Lançamentos da semana: Megan e Dua Lipa, Martinho e mais - Tangerina

FRESQUINHAS!

Dua Lipa e Megan Thee Stallion em foto do single Sweetest Pie

Divulgação

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De Megan com Dua Lipa a Martinho da Vila: Os lançamentos da semana

A coluna Fresquinhas! resume o que saiu de melhor (ou quase isso) nesta semana, que ainda teve Terno Rei, Florence + The Machine, Alanis Morissette e muito mais

Dora Guerra
Dora Guerra

Bom dia, boa tarde, boa noite para você que acordou com vontade de ouvir música nova, lançamentos musicais. 

Essa semana teve 5 dias úteis inteiros (um suplício!) e a maior parte de nós passou esses dias esperando por algo —um final de semana, um festival mais pra frente, um anúncio de que a humanidade foi interditada, uma invasão alienígena. Algo.

Enquanto nada disso acontecia (e você tentava descobrir se sairia de máscara ou não, já que virou mais questão de estilo pessoal), saiu até bastante música —mais especificamente, de Megan Thee Stallion (foto acima, com Dua Lipa) a Martinho da Vila, o que é um espectro bem amplo da música mundial. Aliás, com o novo disco de Martinho, a Adele já pode respirar aliviada com “inspiração” de sobra pro próximo álbum.

A seguir, uma rápida coletânea do que há de bom (e algumas coisas mais ou menos) nos lançamentos de hoje:

Fresquíssimas da semana

Megan Thee Stallion, Dua Lipa – Sweetest Pie
A torta? Era de chiclete

Em um lançamento feito especialmente para quem vai no dia 11 de setembro no Rock in Rio, Megan e Dua entregam exatamente o que se esperaria: Sweetest Pie é um pop bem pop, levemente genérico, que segue a formulinha básica de refrão cantado, alternado com versos da rapper. 

É agradável, chicletinha (a voz da Dua Lipa vai te perseguir pelo resto do dia), mas não tem muito mais o que dizer. Às vezes, o pop realmente não pretende ser muito profundo… e tá tudo bem.

Florence + The Machine – My Love
Pra dançar: você e todos os seus demônios

Nesta semana, Florence lançou duas músicas: Heaven is Here e My Love. A primeira é uma música torta e não segue uma estrutura padrão (parece mais um interlúdio ou algo do tipo), ancorada em fortes vocais. É bonita, mas soa como uma ponte a algum outro lugar musical.

Talvez esse lugar seja My Love. Aqui, a artista recupera elementos principalmente do seu segundo álbum, Ceremonials (o que tem Say My Name, entre outras coisas). De forma muito coordenada ao título do futuro álbum, Dance Fever, Florence oferece uma música dançante à sua forma: levemente sombria, extremamente teatral. Finalmente, no terceiro single, sinto que nos aproximamos do que será o trabalho completo. Já separou seu vestido de brechó?

Terno Rei – Gêmeos
Pra se sentir adolescente, sensível e cheio de emoções

Terno Rei tem um jeitinho especial de fazer você se sentir um adolescente —pelo menos do tipo que eu era, que adorava ouvir músicas baixa-energia enquanto sentia que todos os meus problemas eram maiores que os seus. No álbum Gêmeos, a banda tem a sonoridade suave de sempre, mas dá uma passeada maior: dos synths às cordas, existe uma Terno Rei pra vários tipos de gente dentro desse álbum. 

É um disco bem bonito, que casa bem com o ouvido e tem influências diversas; a própria Aviões, que não curti tanto à primeira ouvida, entra lindamente com o conjunto. Destaque pra Isabella, faixa elegante e cuidadosa.

Martinho da Vila – Mistura Homogênea
Martinho está vivíssimo e sambando

Lá vem ele: no alto dos seus 84 anos, o dono da voz mais charmosa do Brasil. Quando Martinho canta, é impossível conter o sorriso. Segundo o artista, Mistura Homogênea seria o álbum feito para encerrar sua discografia; e dá pra sentir que, nele, Martinho tem um olho no passado, outro no futuro e os dois pés no presente. 

Afinal, no disco, o cantor-compositor homenageia de tudo um pouco: suas próprias canções, suas filhas, as vidas negras e alguns colegas pra carregar seu legado, de Teresa Cristina a Djonga. Tem algo de muito forte em um artista dessa magnitude, nessa idade, reafirmar estar vivo depois do que passamos; desse jeito delicioso, então… vale ouvir.

Alanis Morissette – Olive Branch
Alguém por favor perdoe a Alanis

Bom, taí alguém que está realmente triste e arrependida: em Olive Branch, Alanis estende um ramo de olivas pra oferecer paz a alguém que ela aparentemente machucou um bocado. E dá pra ouvir que a gatinha tá sofrendo: com aquela voz anasalada expressiva, a música não deixa de ser arrepiante —como já diria a Pitchfork, “uma balada de piano feita por Alanis ainda é uma música feita por Alanis, e não vai soar como o resto”. Tá aí. 

Minha única questão com Olive Branch é que eu pessoalmente não machuquei ninguém nos últimos dias, nem tenho pedidos de desculpas a fazer; a música é bonita, mas não é algo que vou ouvir de novo, sofrendo pelo arrependimento dela. Da próxima vez que eu fizer merda, quem sabe.

Rex Orange County – WHO CARES?
Bedroom pop gostosinho, mas falta pimenta

No novo álbum de Rex Orange County, o artista continua como sempre: meio deprê, meio otimista, em um bedroom pop (com toques de hip-hop e jazz) que não tem nada de inesperado. Pra quem já curte o artista, não tem muito o que reclamar —as músicas com influência oitentona, a vozinha anasalada, as letras meio “putz, a vida, né?” estão lá. Tem a ótima participação de Tyler, The Creator, que sempre faz bem pros ouvidos. Mas, sinceramente? Falta um temperinho, um je ne sais quoi. 

Raí Saia Rodada, Marcynho Sensação – Eu Só Vou Voltar
Uma versão piseiro do famoso “Eu não vou embora”

Eu não sou lá a melhor curadora de lançamentos de piseiro, mas sei reconhecer uma boa letra quando a ouço: “Eu só vou voltar quando a bebida do Stanley esquentar, quando as balada do mundo acabar, quando as novinha parar de sentar” definitivamente se enquadra nessa categoria. Tem música que é feita pra ser cantada meio gritando, fim de festa, você meio bêbado mas sem a menor intenção de ir pra casa. Cá está uma delas.

Outras em uma frase

The Chainsmokers – iPad: 
definitivamente, todas as músicas deles são uma versão pior de Closer.

MC WM e MC Lan – Mágico do Som: 
lançamento traz dois dos melhores timbres do Brasil juntos em uma linda canção sobre magia.

Oliver Sim – Romance With a Memory:
a primeira faixa solo do Oliver do The XX é meio estranha (eu adorei).

Madonna, Sickick – Frozen (Fireboy DML Remix):
uma boa lembrança de que Frozen é uma música das brabas.

DENNIS, Luan Santana – Eu Vou (Ao Vivo): 
putz…

E essa foi mais uma Fresquinhas!, com exclamação e tudo o mais —o que eu espero que dê uma entonação diferente da coluna na sua cabeça. Não é um grito, mas uma forma animada de te guiar pelos lançamentos da semana. Afinal, sexta-feira cria um ânimo diferente, um sorriso no rosto, às vezes até um áudio engraçadinho no grupo da família.

No mais, não se esqueça: se o número começar com 0303, é telemarketing.

Quer ficar por dentro de todas as músicas novas do momento? Fica de olho na Tangerina que todas as semanas entregamos novidades fresquinhas pra você.

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QUEM FEZ
Dora Guerra

Dora Guerra

Dora Guerra é pesquisadora musical e pensa mais sobre o tema do que deveria. Na Tangerina, publica a coluna Fresquinhas!, sobre lançamentos musicais. Suas posses incluem: a newsletter Semibreve, o podcast Queijo Quente, uma vira-lata caramelo, alguns vinis e uma vitrola estragada.

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