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Alicia Von Rittberg

Divulgação/Starzplay

ESTREIA

Becoming Elizabeth: Série do Starzplay é Game of Thrones sem dragões

Primeira temporada de Becoming Elizabeth estreia neste domingo (12) na plataforma. Atração é "continuação espiritual" de The Tudors

André Zuliani

Nova série de época do Starzplay, Becoming Elizabeth se aproveita das mesmas ferramentas que ajudaram Game of Thrones (2011-2019) a se tornar um fenômeno mundial. Com intrigas políticas e familiares, sexo e guerra entre reinos, a atração só deixa de fora dragões e elementos místicos para fincar suas raízes na história por trás da monarca que antecedeu (há séculos) a atual rainha Elizabeth 2ª.

De certa maneira, Becoming Elizabeth pode ser descrita como uma continuação espiritual de The Tudors (2007-2010). Produção que marcou época nos anos 2000, a série do Showtime contou a história do rei Henrique 8º (1491-1547), conhecido por cortar laços com a Igreja Católica e ser o fundador da religião anglicana, que resultou na Reforma Protestante e em seguidos anos de conflitos bélicos entre fiéis.

Para não repetir eventos importantes de sua antecessora, a série do Starzplay começa no mesmo ponto em que The Tudors terminou: a morte do rei. A perda do monarca deixou o reino da Inglaterra sem rumo, já que seu sucessor, o rei Edward 6º (Oliver Zetterström), era apenas uma criança. Tal realidade movimenta os corredores do castelo e coloca a todo vapor aspirantes ao poder em busca de influência.

O intuito da trama, no entanto, vai além de mostrar o reinado dos monarcas do clã Tudor que herdaram o trono. Becoming Elizabeth é a história da ascensão de Elizabeth (Alicia von Rittberg), última na linha de sucessão de Henrique 8º e que ainda era uma adolescente quando o pai morreu. Envolvida em esquemas políticos e jogo de seduções contra a sua vontade, ela é obrigada a amadurecer e descobrir sua força interior para se manter viva.

Enquanto Edward aprende a governar o país, o jovem rei, criado sob a ótica protestante, é dilacerado pelo desejo de sua irmã mais velha, Mary (Romola Garai), adepta do catolicismo, de ter o direito de manter sua fé. Presa no meio está a adolescente Elizabeth, irmã de ambos e, como a história registra, futura rainha da Inglaterra.

John Heffernan e Tom Cullen

John Heffernan (duque de Somerset) e Tom Cullen (Thomas Seymour)

Divulgação/Starzplay

Para contar a história da monarca, Becoming Elizabeth não reinventa a roda, mas se aproveita (e brinca) com rumores de sua juventude. A atuação de Alicia von Rittberg é a de uma jovem cuja reputação supostamente ruim a precede. Condenada por ser filha da “prostituta” Ana Bolena (1501-1533), ela vê a morte do pai como uma chance de ser abraçada pelos irmãos que há muito brigam entre si por causa das intrigas familiares e dos divórcios protagonizados por Henrique 8º.

Levada para morar na casa de Catherine Parr (Jessica Raine), última mulher do rei, ela é praticamente colocada no olho do furacão político que se tornou o reino da Inglaterra após a morte do pai. Sua madrasta, uma das poucas figuras que ela poderia chamar de “mãe”, a vê como uma ferramenta para a sua ambição de continuar rodeando o poder e não ser decapitada.

O homem responsável por se aproveitar da inocência da protagonista é Thomas Seymour (Tom Cullen, ótimo no papel), amante e futuro marido de Catherine. Irmão de Jane Seymour (1508-1537), mãe de Edward e terceira mulher do rei morto, o ganharão metido a malandro faz de tudo para ser relevante em assuntos políticos e rejeita a ideia de ser escanteado por seu irmão, o duque de Somerset (John Heffernan).

Mesmo que Elizabeth seja a protagonista, a série se divide entre mostrar a nova realidade de seus irmãos. No começo, eles enxergam a morte do pai como um meio de finalmente formarem a família que a política não deixou. Pouco a pouco, no entanto, as ambições e diferenças de personalidade os posicionam em lados diferentes do tabuleiro –tal como vários personagens em Game of Thrones.

Mais do que uma história de origem, Becoming Elizabeth é um retrato da juventude nos tempos áureos da monarquia e de como o patriarcado influenciou a vida das crianças que sucederam o rei. A melhor parte da série não é o foco na ascensão de uma monarca lendária, mas, sim, a abordagem da força das mulheres e a ambição dos homens tóxicos que a orbitam.

O Starzplay disponibiliza um novo episódio de Becoming Elizabeth toda semana, sempre aos domingos.

Alicia Von Rittberg

Becoming Elizabeth - 1ª temporada

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QUEM FEZ

André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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