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Show do Kiss em São Paulo: Gene Simmons e Paul Stanley

Divulgação/Ricardo Matsukawa

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Kiss dá adeus ao Brasil em grande estilo; 5 motivos para lamentar

Em última turnê mundial, banda de hard-rock norte-americana tocou para mais de 45 mil pessoas em São Paulo

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

O show do Kiss no Allianz Parque em São Paulo, na noite deste sábado, não teve clima de despedida. Mas é fato —anunciado pela banda— que a apresentação de domingo (1), em Ribeirão Preto, deve ser a última da lendária banda de rock no Brasil. A turnê é batizada de “End of the road” (fim da estrada, em tradução livre) e traz no pôster o aviso: “a última turnê de todas”.

No entanto, no palco, diante de 45 mil pessoas que lotaram o estádio na Zona Oeste paulistana, os caras pintadas Paul Stanley, Gene Simmons, Eric Singer e Tommy Thayer optaram por não mencionar o adeus. Pelo contrário, transformaram o momento numa celebração ao rock de duas horas e esbanjaram uma energia que faz qualquer um duvidar que a banda faz 50 anos de estrada em 2023.

Na saída do show do Kiss, era comum ouvir frases como “não achei que seria tudo isso, mas é tudo isso e muito mais” e “foi muito melhor do que eu esperava” nas rodinhas de amigos. Aliás, o Allianz recebeu muitas crianças e famílias neste sábado.

A coluna esteve no show do Kiss e traz, abaixo, cinco motivos para lamentar se o divertido quarteto, realmente, não voltar mais ao Brasil.

Uma grande celebração ao rock

A vantagem de ser pioneiro é que você pode fincar os pés em territórios que passam a ser seus. É assim com o Kiss. Sem grandes pretensões de ser uma banda cabeça, política ou séria demais, o grupo quer mesmo é entregar entretenimento de qualidade para o público. A banda gosta de celebrar o rock enquanto gênero e estilo de vida, brincando com a mitologia e a marca que criou.

Tudo ali é pensado, ensaiado e testado há décadas na estrada para entregar um grande espetáculo a quem paga ingresso, um compromisso que reflete na resposta eletrizante do público.

A dedicação dos fãs

Claro que quem é fã de Kiss costuma gostar de rock de estádio, de uma forma geral. Mas há uma dedicação muito única quando se trata de ir a um show de Stanley, Simmons e companhia. Milhares de pessoas pintaram suas caras para ir ao show. Outras tantas entraram assim que os portões do estádio abriram. Quem não estava com a camisa da banda, era minoria.

É uma comoção comparada à recebida por ídolos adolescentes, que dificilmente voltaremos a ver com bandas de rock.

Um Cirque du Soleil do hard rock

A definição acima, dada por um amigo da coluna, é extremamente precisa. Sem abrir mão da excelência musical, o Kiss entende que um show de estádio vai além disso. E entrega entretenimento visual. Os números pirotécnicos, com fogos e chamas no palco, são comuns. O palco tem painéis de LED dos mais diversos formatos e é um show à parte, junto com os canhões de laser.

Gene Simmons, performer de excelência, cospe fogo, baba sangue, exibe sua língua monstruosa para todos os lados. Paul Stanley voa de tirolesa por cima da plateia para cantar num segundo palco. O solo de Eric Singer brinca com as câmeras que rodeiam a bateria amassada por ele, enquanto uma plataforma faz o instrumento flutuar.

Nada disso é novidade para os fãs, acontece há um bom tempo, mas todos vibram como se fosse uma grande surpresa.

Hits atemporais

Tirando uma ou outra faixa mais recente, o setlist de 23 músicas (veja abaixo) e composto, basicamente, por clássicos lançados há mais de 30 anos. Mas nada no show do Kiss soa como datado, porque a ideia ali é viver o agora.

Hits como Rock and Roll All Nite, Detroit Rock City, Lick It Up e Shout It Out Loud são marcados por refrães fáceis de entoar mesmo sem conhecer o idioma, os riffs e solos são precisos, a cozinha é poderosa. E Paul Stanley, de 70 anos, está cantando como um garoto.

Menos uma banda de estádio

Se o Kiss realmente parar de fazer show, teremos uma baixa na lista já reduzida de artistas de rock que conseguem lotar estádios pelo mundo. Por mais que haja uma renovação natural do gênero, ainda não é possível identificar bandas que terão fôlego para alcançar este status de popularidade. Além do Kiss, Elton John também anunciou que está em sua última turnê e o Foo Fighters tem futuro incerto desde a trágica morte do baterista Taylor Hawkins.

Setlist do show do Kiss em São Paulo

  • 1 – Detroit Rock City
  • 2 – Shout It Out Loud
  • 3 – Deuce
  • 4 – War Machine
  • 5 – Heaven’s on Fire
  • 6 – I Love It Loud
  • 7 – Say Yeah
  • 8 – Cold Gin
  • 9 – Solo de guitarra de Tommy Thayer
  • 10 – Lick It Up
  • 11 – Calling Dr. Love
  • 12 – Tears Are Falling
  • 13 – Psycho Circus
  • 14 – Solo de bateria
  • 15 – 100,000 Years
  • 16 – Solo de baixo
  • 17 – God of Thunder
  • 18 – Love Gun
  • 19 – I Was Made for Lovin’ You
  • 20 – Black Diamond
  • BIS
  • 21 – Beth
  • 22 – Do You Love Me
  • 23 – Rock and Roll All Nite
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QUEM FEZ
Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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