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Chris Hemsworth

Divulgação/Netflix

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Spiderhead: Chris Hemsworth se esforça, mas não salva filme

Com começo interessante, longa da Netflix se perde do meio para o final. Miles Teller deixa a desejar como o protagonista; leia a crítica completa

André Zuliani

Novo filme do diretor Joseph Kosinski (Top Gun: Maverick), Spiderhead (2022) é uma decepção apenas pelas altas expectativas que gera. Atualmente em destaque na Netflix, o longa se apoia no charme de Chris Hemsworth (o Thor da Marvel) e em um início interessante para criar uma conexão com o público, mas o clímax apático coloca tudo a perder.

Logo em seus primeiros minutos, Spiderhead mostra um início promissor. Ao misturar suspense com ficção científica, o longa entra de cabeça nos segredos da mente humana e explora o avanço da ciência como motor capaz de determinar os sentimentos das pessoas. A partir da metade da trama, no entanto, a narrativa desanda completamente.

Na trama, baseada em um conto escrito por George Saunders para a revista The New Yorker, Hemsworth interpreta Abnesti, o líder de uma pesquisa que estuda fórmulas capazes de alterar os sentimentos dos seres humanos, seja raiva, felicidade, tristeza ou prazer. Para fazer estas experiências, o estudo usa prisioneiros encarcerados como cobaias em uma prisão altamente tecnológica e cheia de luxo intitulada Spiderhead.

Um destes “pacientes” é o atormentado Jeff (Miles Teller), rapaz que se inscreveu para fazer parte da pesquisa por acreditar que seu papel ajudaria no avanço da ciência. De acordo com Abnesti, o estudo é capaz de provar que o sentimento de amor poderia ser recriado independentemente da atração que uma pessoa sente pela outra.

Jurnee Smollett e Miles Teller

Jurnee Smollett e Miles Teller

Divulgação/Netflix

Cada um dos presos está nesta situação por motivos diferentes. Há serial killers, golpistas, assassinos confessos e condenados por acidentes. No caso de Jeff, seu grande trauma o colocou em cárcere e vitimou a pessoa que ele mais amava. Em Spiderhead, no entanto, ele conhece Lizzy (Jurnee Smollett), prisioneira que também esconde um grande segredo.

Na primeira metade, Spiderhead se prova um excelente estudo de personagens. A cada dose de droga, Jeff reflete suas emoções na companhia de um de seus colegas de cárcere. Ele experimenta do tesão ao terror, quase nunca mantendo resquícios de seus sentimentos após as sessões. Em meio a isso, a ganância de Abnesti para criar a fórmula perfeita vai colocando uma pulga atrás da orelha do protagonista.

O problema a partir da segunda metade do longa é lidar com as expectativas criadas na primeira. Quando as verdadeiras intenções de Abnesti são reveladas, Spiderhead se perde ao trocar a ficção por uma história de fuga. Resoluções (muito) convenientes ajudam a trajetória de Jeff e leva o espectador a um clímax sem um terço da qualidade inicial do filme.

A queda no roteiro também afeta negativamente o trabalho de seus protagonistas. Ao interpretar um vilão tão charmoso quanto intrigante, Hemsworth se esforça para salvar o pouco de qualidade que restou de seu arco nos momentos finais.

Já Miles Teller, em alta ao lado de Kosinski pelo sucesso de Top Gun: Maverick (2022), volta a falhar como peça central de um filme de ficção. Jurnee, que já provou talento em produções como Lovecraft Country (2020) e Aves de Rapina (2020), acaba muitas vezes escanteada como Lizzy e serve apenas como muleta para a jornada de Jeff.

Como em um episódio de Black Mirror, Spiderhead tem momentos de puro êxtase e outros de pouco interesse. Por ser uma produção Netflix, a experiência de assistir do sofá de casa pode tornar o final apático mais aceitável. Sorte de Kosinski e companhia que ingressos (caros) para assistir ao longa não serão cobrados.

Chris Hemsworth

Spiderhead

Assista ao trailer

Spiderhead

Spiderhead

Ficção/Suspense
16
Direção
Joseph Kosinski
Produção
Netflix
Onde assistir
Netflix
Elenco
Chris Hemsworth
Miles Teller
Jurnee Smollett
Mark Paguio
Tess Haubrich
Nathan Jones
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André Zuliani

Repórter de séries e filmes. Viciado em cultura pop, acompanha o mundo do entretenimento desde 2013. Tem pós-graduação em Jornalismo Digital pela ESPM e foi redator do Omelete.

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