construção de um mundo melhor. “Quando você escuta música, lê um livro, vê uma peça de teatro ou um filme, você nem lembra que tem problemas na sua vida. É levado para uma dimensão que não tem como nomear. Eu superei as estatísticas, agora é meu dever e minha responsabilidade ser uma voz para a periferia. Não é sobre ser famoso. A música salvou minha vida, curou a minha alma. Eu quero fazer isso pelos outros também”, diz ele.

Fã declarado de Beyoncé, ele se inspira na cantora norte-americana e em outras famosas brasileiras como faróis para a transformação da sociedade. “Eu falo para as pessoas: ‘Se você cantou o meu refrão, acredite todo dia no que é dito ali. Se o WD, se a Iza, se a Anitta eram da periferia e chegaram aí… Pô, fortaleçam a periferia, sabe?”

Por falar em Iza, fica difícil não perguntar sobre a cantora que serviu de mentora para o artista no The Voice: afinal, ela prometeu um feat assim que ele foi eliminado da competição musical. E aí, WD, o feat vem? “Quem falou foi ela, não fui eu (risos). Se eu tivesse falado, ia te dar agora a data do lançamento, mas saiu da boca dela. Aí fica em aberto, né? Eu não vou nem responder senão depois publicam que o WD falou que vai ser lançado… Eu não falei nada, hein? Tem que perguntar pra ela (risos)”, diverte-se.

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Luciano Guaraldo

Editor-chefe da Tangerina. Antes, foi editor do Notícias da TV, onde atuou durante cinco anos. Também passou por Diário de São Paulo e Rede BOM DIA de jornais.

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