Elvis: Pressão do filme ajudou Austin Butler a lidar com medos da vida

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Austin Butler

Divulgação/Warner Bros.

ENTREVISTA

Elvis: Pressão do filme ajudou Austin Butler a lidar com medos da vida

Cinebiografia sobre o rei do rock dirigida por Baz Luhrmann já está em cartaz no Brasil; jovem ator é cotado para o Oscar do ano que vem

André Zuliani

Um dos títulos mais aguardados do ano, Elvis (2022) já está em cartaz nos cinemas do Brasil e conta a história da ascensão e da queda de Elvis Presley (1935-1977), um dos maiores astros da música de todos os tempos. Para interpretar o rei do rock, o diretor Baz Luhrmann (Moulin Rouge: Amor em Vermelho) escolheu Austin Butler (Era Uma Vez em Hollywood), ator desconhecido do grande público e cuja responsabilidade de viver o ídolo lhe colocou grande pressão.

Viver uma personalidade da vida real em uma cinebiografia é sempre complicado, mas quando a pessoa em questão é ninguém menos do que Elvis Presley, a responsabilidade pode deixar um artista extremamente tenso. Em bate-papo com jornalistas do qual a Tangerina participou, Butler contou que a pressão de ser o grande astro do filme também lhe ajudou a lidar com outros medos da vida.

O motivo, segundo o ator de 30 anos, tem a ver com a preparação para interpretar Elvis no longa de Luhrmann. Durante dois anos, Butler mergulhou na história do cantor e se tornou obcecado por cada detalhe de sua vida. Ciente do tamanho da responsabilidade que carregava nas costas, ele passou a enxergar os obstáculos com outros olhos.

“Eu pensava em tudo. Como ele acordava pela manhã? Como era sua vida pessoal? Era sobre descobrir como ele evoluiu ao longo dos anos, e isso fez parte de todo o meu processo. Ficou preso em mim. Sabe, muito do meu relacionamento com o medo mudou por causa da pressão [do papel]. Eu senti isso durante todo o processo. Era muita responsabilidade”, compartilhou o ator.

De acordo com Butler, o medo de falhar não apenas com os fãs do astro, mas também com a memória de Elvis, tornou toda a experiência do filme ainda mais estressante. Lidar com tanta responsabilidade não era algo que ele considerava comum até então em sua carreira.

“Eu tinha muito medo de falhar com ele, com seu legado, com sua família e com os milhões de fãs pelo mundo que o amam tanto. Era tanta responsabilidade que eu temia todos os dias. Mas depois foi uma lição muito grande, porque ele também sentiu medo. Teve momentos em sua vida, como em 1968, quando ele achou que sua carreira estava em risco, ou em vários outros nos quais ele teve pavor do palco. Então eu me tranquilizava sabendo que Elvis também sentiu medo”, continuou.

Procurando Elvis

Em seu processo de dois anos em preparação para viver Elvis, Austin Butler buscou saber tudo sobre a vida do ídolo. Além de treinamento de voz para as cenas musicais, o ator quis entender como era estar na pele de um dos maiores ícones da época nos Estados Unidos.

“Eu tive dois anos nos quais não fiz nada além de estar obcecado por Elvis. Todos os dias eu seguia minha curiosidade e, por sorte, tive uma equipe excelente para me ajudar. Fiz aulas de canto e dialeto, entre muitas coisas. Você tenta ser o mais meticuloso possível. No fim do dia, era sobre procurar a humanidade dele. Eu fiquei fascinado quando despi a carcaça de ídolo, os trejeitos e as roupas. Eu queria entender como Elvis era em um quarto vazio, sozinho, no fim de seu dia.”

Para Baz Luhrmann, era impossível mostrar a história de Elvis Presley no cinema sem contar parte da história musical dos Estados Unidos. As origens do ídolo, que se tornou astro cantando rock e música country, também envolviam o blues –ritmo negligenciado na época por uma sociedade extremamente racista.

“Ele [Elvis] tinha uma vida incrível para explorar os Estados Unidos nos anos 1950, 1960, 1970 e comparar com o mundo atual. É uma história sobre o relacionamento entre Elvis e o coronel Parker [empresário do astro, vivido por Tom Hanks], sobre controle e a indústria. Sobre exploração e a criatividade que vem da alma. Muito do que vemos no mundo hoje em dia vem daí. E você não pode falar da música dessa época sem falar sobre black music e artistas pretos. Era sobre a jornada de Elvis e vários destes personagens. Não haveria Elvis sem o blues”, pontuou o cineasta.

Cena do filme Elvis

Elvis

Trailer dublado

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QUEM FEZ

André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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