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Capa da crítica do filme Drive My Car

Divulgação

Crítica

Ganhador do Oscar, Drive My Car prova que nem sempre menos é mais

Drive My Car. De Ryusuke Hamaguchi, o vencedor do Oscar® baseado em um conto de Haruki Murakami. Chega exclusividade na plataforma MUBI

Rafael Argemon

Rafael Argemon

Uma das “polêmicas” cinematográficas mais em voga nas redes sociais atualmente é sobre a duração exagerada dos filmes. Quantos tuítes você já não viu dizendo algo do tipo: “gente, por que ninguém faz mais filmes com 90 minutos?!”. E olha que grande parte desse montante é de produções do mais puro suco do mainstream. A crítica atinge diretamente blockbusters da Marvel, por exemplo, que normalmente focam suas produções muito mais na ação do que na contemplação. E é exatamente esse o problema. A duração de um filme não deveria ser uma questão quando ela se faz necessária.

Por isso, a jornada do japonês Drive My Car, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (17), é tão fascinante. O filme de Ryusuke Hamaguchi dá tempo ao tempo para contar a história de um diretor de teatro tendo de lidar com o luto, passando por todo o processo desse período enquanto organiza uma montagem bem particular de Tio Vânia, uma das obras mais célebres do dramaturgo e escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904).

O respeito à passagem do tempo como fator essencial da trama é tamanho que Hamaguchi apresenta um prólogo de 45 minutos, nos dando o material necessário para compreender as motivações do protagonista em sua jornada de autoconhecimento. E o quanto a relação com sua esposa impactava na construção de quem ele era. É só a partir daí que o título aparece na tela. Quando passamos a caminhar junto com esse personagem pelos últimos estágios desse luto.

Cena do filme Drive My Car

Trailer de Drive My Car (2021)

Drive my Car é um filme que, assim como faz com seu protagonista, também te pede tempo

Road movie à la Murakami

Baseado em fragmentos do livro de contos Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami, Drive My Car conta a história de Yusuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima), um diretor e ator de teatro viúvo que é convidado a dirigir uma montagem de Tio Vânia em um festival teatral em Hiroshima.

Por conta de uma regra de segurança do festival, uma jovem calada chamada Misaki Watari é designada como sua motorista. À princípio, ele não gosta de ter seu antigo Saab dirigido por outra pessoa que não ele, mas durante o processo de casting da peça, ele e Misaki dividirão experiências de vida que os marcarão para sempre.

Drive My Car tem tantas camadas para descascar que suas três horas de duração passam suavemente, como a brisa marinha da costa de Hiroshima. Além desse processo de autoconhecimento de Yusuke, aprendemos mais sobre sua esposa pelos olhos do jovem e impulsivo ator Kôji Takatsuki (Masaki Okada); conhecemos uma atriz coreana surda que representa usando a língua de sinais e nos aprofundamos na relação do protagonista com Misaki. 

Tudo em paralelo e ao mesmo tempo, mesclado com a montagem de Tio Vânia, uma peça que tem como tema central a perda inevitável das ilusões e a consequente necessidade do homem de se reinventar e de enfrentar o futuro.

Drive my Car é um filme que, assim como faz com seu protagonista, também te pede tempo. Tempo para compreender, refletir e contemplar de uma forma que, acredite, não fará com que você sinta que perdeu tempo. Hamaguchi prova que, nem sempre, menos é mais.

Dois pelo Preço de Um – O ano de 2021 foi tão incrível para Ryusuke Hamaguchi, que ele dirigiu outro filme incrível junto com Drive My Car: Roda do Destino. Disponível por aqui no Now, o drama retrata um triângulo amoroso por três pontos de vista diferentes.

Prestenção, freguesia –  Na performance silenciosa e cheia de impacto de Park Yoo-Rim. 

Pôster do filme Drive My Car

Drive My Car

Drama
14
Direção
Ryusuke Hamaguchi
Produção
Bitters End
Onde assistir
Mubi
Elenco
Hidetoshi Nishijima
Tôko Miura
Reika Kirishima
Masaki Okada
Park Yu-rim
Sonia Yuan
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QUEM FEZ
Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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