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Cillian Murphy

Divulgação/BBC

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Peaky Blinders: Sufocante, 6ª temporada dá o fim que a série merece

Última leva de episódios de Peaky Blinders chega nesta sexta (10) à Netflix. Filme vai continuar a história, mas ainda não há previsão de estreia

André Zuliani

A sexta temporada de Peaky Blinders estreia nesta sexta-feira (10) na Netflix e, com ela, chega o fim da saga da família Shelby –pelo menos na TV. Com um filme já anunciado e que promete encerrar a história além da série, alguns fãs não sabem o que aguardar da última leva de episódios. Pois bem: como final “temporário” da trama, ela entrega o excelente (e sufocante) encerramento que a atração merece.

Descrever a sexta temporada como sufocante parece estranho, principalmente ao olhar para toda história dos Peaky Blinders. A gangue liderada pelo frio e calculista Tommy Shelby (Cillian Murphy) sempre encarou vilões que pareciam impossíveis de serem derrotados, mas o sol sempre nascia novamente após os mais diversos apuros. Desta vez, a escala do perigo aumentou como nunca.

O novo ano começa no mesmo instante em que a quinta temporada se encerrou. Pela primeira vez, Tommy se vê longe de seus objetivos e acredita ter encontrado no fascista Oswald Mosley (Sam Claflin) o adversário impossível de ser derrotado. Seu martírio, no entanto, ainda não terminou.

A derrota de Tommy se torna maior após outras grandes perdas, e o criador Steven Knight abusa da criatividade para encaixar na trama a ausência de Helen McCrory (1968-2021), intérprete de Polly Gray, que morreu antes do início das gravações. Sem a matriarca da família, o líder dos Peaky Blinders surge mais vulnerável do que nunca.

Um salto temporal de quatro anos coloca Tommy novamente frente a frente com Michael (Finn Cole), que voltou para os Estados Unidos depois de ser expulso da corporação da família pelo primo. Como na série negócios sempre vêm antes de vinganças pessoais, os dois sentam para negociar o tráfico de ópio e uísque para o país norte-americano após o fim da Lei Seca e a autorização da venda de bebidas alcoólicas.

Sem a mesma confiança de antes, o protagonista se vê obrigado a aceitar a ascensão do fascismo no mundo para poder atingir seus objetivos. Na visão de Tommy, é mais fácil derrotar seus inimigos ao estar entre eles, mesmo que nem ele acredite mais em sua força. Arthur (Paul Anderson) se entregou ao vício em ópio e mal aguenta a própria existência, enquanto Ada (Sophie Rundle), cada vez mais afastada dos negócios da família, tenta suprir o vazio da ausência de Polly sendo o elo entre seus irmãos.

Paul Anderson

Paul Anderson como Arthur Shelby

Divulgação/BBC

A sensação de que o fim se aproxima não chega a interferir no andamento da narrativa, mesmo que alguns eventos e surpresas sejam convenientemente encaixados para não colocar um ponto-final definitivo na história dos Peaky Blinders. Há sempre um adversário para derrotar, um novo trabalho a ser cumprido ou um novo negócio a ser fechado antes que Tommy decida se aposentar de vez. Aposentadoria que é tema constante dos novos episódios, potencializada ainda mais por novas tragédias dentro da família Shelby.

Com Anthony Byrne de volta ao posto de diretor após um excelente trabalho na quinta temporada, Steven Knight parece se aproveitar da qualidade cinematográfica dos novos episódios para entregar os melhores diálogos de toda a série. A ação volta a dar lugar aos embates psicológicos, e quase todos os personagens ganham seus monólogos para brilharem em cena.

Há momentos de catarse fulminante, principalmente aqueles nos quais Tommy e Arthur encaram seus demônios pessoais ou levam mais um puxão de orelha de Ada. A falta de informações sobre o futuro filme da franquia acaba por colocar em xeque o destino de personagens queridos, o que torna a experiência de acompanhar o clímax do sexto ano ainda mais sufocante.

Mesmo que bem aproveitada na narrativa, a ausência de Polly Gray é sentida em todo o momento. A matriarca dos Shelby era a muleta que carregava Tommy e seus irmãos, e sem ela a família aparece à beira do colapso. A imponência na atuação de Helen a tornava uma das grandes qualidades da série, e Peaky Blinders sofre para encontrar alguém que tape este buraco.

A sexta temporada de Peaky Blinders pode não ser a conclusão da franquia, mas entrega um final apoteótico para quem acompanhou a jornada de Tommy desde que a família Shelby era apenas uma gangue que cuidava de apostas. Há retornos de personagens aguardados e ainda mais espaço para outros outrora escanteados –Ada, Lizzie (Natasha O’Keeffe) e Gina (Anya Taylor-Joy) protagonizam seus melhores momentos na série. Em poucas palavras, é o fim perfeito e com um gostinho de “quero mais”.

Cillian Murphy como Tommy Shelby na série Peaky Blinders

Peaky Blinders - 6ª temporada

Assista ao trailer

Peaky Blinders poster

Peaky Blinders - 6ª temporada

Drama
16
Direção
Anthony Byrne
Produção
BBC
Onde assistir
Netflix
Elenco
Cillian Murphy
Paul Anderson
Sophie Rundle
Natasha O'Keeffe
Harry Kirton
Finn Cole
Anya Taylor-Joy
Ned Dennehy
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André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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