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O perfil de Elon Musk no Twitter

Imagem: Joshua Hoehne/Unsplash. Montagem: Tangerina

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RIP Twitter? O que vai acontecer com a rede social sob Elon Musk

Compra da rede social pelo bilionário preocupa usuários; saiba como isso pode te afetar

Bruno Silva

Bruno Silva

Depois de meses de especulações, memes e preocupações por parte de seus usuários, finalmente aconteceu: o Twitter foi adquirido nesta segunda-feira (25) pelo bilionário sul-africano Elon Musk. O homem mais rico do planeta adquiriu a companhia por completo depois de anunciar, em abril, que havia se tornado o maior acionista individual da rede social. Com isso, o Twitter deverá deixar a Bolsa de Valores e se tornar uma empresa de capital fechado.

Quanto Elon Musk pagou noTwitter?

A transação é estimada em aproximadamente US$ 44 bilhões —cerca de R$ 214 bilhões, de acordo com a cotação do dólar. A operação de aquisição, que ainda depende da aprovação dos acionistas e de órgãos reguladores, deve ser concluída até o final de 2022.

Por que Elon Musk comprou o Twitter?

A aquisição da empresa por Musk gera diversas dúvidas. Conhecido por suas declarações polêmicas, o bilionário já levantou diversas preocupações sobre o compromisso da rede social com a liberdade de expressão. “É a pedra fundamental de uma democracia funcional, e o Twitter é a praça pública digital onde ocorrem os debates vitais para o futuro da humanidade”, afirmou o executivo.

Mas como o Twitter pode mudar sob Elon Musk? A Tangerina lista alguns cenários possíveis para a rede social após a aquisição.

Menos moderação

Antes de adquirir o Twitter, Musk já havia feito duras críticas à postura da plataforma no que diz respeito à moderação de conteúdo, que é considerada uma ferramenta importante para combater o discurso de ódio. 

Em 25 de março, duas semanas antes de anunciar a aquisição de 9% da empresa, o bilionário publicou uma enquete em seu perfil que perguntava se o Twitter “adere rigorosamente ao princípio da liberdade de expressão”. Já nesta segunda-feira, horas antes do anúncio da compra, o executivo declarou: “Espero que meus críticos mais ferozes permaneçam no Twitter, porque é isso que significa liberdade de expressão”.

Embora o dono da Tesla não tenha anunciado nenhuma medida formal, a expectativa é de que aconteçam mudanças na política de moderação de conteúdo no Twitter, o que pode tornar a rede social mais fértil para discursos de ódio e discriminação.

Perda de usuários

A primeira e mais imediata reação à aquisição do Twitter acontece dentro de sua própria comunidade de mais de 200 milhões de usuários, e está diretamente ligada às visões do novo mandatário da empresa a respeito da moderação de conteúdo.

Com o anúncio da aquisição, o nome de Musk e hashtags como #RIPTwitter —ironizando a compra como a morte da rede social— chegaram aos assuntos mais comentados da plataforma. A influência de Musk em possíveis mudanças na empresa pode causar uma saída em massa de usuários da rede.

A volta de Trump?

Um dos assuntos mais especulados após a aquisição de Musk e suas promessas de menos moderação de conteúdo giram em torno da maior decisão que o Twitter tomou em relação a esse tópico em toda a sua história: o banimento do ex-presidente americano Donald Trump.

Trump foi banido da plataforma em 8 de janeiro de 2021, dois dias após publicar mensagens de apoio aos invasores do Capitólio em uma tentativa de interferir no processo de sucessão do próprio ex-presidente, derrotado por Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020.

Donald Trump

Foto oficial de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos

Shealah Craighead

Apesar de ter elogiado Musk, Trump já afirmou que não retornará ao Twitter mesmo depois da troca de dono, preferindo manter-se em sua própria rede social, a Truth Social. No entanto, a plataforma vem amargando com baixos índices de crescimento, nada comparados ao engajamento maciço que o republicano tinha no Twitter.

Algoritmo

Ao adquirir o Twitter, Elon Musk prometeu abrir o código-fonte da plataforma, o que pode ter implicações significativas sobre o estudo de como as redes sociais funcionam. O algoritmo é um conjunto de programações que determina o que os usuários veem —ou não veem— em suas linhas do tempo ao acessar uma rede social.

A intenção de Musk vai na contramão de praticamente todas as outras empresas do Vale do Silício, que têm no algoritmo de suas redes sociais uma mina de ouro para potenciais anunciantes e mantém qualquer informação a respeito de seu funcionamento trancada a sete chaves.

Uma possível abertura no código-fonte do Twitter pode dar aos usuários um vislumbre raro de como funcionam as redes sociais, e ajudar a entender como elas podem ser manipuladas para ganhos pessoais, comerciais e políticos.

Guerra aos bots

Outra promessa de Musk ao comprar o Twitter é eliminar bots, ou seja, contas automatizadas. No comunicado de compra da empresa, o bilionário voltou a tocar no assunto, prometendo derrotá-los e “autenticar todos os humanos”.

Ainda não é possível saber se a iniciativa também tiraria de cena contas automatizadas que prestam serviços aos usuários, como publicar a previsão do tempo, ou reunir informações relevantes. No Brasil, por exemplo, a automação é utilizada para divulgar os tuítes mais populares sobre ciência, entre outras iniciativas.

No entanto, as intenções do dono da Tesla em sua guerra contra os bots pode dizer respeito exclusivamente ao conteúdo. Em 9 de abril, no mesmo dia em que anunciou ser o principal acionista majoritário do Twitter, ele comentou em seu perfil que as dez contas mais seguidas da plataforma mal publicam conteúdo, e questionou se esse fato poderia indicar que a plataforma está “morrendo”.

Problemas financeiros (para Musk)

Por fim, a aquisição do Twitter pode causar problemas financeiros para Elon Musk não apenas na rede social, mas em suas outras empresas, como a fabricante de carros elétricos Tesla e a empresa de exploração espacial SpaceX

As ações da Tesla caíram 1,5% após o anúncio da compra do Twitter, em meio a preocupações crescentes sobre como o bilionário será capaz de bancar a aquisição de uma empresa que custou um quinto de sua fortuna pessoal.
A preocupação se intensifica ainda mais já que o clima político nos Estados Unidos têm pressionado cada vez mais o governo a aumentar os impostos sobre transações bilionárias, como a realizada por Musk para adquirir o Twitter. Em março, o presidente americano Joe Biden propôs a taxação de fortunas, mirando a redução da desigualdade social no país.

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Bruno Silva

Bruno Silva

Editor de games e animes na Tangerina, Bruno Silva é brasiliense e fã de basquete. Jornalista, apresentador e streamer, foi co-criador do The Enemy e já publicou no Omelete, Nerdbunker, Metrópoles e Correio Braziliense.

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