FRESQUINHAS!

Capa do novo disco de Rosalía

Divulgação

Fresquinhas!

De Rosalía a Avril Lavigne, o que você deve (ou não) ouvir esta semana

Na estreia da coluna Fresquinhas!, preparamos um apanhado do que saiu enquanto você curtia o feriado. Vai de Tears For Fears a Poesia Acústica

Dora Guerra

Dora Guerra

Fevereiro terminou com um Carnaval mais pra lá do que pra cá e notícias mundiais muito bizarras. É até estranho falar de música, mas isso não impediu muita gente de soltar seus lançamentos musicais. Rosalía (foto acima) segue empinando sua moto, Avril Lavigne continua viva (o Tears for Fears também!) e a Poesia Acústica conseguiu juntar Filipe Ret e Marina Sena em uma mesma música. Viver nesta década vem sendo uma aventura —e olha que ela acabou de começar.

Considerando todos esses lançamentos, venho por meio desta com uma missão gigantesca: a de te ajudar a navegar nessa imensidão de sugestões do seu streaming. É fácil se perder no amontoado —eu sei que todo artista faz parecer que sua música é imperdível (autoestima é um bem precioso!), mas se tudo é imperdível, nada é. 

Sabe do que você precisa? De uma seleção apuradíssima de tudo que seus ouvidos merecem ouvir. Sexta é o dia com mais lançamentos musicais, fora os que saíram ao longo da semana e não deu tempo de sacar. Por isso, seja lá qual for o seu streaming de preferência, vou tentar te salvar desse caos. 

Joga pra mamacita aqui, que eu vou te contar o que vale seu play, o que eu não recomendaria e o que você vai ouvir de qualquer maneira, mas fica registrada a minha opinião.

Combinado? Vem:

As mais frexxxquinhas

Rosalía – CHICKEN TERIYAKI
É ruim? Não. Mas o do Subway é melhor

Rosalía lançou CHICKEN TERIYAKI, terceiro single do futuro álbum MOTOMAMI, depois de La Fama e SAOKO. A música, que é meio um reggaeton com bailarinas dançando ao lado de La Rosalía ruiva, não é ruim (eu custo a desgostar de algo que tenha aquela voz deliciosa da cantora), mas não é das melhores; eu encararia melhor como um single solto que parte do álbum. 

Isso vindo de uma grande fã de SAOKO e da sonoridade torta mas atraente da música —que brinca até com jazz no meio. Eu gosto da Rosalía quando ela sai totalmente do esperado, trazendo um pop cheio de arestas. E aí, na escala de frangos teriyaki, acho que eu pediria um do Subway antes de consumir esse daí. Na faixa, a artista insiste na repetição (como em SAOKO, como em TKN, como em várias outras mais “urban” dela), mas não sai da caixinha; em 5 segundos, você já sacou qual é a da faixa, basicamente. Se o single anterior subiu minhas expectativas, essa abaixou um pouco; no disco, eu preferia algo mais A Palé. 

Mas, se você tocar CHICKEN TERIYAKI no rolê, vai matá-lo? Não vai. Então ainda vale.

Avril Lavigne – Love Sux
Bem-vindo a 2007, mais uma vez

Imagine você, um viajante no tempo, chegando em 2022 e se deparando com o novo da Avril Lavigne. Batizado de Love Sux, o álbum simplesmente não tem nenhum sinal de atual (exceto a cultura nostálgica extrema, que é um traço contemporâneo agudíssimo). Sinceramente, entre isso e o novo do The Weeknd, você ia precisar sair na rua e ver as máscaras pra entender que estamos nos anos 2020. 

O disco da Avril Lavigne é extremamente transparente quanto ao seu conteúdo. Love Sux é um mergulho no pop-punk que veio reaparecendo com nomes feito WILLOW, Machine Gun Kelly e o retorno de Travis Barker (os dois últimos, inclusive, estão no álbum de Avril). Não é uma audição densa ou surpreendente —pessoalmente, eu acho até uma interpretação um pouco caricata daquela sonoridade que fez tanto sucesso no fim da década de 2000—, mas se você curte um lápis de olho, não tem erro. 

Tears For Fears – The Tipping Point
Um disco delicado pra quem sofre com as tensões da vida

Mais uma novidade pra balançar a sua noção de tempo: o ano é 2022 e o Tears For Fears lançou um novo álbum, chamado The Tipping Point. O tipping point é esse mesmo que vivemos: o delicado disco foi inspirado em parte pelo caos atual, em parte pelas dores pessoais dos artistas. Incluindo aí o luto de Roland Orzabal, que perdeu a esposa em 2017. Ou seja: tem melancolia, tem um clima sombrio, tem temas densos; mas não só.

O resultado, há muito cozinhando na mente dos artistas, é uma mescla de folk, art-rock, synthpop e tudo que há no meio. É o melhor que um grupo ausente há tanto tempo poderia oferecer: tem toques new wave do Tears For Fears de sempre, mas um novo olhar para o futuro. É belo, reflexivo, assume a idade da banda sem se contentar com o clássico. 

(Combina melhor com os dias de chuva, tá?). 

Florence + The Machine – King
Não se mexe em time que tá ganhando… nunca?

Eu já fui bastante apaixonada pelo trabalho da Florence: taí uma artista que definiu sua estética, sempre mergulhou em conceito e faz o etéreo soar natural. Sua nova faixa, King, é uma reflexão interessante sobre ser mulher, ser mãe, ser noiva —ou nenhum deles: ser rei. Apesar da letra forte, a sonoridade é a de sempre: tem lá a bateria marcada, o coro com os pés no surreal, as melodias similares na voz maravilhosa de Florence. O resultado não é novo, não é ruim, nem é excelente.

Vale ressaltar que King é produzida pelo maior sequestrador de artistas femininas do último século: Jack Antonoff. O antes-queridinho, agora-desprezado pela crítica, precisa urgentemente de um descanso antes que ele dê uma uniformizada em toda a música feita por mulheres no pop/art pop/indie mundial. Dorme, Jack. Eu assumo daqui.

Tyga, Doja Cat – Freaky Deaky
De ouvir enquanto se maquia, dançando de forma discreta

Teve também Freaky Deaky (nome delicioso de se falar em voz alta, experimente!), nova do Tyga com a Doja. Fora o fato de que Doja Cat é outra que não descansa nunca, a faixa tem sabor de chiclete quase enjoativo, mas é divertidinha. Vai tocar na playlist Pop Up enquanto você estiver se arrumando e você não vai pausar —vai até cantarolar um frikidiki

Poesia Acústica #12 – Pra Sempre 
A música mais eclética do mundo: trap com samba, sacanagem e romance

Tenho a impressão que aconteceu com o Poesia Acústica algo como o que aconteceu com o Tiny Desk Concert. O que era antes uma plataforma que promovia novos ótimos artistas acabou por ser também muito atraente para artistas consolidados. Afinal, o negócio é um fenômeno, que em sua décima segunda edição traz Filipe Ret, Caio Luccas, Bin, Budah, Borges, Marina Sena, Teto e Luiz Lins.

Ao longo dos seus 8 minutos, a música tem um ótimo flerte com o sambinha, o que suaviza a participação de Marina (uma artista teoricamente fora do meio ali). Eu adoro a parte dela —dá uma boa quebrada, na medida em que ela se aventura a soltar seus próprios versos—, e acho deliciosa a voz da Budah. Mas o destaque fica, sem dúvidas, para Luiz Lins, que encerra a canção com toda a malemolência do mundo. “É com você que quero passar meu domingo, ver tua família…”. Coisa para românticos.

Escalação do Poesia Acústica 12 com Caio Luccas, Budah, Filipe Ret, Teto, Borges, BIN, Luiz Lins e Marina Sena

Poesia Acústica 12 tem Filipe Ret e Marina Sena

Assista ao vídeo de Pra Sempre

MC Dricka – Quem Tu Gosta Que Bota Em Mim 
Infalível para a autoestima de uma gostosa

Qualquer música que abre com o verso “eu não tenho culpa de ser gostosa assim” já me converte de primeira. Naquele bom humor e suavidade que só a MC Dricka tem (meio blasé, fazer o quê), a “rainha dos fluxos” lança mais essa, um funk até tranquilo, lá pros 130 BPM. Pra sextar com cervejinha na mão, sabendo que o ruim de ser bonita é ser odiada pra caralh

Zé Vaqueiro – Adivinha Aí
Daquelas bem cara de pau, que você canta sorrindo

Quem é de Zé Vaqueiro (o original!) não precisa de muito para se divertir. Basta o cara entrar na música, com todo aquele carisma clássico e carinha de bom moço, que você dá uma chance pra faixa. Dessa vez, ao contrário de músicas famosas em que ele sofre com as mazelas do amor, ele é quem está tirando onda. E tem motivo pra isso: ela bloqueou ele em tudo, fala mal dele por onde passa, mas adivinha aí onde ela dormiu ontem.

Outras em uma frase

Ivete Sangalo – Embaraça no Beijo: 
se não quiser gatilho fortíssimo de axé carnavalesco, não ouça. 

Coldplay – Day ‘N’ Nite (Spotify Singles): 
alguém sabe me explicar, de forma concisa, o que o Coldplay anda fazendo? 

Thiaguinho MT, JS O Mão de Ouro – Reage Mulher: 
taí o risco que se corre quando você faz uma música baseada em um meme (esse aí, especificamente, esgotou em uma semana). 

Toro y Moi – The Loop: 
sim.
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E por hoje é só. Pode não parecer, mas ouvir músicas e escrever algumas linhas sobre elas dá um trampo… ter opiniões é bastante trabalhoso, na verdade. Não é à toa que existe tanto isentão por aí.

Mas disso a gente fala outro dia. Um beijo e boa semana, amor. Vai que a gente se esbarra num bar por aí?

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Dora Guerra

Dora Guerra

Dora Guerra é pesquisadora musical e pensa mais sobre o tema do que deveria. Na Tangerina, publica a coluna Fresquinhas!, sobre lançamentos musicais. Suas posses incluem: a newsletter Semibreve, o podcast Queijo Quente, uma vira-lata caramelo, alguns vinis e uma vitrola estragada.

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