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Heróis Shounen Jump

Reprodução/Shueisha

Glossário

Shounen, isekai, OVA? Entenda os principais termos do meio otaku

Pra quem não está tão por dentro da cultura pop japonesa, o mundo dos animes e mangás às vezes parece um grande mistério. Vem com a gente desvendar o vocabulário otaku

Igor Lunei

Igor Lunei

Acompanhar animes, mangás e tudo que cerca o universo pop japonês pode ser uma tarefa difícil para iniciantes. São muitos termos diferentes e bastante específicos desse nicho que podem confundir os mais desavisados. Pensando nisso, a Tangerina montou um glossário básico para você começar a se aventurar nos vários mundos possíveis do meio otaku sem se perder em meio a terminologias estrangeiras que não são lá muito intuitivas.

Anime

Termo originado da palavra japonesa de mesma pronúncia, usada para se referir a qualquer tipo de animação, seja feita dentro ou fora do Japão. Internacionalmente, o termo foi apropriado para se referir aos desenhos animados japoneses. 

O termo anime pode servir para produções seriadas, como My Hero Academia, em exibição desde 2016 e já com 113 episódios disponíveis na Funimation e na Crunchyroll, ou filmes em desenho animado japoneses, como A Viagem de Chihiro, do diretor Hayao Miyazaki, de 2001, presente no catálogo da Netflix.

BL

Sigla de Boys’ Love, gênero de história que apresenta romance ou a sugestão de um romance entre homens em animes, mangás, light novels, etc. Obras BL costumam ser direcionadas ao público feminino. No Brasil, o mangá BL Given, de Natsuki Kizu, atualmente com seis edições, tem publicação pela editora NewPOP.

Imagem de Jujutsu Kaisen

Jujutsu Kaisen teve temporada inicial dividida em duas partes. Cada uma delas é chamada de cour

Divulgação/Crunchyroll

Cour

Cour é o conjunto de episódios em um anime que vai ao ar em determinada temporada. Por exemplo: Jujutsu Kaisen, com 25 episódios, tem dois cours. O primeiro passou na temporada de outono de 2020, e o segundo foi ao ar na temporada de inverno de 2021.

Demografia

É o público-alvo das obras do universo editorial japonês. As categorias se dividem em:

  • Kodomo, para crianças bem novas
  • Shounen, para garotos até a adolescência
  • Shoujo, para garotas até a adolescência
  • Seinen, para homens maiores de idade
  • Josei, para mulheres maiores de idade

As demografias existem porque as revistas que publicam mangás eram, no começo, derivadas de revistas literárias para esses diferentes públicos. Hoje, as divisões são mais difusas. Mangás para diferentes segmentos demográficos podem retratar as mais variadas histórias e passar por diferentes gêneros. O que difere são as limitações de conteúdo explícito de acordo com a classificação indicativa.

Donghua 

São animações que utilizam a mesma estética de animes feitos na China, ou que adaptam os manhua: histórias em quadrinhos que replicam a estética de mangás feitos em território chinês. Um exemplo recente é Spiritpact, série animada com 22 episódios exibidos entre 2017 e 2018. Essa produção adapta o manhua de mesmo nome, feita pelo estúdio Haoliners Animation League, atualmente disponível com legendas em português na Crunchyroll.

Ecchi 

Em japonês, a palavra ecchi, dentre outros significados, é usada para se referir a coito. Portanto, ela é apropriada para outros contextos eróticos. No universo de animes, mangás etc., descreve uma estética em que personagens, principalmente mulheres, são retratadas de modo sensual. 

Geralmente, o ecchi se traduz em ângulos de câmera reveladores, nos quais a roupa íntima aparece, com partes mais voluptuosas do corpo exageradas, e com segmentos visuais de duplo sentido. Contudo, o ecchi é apenas essa provocação, e não costuma mostrar o suficiente para ser qualificado como pornográfico. 

High School of the Dead, disponível no Amazon Prime Video, na Netflix e na Pluto TV, utiliza ecchi no jeito como algumas personagens são desenhadas e enquadradas.

Saga de Asgard de Cavaleiros do Zodíaco

Saga de Asgard, de Cavaleiros do Zodíaco, é exemplo de filler: capítulos de um anime que não existem na história original do mangá

Divulgação/Toei Animation

Filler

Filler são cenas, episódios e até mesmo arcos inéditos em animes que são adaptações de mangás ou light novels. Portanto, são histórias que não existem no material original. Os fillers costumam ser feitos para esticar a duração de um anime e evitar que ele alcance muito rapidamente a obra original enquanto ela ainda está em publicação.

Um caso famoso de filler é a saga de Asgard, do anime Cavaleiros do Zodíaco, disponível dublado em português na Crunchyroll. Querido pelos fãs, ele é totalmente inédito dentro da história e serve como um prelúdio para o arco de Poseidon —esse sim, presente na história original do mangá.

Gekigá

Termo utilizado por alguns quadrinistas japoneses para abarcar suas obras de maior seriedade, destinadas ao público adulto. Ele aponta o mangá como uma denominação pejorativa. 

Entre as décadas de 1960 e 1980, gekigás eram opções alternativas de quadrinhos japoneses durante a popularização dos mangás para o público infanto-juvenil. São publicações que podem ir para lados mais realistas e transgressores no que diz respeito ao enredo, texto e traço. 

Hiroshi Hirata é um exemplo de autor de gekigás. Dois de seus gibis, O Preço da Desonra e Satsuma Gishiden, saíram no Brasil pela editora Pipoca e Nanquim.

Harém

É como se chamam obras nas quais o protagonista possui vários possíveis interesses amorosos. O termo descreve situações em que um rapaz é cercado por várias garotas. Por exemplo, o assustador anime School Days (2007) está nessa definição.

Quando ocorre o contrário, no qual uma menina atrai o interesse de vários caras, é mais comum qualificarem como harém invertido. É o caso do bonitinho Ouran High School Host Club, anime de 2006.

Hentai 

Obras pornográficas, ou seja, que mostram nudismo e cenas de sexo. O termo vem da palavra japonesa hentaiseiyoku, que significa perversão sexual.

Anime sobre pessoas presas em mundo de fantasia, Sword Art Online é um exemplo de isekai

Divulgação/Studio-A1

Isekai 

Palavra japonesa para outro mundo. São histórias nas quais personagens vão de um universo a outro, por algum motivo narrativo, e vivem grandes aventuras por lá. Esse universo geralmente é fantasioso e inspirado em algo considerado fictício pelos personagens, como um jogo de videogame, livro ou quadrinho.

Também é comum que esse mundo de fantasia tenha regras específicas e habilidades sobrenaturais. Por isso, é comum que os personagens sejam mais habilidosos ou melhores do que a média da população do local, pois chegam ao local com algum tipo de conhecimento ou vantagem anterior. 

Uma das grandes obras que popularizou esse subgênero nos últimos tempos foi o primeiro anime de Sword Art Online (2012), com 25 episódios disponíveis na Netflix, na Crunchyroll e na Funimation.

Josei 

Também chamadas de Ladies’ comics (quadrinhos para mulheres). São publicações que têm como público alvo mulheres adultas. Não há um tipo de história específico em demografias, mas é comum que mangás josei explorem o cotidiano feminino e temáticas mais sóbrias, como relacionamentos sem tantas idealizações e problemas da vida adulta. Um exemplo é Paradise Kiss, mangá feito por Ai Yazawa, com cinco volumes, publicado no Brasil pela editora Panini.

Kodomo 

É uma linha editorial com publicações voltadas para o público infantil, geralmente abaixo dos sete anos. Essas não são revistas de mangá propriamente ditas. Primeiramente, elas têm outros propósitos, como publicar passatempos, curiosidades, desenhos e jogos. Eventualmente, podem trazer quadrinhos em suas páginas.

Light novel 

Tipo de livro que mistura texto e ilustrações no estilo mangá. Re:Zero, escrita por Tappei Nagatsuki e ilustrada por Shinichirou Otsuka, é um exemplo de light novel em publicação no Brasil pela editora NewPOP.

Lolicon 

É quando retratam crianças de maneira sexualizada em uma obra.

Imagem de Sailor Moon

Sailor Moon é um dos maiores expoentes do gênero mahou shoujo

Divulgação/Toei Animation

Mahou shoujo 

Um subgênero de obras shoujo com garotas mágicas, ou heroínas com poderes mágicos. As histórias costumam seguir padrões, como transformações por meio de danças coloridas, vilões temáticos caricatos e um companheiro animal ligado ao universo fabuloso. 

Um dos maiores exemplos de mahou shoujo é o mangá Sailor Moon, da autora Naoko Takeuchi, publicado em 12 edições no Brasil pela editora JBC.

Mangá 

Termo originado da palavra japonesa de mesma pronúncia, usada por lá para se referir a qualquer tipo de história em quadrinhos, feita dentro ou fora do Japão. 

Internacionalmente, o termo foi apropriado para se referir aos quadrinhos feitos no Japão. Costumam ser apresentados em preto e branco, e com a leitura feita da direita para a esquerda.

Mangaká 

Quadrinista que escreve e/ou ilustra mangás. Por exemplo, o mangá de Dragon Ball foi feito pelo mangaká Akira Toriyama.

Manhua 

Quadrinhos com estética semelhante a de mangás produzidos em Taiwan ou na China, além de regiões administrativas chinesas como Hong Kong e Macau. Podem ser feitos com a leitura da direita para a esquerda, igual nos mangás, ou da esquerda para a direita. As histórias costumam obedecer determinadas limitações devido à censura imposta pelo governo chinês.

Manhwa 

São os quadrinhos feitos na Coreia do Sul. Esteticamente, também são semelhantes aos mangás. Porém, possuem a leitura da esquerda para a direita, como em gibis feitos nos Estados Unidos, no Brasil e em demais países ocidentais. 

A Crunchyroll distribuiu em 2020 através de seu selo Originals animes que adaptam manhwas. Dois exemplos famosos são Tower of God (2010) e The God of High School (2011), ambos publicados online na plataforma Naver Webtoon.

Imagem promocional de Neon Genesis Evangelion

Evangelion é um anime com robôs gigantes, classificado como mecha

Divulgação/Netflix

Mecha 

Histórias nas quais os personagens controlam robôs ou são eles próprios máquinas. O termo costuma ser mais empregado ao se referir a animes e mangás que tenham batalhas com robôs gigantes. 

Dois dos animes mecha mais lembrados são Neon Genesis Evangelion, cujo anime da década de 1990 está completo na Netflix e os filmes que reiniciam a história estão no Amazon Prime Video, e as animações da franquia Gundam, algumas delas presentes no catálogo da Crunchyroll.

Otaku 

É o apelido para fãs da cultura pop japonesa, assim como os aficionados por jogos eletrônicos são chamados de gamers e os fãs de Star Trek se intitulam trekkers.

Porém, no Japão o termo pode ser pejorativo. Ele é usado para descrever pessoas com interesses nerds, como videogame, quadrinhos, animes etc. Entretanto, quando o termo otaku é dito por alguém de fora desse universo social, a conotação pode ser considerada como uma obsessão ruim.

OVA 

Acrônimo para Original Video Animation. Dentro do mercado japonês, alguns animes não passam na televisão e saem diretamente para consumo doméstico. A prática começou com o VHS e continuou após a chegada do DVD e do Blu-ray.

Esses animes vêm nesse formato por diferentes razões. Por exemplo, podem ser a adaptação de uma obra curta demais para render episódios de um cour ou uma temporada completa.

OVAs também podem ser lançados como material extra para fãs de determinada obra de sucesso. Ou mesmo podem servir de teste para saber se tal história pode ser lucrativa em animação antes da aprovação de uma temporada mais longa.

Não há um limite exato de episódios e nem de duração para um OVA. E como a produção não precisa se limitar aos prazos mais apertados de séries para TV, que costumam exigir uma demanda maior de episódios em um tempo menor de investimento, é possível se dedicar mais aos aspectos técnicos das animações.

Imagem de Tokyo Ghoul

Tokyo Ghoul é mangá seinen que foi adaptado como animação

Divulgação/Studio Pierrot

Seinen 

Também chamadas de dansei, são publicações que têm como público-alvo homens adultos. Embora as histórias sejam direcionadas para maiores de idade, elas não precisam conter cenas gráficas de violência ou sexo. Não existe um padrão de tema. Passeiam por ação, suspense, comédia, romance, ficção científica etc. 

Isso é perceptível pela variedade de obras seinen publicadas por diferentes editoras no Brasil. O Homem Sem Talento, gekigá de Yoshiharu Tsuge, publicado pela Veneta, narra a história de um quadrinista sem sucesso que vende pedras. 

As Crônicas da Era do Gelo, de Jiro Taniguchi e publicado no Brasil pela Pipoca e Nanquim, é uma ficção científica futurista sobre a natureza se revoltando contra a humanidade. Tokyo Ghoul, de Sui Ishida, que sai pela Panini, mistura terror e ação ao retratar criaturas que consomem carne humana e possuem super poderes. Já K-On!, feito por Kakifly e publicado pela NewPOP, mostra um clube escolar de música.

Seiyuu 

É um ator de voz em animes e jogos. Ele faz a voz original do personagem. Isso é diferente de dublagem, já que dublar é adaptar ao idioma um material já existente. 

Por exemplo: em Naruto, a cantora Nana Mizuki é a seiyuu da personagem Hinata Hyuuga. No Brasil, a ninja é dublada por Flávia Narciso.

Shoujo 

São mangás e animes direcionados para meninas entre sete e 18 anos, em japonês, as shoujo. Há diferentes tipos de histórias que apostam em gêneros como ação, suspense, comédia, terror, entre outros. 

Obras shoujo trazem tanto protagonistas femininas quanto masculinos nessas aventuras. A Princesa e o Cavaleiro, de Osamu Tezuka, e CardCaptor Sakura, do coletivo CLAMP, são exemplos de mangás shoujo. Ambas publicados no Brasil pela editora JBC.

Shounen Jump 50 anos

Imagem comemorativa de 50 anos da Shounen Jump: revista publicou séries shounen de sucesso como Dragon Ball, Naruto e One Piece

Reprodução/Shueisha

Shounen

No Japão, os shounen são os meninos jovens, também mais ou menos entre sete e 18 anos. E são eles esse público-alvo. Essa é a demografia mais popular no mercado de mangás e animes nipônico. 

Em 2021, a revista mais famosa do gênero, Weekly Shounen Jump, da editora Shueisha, teve uma tiragem média de 1,4 milhões de exemplares. Dentre exemplos de mangás shounen estão Naruto, publicado no Brasil pela Panini, My Hero Academia, pela JBC, GTO, pela NewPOP, e muitos outros.

Temporada 

Animes no Japão, em geral, saem em espaços de tempo divididos de acordo com as estações do ano. Esses períodos de exibição são denominados temporadas —que, vale lembrar, são invertidas em relação às estações do ano no Brasil. As temporadas de anime no Japão são:

  • Inverno: de janeiro a março.
  • Primavera: de abril a junho.
  • Verão: de julho a setembro.
  • Outono: de outubro a dezembro.

Tokusatsu 

Palavra originada da contração da expressão tokushu kouka satsuei. Em português, filmes de efeitos especiais. Esse é um termo guarda-chuva para classificar filmes e seriados japoneses feitos em live-action que utilizam técnicas de efeitos visuais e especiais. 

As temáticas costumam ser de fantasia e ficção científica, e podem apresentar monstros e heróis que ficam gigantes, heróis de armadura que se transformam sozinhos ou em equipes, robôs, veículos e demais materiais que possam render linhas de brinquedos e demais produtos infantis. 

Cena de Kamen Rider Black RX

Kamen Rider Black RX é um dos tokusatsu que fez sucesso no Brasil

Divulgação/Toei

O tokusatsu habitam a televisão brasileira desde os anos 1960, com National Kid, e atingiram o auge entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, com séries como Esquadrão Relâmpago Changeman, Jaspion, Jiraiya: O Incrível Ninja e Kamen Rider Black.

O catálogo do Amazon Prime Video contém alguns exemplos de tokusatsus, como as séries Kamen Rider Black RX (1988), Kamen Rider ZI-O ( 2019), Ultraman Orb (2019) e o filme Garo: Red Requiem (2010).

Yaoi 

Termo que costuma ser utilizado por fãs de fora do Japão para se referir a obras BL, as Boys’ Love. Como dito, é um gênero de história que apresenta romance ou a sugestão de um romance entre homens em animes, mangás, light novels, entre outros.

Yuri 

Termo guarda-chuva para histórias com romance ou sugestão de romance entre duas mulheres, ou que tenham um foco em personagens lésbicas, mesmo que não exista um romance.

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QUEM FEZ
Igor Lunei

Igor Lunei

Igor Lunei é jornalista e escreve na Tangerina sobre cultura pop asiática, tema que também pesquisa. Do Rio de Janeiro, é fã de cinema, música, gibis e animes. Tem textos também no JBox.

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