Pluft, o Fantasminha: Diretora sofreu com pressão de adaptar clássico

FILMES E SÉRIES

Rosane Svartman e Lola Belli

Divulgação/Globo Filmes

ROSANE SVARTMAN

Pluft, o Fantasminha: Diretora sofreu com pressão de adaptar clássico

Com orçamento de gente grande, longa baseado na peça infantil escrita por Maria Clara Machado já está em exibição nos cinemas do Brasil

André Zuliani

Diretora responsável por Pluft, o Fantasminha (2022), Rosane Svartman abraçou a missão de levar para os cinemas uma das histórias mais importantes do teatro nacional. Escrita por Maria Clara Machado (1921-2001), a peça homônima que inspirou o filme é um clássico brasileiro, o que aumenta a pressão sobre os ombros daqueles que encabeçaram o projeto.

No caso de Rosane, a chamada “missão Pluft” tinha inúmeros obstáculos para serem ultrapassados antes que o público pudesse ver esta história no cinema. A primeira delas era convencer os herdeiros de Maria Clara, detentores dos direitos das obras da autora, que não estavam dispostos a entregá-los para uma adaptação qualquer.

Para convencê-los, Rosana e a produtora Clélia Bessa entraram de cabeça no projeto para buscar ferramentas que as ajudassem a contar a história de Pluft de maneira convincente. Como o personagem principal é uma criança fantasma, era necessário descobrir como criar este personagem sem recorrer ao auxílio de atores pendurados em hastes ou gastar milhões com efeitos visuais.

Para transformar a magia da história de Pluft em realidade, a fórmula encontrada pela dupla foi usar filmagens subaquáticas em uma piscina encontrada no Corpo de Bombeiros de Franco da Rocha, no interior de São Paulo. Durante duas semanas, equipe e elenco se prepararam e rodaram no local, com tecnologia, preparadores e equipamentos especializados.

Somando as filmagens subaquáticas com uma tecnologia 100% brasileira para os efeitos especiais, o orçamento de Pluft, o Fantasminha foi registrado em R$ 12 milhões –o maior para uma produção infantil na história do cinema brasileiro. Todo essa jornada para levar a obra de Maria Clara Machado às telonas contribuiu com a pressão gigantesca em cima de Rosane e Clélia.

“Com certeza eu senti uma pressão, mas, para mim, qualquer projeto é um desafio. É passo a passo. Mas saber onde você quer chegar ajuda todo o processo. Tratando-se de uma obra com esse peso, se eu olhasse o todo, eu não iria conseguir [fazer o filme]. Mas com um pouco de obsessão e sabendo onde nós queríamos chegar, foi possível”, contou Rosane em entrevista exclusiva à Tangerina.

Para a cineasta, a imensa vontade e a dedicação de contar a história de Pluft nos cinemas contribuiu para que a pressão enorme em torno do projeto fosse reduzida. Segundo Rosane, o carinho pessoal de algumas pessoas pela obra de Maria Clara a ajudou a superar alguns obstáculos.

“Ao longo do caminho, eu fui encontrando pessoas tão obsessivas em contar esta história quanto eu. A Clélia [produtora), a Fabíula [Nascimento, atriz do filme], o Juliano [Cazarré, ator do filme], o José [Lavigne, ator do filme], todos tinham um carinho enorme pela peça. Nós demos as mãos e contamos essa história juntos. Não dá pra pensar na responsabilidade o tempo todo, mas na paixão dá. Sempre na vontade de dar o meu coração, sangue e suor de estar neste projeto. Isso nunca saiu do meu horizonte.”

A magia do teatro para o cinema

De todos os obstáculos que Rosane precisou ultrapassar para levar Pluft às telonas, convencer Cacá Mourthé, sobrinha de Maria Clara e diretora artística do Tablado, tradicional escola de atuação do Rio de Janeiro, era essencial. Para Cacá, a maior necessidade do projeto era transmitir a magia do teatro para o cinema.

De acordo com a diretora, antes de ceder os direitos para a adaptação da peça, Cacá pediu que Rosane e Clélia a convencessem de que era possível contar a história de Pluft de maneira convincente. Ela não queria atores pintados de branco e pendurados por cordas como fantasmas. Era preciso mais.

“Esse pedido fez com que a gente parasse, sentasse e pensasse na magia do cinema. Em todas as fórmulas possíveis para contar essa história. Vamos usar captura de movimentos? Será que vai dar química entre o Pluft [Nicolas Cruz] e a Maribel [Lolla Beni]? Dá para fazer com câmeras que gravem em slow motion para depois colocar o rosto dos atores? Pensamos em tudo até encontrarmos a solução de gravarmos embaixo d’água”, revelou.

Apesar da paixão e da dedicação pelo projeto, Rosane admitiu que por várias vezes pensou que adaptar Pluft para os cinemas seria uma missão quase impossível.

“Foram muitos momentos. Não só filmar na água, como também fazer um papagaio falar, colocar uma perna de pau na areia. Foram vários desafios e, nessa hora, eu acho que é bom nós pensarmos como roteiristas. Se formos por este caminho, o que acontece? E por outro? No final, gravar submerso foi o grande desafio. Às vezes os atores gravavam sequências inteiras e era preciso decidir qual equipe os acompanharia, qual câmera utilizar, como filmar com 3D. Foram milhares de variáveis que nós resolvemos da seguinte forma: com calma e planejamento”, encerrou.

Pluft, o Fantasminha já está em exibição nos cinemas do Brasil.

Nicolas Cruz

Pluft, o Fantasminha

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QUEM FEZ

André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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