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Pôster da série Star Trek: Strage New Worlds

Divulgação

Star Trek

Spock, Uhura, nostalgia: Nova Star Trek retoma clima da série clássica

"Queríamos fazer algo que fosse fortemente influenciado pela série original. No formato de episódios fechados e no sentido do otimismo, diversão e aventura", diz o ator Anson Mount, o Capitão Pike

Rafael Argemon

Rafael Argemon

Depois de décadas de séries, filmes, animações, games, livros e sei lá mais que outros formatos possíveis e imagináveis, a franquia Star Trek retorna às origens com Strange New Worlds, que estreia no Paramout+ nesta sexta-feira (6). Uma viagem nostálgica que recupera além do formato, o próprio espírito otimista da produção original, que foi ao ar na TV americana de 1966 a 1969.

“Todos nós queríamos fazer algo que fosse fortemente influenciado pela série original. De várias maneiras. Não focado apenas nos aspectos técnicos, como o formato episódico ou design das roupas e phasers e coisas do tipo. Mas também no sentido de otimismo, de diversão e aventura. Nós queremos que nosso público se sinta da mesma forma que eu me sentia quando tinha 8 anos, todos os domingos às 18h. Quando eu não tinha ideia para onde a Enterprise iria”, contou o ator Anson Mount, em uma mesa redonda com jornalistas do mundo todo que teve participação da Tangerina

Em Strange New Worlds, Mount interpreta Christopher Pike, o capitão da famosa USS Enterprise uma década antes de seu posto ser assumido por James T. Kirk, que na série original ficou famoso na pele de William Shatner. Pike é um personagem amado pelos trekkies (os fãs incondicionais de Star Trek) que apareceu pela primeira vez no piloto rejeitado da série, chamado A Jaula. Que, aliás, está disponível na Netflix.

“Senti um senso de responsabilidade muito grande quando fui escalado para esse papel. É um personagem que faz parte do cânone de Star Trek e é tão venerado pelos trekkies. Mas, estranhamente, havia muito pouco material sobre Pike. Isso tem seus prós e contras. Havia menos material que eu poderia mergulhar em termos de pesquisa, mas me deu uma maior sensação de liberdade para trazer minha própria versão dele”, explica Mount.

“O primeiro Pike, de A Jaula, interpretado por Jeffrey Hunters na década de 1960, é mais jovem. Mais questionador. O meu é um pouco mais seguro de si. Ele tem mais noção do que é vestir o uniforme de capitão da Enterprise. Mas faço isso com um tremendo senso de responsabilidade, especialmente porque eu mesmo sou um trekkie que todos os dias me pego pensando: ‘Eu estou no set de Star Trek! Que coisa maravilhosa!’”, completa.

Enxergar o passado para ver o futuro

Cena da série Star Treck: Strange New Worlds

Trailer de Star Trek: Strange New Worlds

Strange New Worlds se passa uma década antes dos acontecimentos da série clássica

Como Mount nos disse, e que nós da Tangerina pudemos conferir assistindo aos três primeiros episódios de Star Trek: Strange New Worlds, a nova série é completamente conectada ao espírito da original. Principalmente com a alma da narrativa de seu criador, Gene Roddenberry. Um contador de histórias de ficção científica que usava o gênero para refletir sobre assuntos urgentes da realidade de sua época. 

“Era importante para todos os envolvidos [em Strange New Worlds] fazer uma série episódica, porque essa coisa da ideia da semana sempre foi o motor de Star Trek. A televisão atinge o seu melhor quando funciona como uma espécie de plataforma metafórica na qual falamos sobre outras coisas. Quando você está fazendo um show serializado –mesmo que eu ache que existam outras versões de Star Trek que fizeram isso muito bem–, você tem de acompanhar tantos fatos relacionados que não há muito espaço para a grande ideia. Pike não é a estrela do show. A estrela é a Enterprise.”, reflete Mount.

Como nas histórias criadas por Roddenberry, cada episódio desenvolve um assunto com começo, meio e fim. Sempre com uma visão ponderada e nada belicista. No primeiro episódio, por exemplo, Pike mostra a duas facções de um planeta em guerra que se parece muito com a Terra no século 20, o que o conflito fez com nosso planeta em um momento semelhante de sua história. É claro que há batalhas em Strange New Worlds, mas grande parte dos problemas enfrentados pela tripulação da Enterprise é resolvido usando a inteligência e a empatia, não a força.

O retorno de velhos conhecidos

Cena da série Star Treck: Strange New Worlds

A ainda cadete Uhura e o vulcano Spock em ação em Star Trek: Strange New Worlds

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Diferente de Pike, que não é um personagem importante para o cânone de Star Trek, mas que nunca apareceu muito nas diversas plataformas da franquia, dois personagens da série original têm bastante destaque em Strange New Worlds: ninguém menos que Spock e Uhura.

Interpretado aqui por Ethan Peck (neto de um monstro da velha Hollywood, Gregory Peck), Spock é o braço direito de Pike assim como foi de James T. Kirk, que aparece bem pouco em Strange New Worlds como um ainda aspirante a capitão vivido por Paul Wesley

“[viver Spock] É a jornada de uma vida. Talvez nunca mais interprete um personagem com esse nível de relevância para a cultura pop. Sinto-me imensamente sortudo e enormemente sobrecarregado com a responsabilidade. Spock é muito importante. Não apenas para o cânone de Star Trek, mas para a história da televisão. Intelectualmente eu entendo isso, mas viver isso é algo realmente selvagem e estranho para mim. Ainda estou tentando entender”, confessa um sorridente Peck, que não esconde sua empolgação. 

Entusiasmo que também é dividido por Celia Rose Gooding, que interpreta a versão mais jovem, ainda cadete, da tenente Uhura: “Há muitas semelhanças entre eu mesma e a cadete Uhura. Nós duas perdemos a família de maneiras incrivelmente dramáticas. Nós duas somos muito jovens em nosso campo e ainda estamos meio que nos questionando sobre isso. Acho que os roteiristas definitivamente conversaram com meu terapeuta antes de escrever o papel. [risos]”

Mesmo encarando as coisas agora com leveza, vestir os personagens eternizados por duas lendas como Leonard Nimoy e Nichelle Nichols não é uma tarefa nada fácil. Pelo menos no começo. “[A comparação com Leonard Nimoy] é inevitável. Agora eu nem penso nisso porque, ao conviver com o personagem, aprendi a focar na minha experiência no momento de cada cena. No começo eu definitivamente estava apavorado com a comparação, mas isso é algo que está além do meu controle. Tudo o que posso fazer é ser uma espécie de canal para o espírito do Spock que nasceu com Nimoy. Espero que minha própria versão seja um híbrido da interpretação dele com minha própria experiência de vida. O que eu torço é para que os fãs enxerguem a minha interpretação como algo distinto, mas com um imenso respeito e reverência pela versão de Nimoy”, conta Peck.

No caso de Gooding, ela chegou até a rejeitar certas informações de sua personagem para entrar no clima. “Minha lição de casa foi decidir quando era a hora de parar de procurar mais informação sobre a tenente Uhura. Porque minha versão dela é mais jovem. Tive de jogar muita informação pela janela e entender como ela se comportaria naquele momento da vida. É ótimo saber que esse personagem tem uma riqueza tão grande de informações que eu posso recorrer se eu ficar perdida, mas fico atenta em relação a como ela chegou a ser aquela Uhura amada por todos.”

Já sobre a história de Nichelle Nichols a abordagem seguiu no sentido totalmente contrário. Assim como o do próprio legado de Star Trek, uma série que sempre lidou com a diversidade com uma naturalidade completamente fora da curva para sua época.

“A história de Nichelle na comunidade Sci-Fi e na do entretenimento como um todo é incrível. Ela foi a primeira mulher negra a desempenhar um papel de destaque que não era de uma serviçal. Acho tão inovador o fato de que isso tenha acontecido no gênero da ficção científica. Star Trek vem fazendo isso [apresentando diversidade em seu elenco] há muitas décadas. E é muito bom continuar essa história fazendo parte dessa família”, concluiu a jovem atriz nova iorquina.

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Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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