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Jimmy Kimmel em seu talk show

Reprodução/ABC

JIMMY KIMMEL

Apresentador chora por massacre, cobra políticos e tem fala cortada

O apresentador Jimmy Kimmel caiu no choro ao falar sobre o massacre em Uvalde, no Texas, e ficou revoltado ao saber que desabafo foi cortado

Luciano Guaraldo

Jimmy Kimmel, dono de um dos talk shows mais assistidos da TV norte-americana, caiu no choro ao falar sobre o massacre em uma escola primária de Uvalde, no Texas, que deixou 21 mortos –inclusive 19 crianças. No discurso de abertura do seu programa de quarta-feira (25), ele cobrou políticos para tomarem medidas mais drásticas. O desabafo, porém, foi cortado da exibição no Texas.

A edição de ontem do Jimmy Kimmel Live!, que ele comanda na rede ABC desde 2003, começou com o apresentador falando diretamente à câmera, sem sua tradicional plateia, e em tom surpreendentemente sério –normalmente, o monólogo inicial tem uma pegada bem-humorada.

“Mais uma vez estamos de luto por meninos e meninas pequenos, cujas vidas foram tiradas e cujas famílias foram destruídas”, começou ele, tentando segurar as lágrimas. “Enquanto isso, nossos líderes da direita, os norte-americanos no Congresso, na Fox News e em outras TVs dizem que não podemos tornar isso algo político.”

“Eles criticam nosso presidente imediatamente por ousar falar sobre fazer algo para acabar com isso. Eles não querem falar sobre isso porque eles sabem tudo o que eles fizeram e tudo o que eles não fizeram. E eles sabem que é algo indefensável, então preferem varrer tudo para debaixo do tapete”, continuou Jimmy Kimmel.

“Nossos líderes covardes simplesmente não estão nos escutando. Eles estão escutando a NRA [Associação dos Rifles Nacionais, entidade que faz lobby político milionário para manter os norte-americanos armados], estão escutando as pessoas que assinam os cheques para mantê-los no poder. Porque é assim que a política funciona”, desabafou.

Em seguida, Kimmel pediu aos senadores Ted Cruz e John Cornyn e ao governador Greg Abbott, todos representantes do Texas e filiados ao Partido Republicano, que admitam que suas políticas armamentistas não estão funcionando e que elas precisam mudar com urgência.

O desabafo, porém, não foi transmitido para as afiliadas da rede ABC no Estado onde o massacre ocorreu. Jimmy Kimmel, então, foi às redes sociais reclamar e compartilhar sua fala com os seguidores. Ele não falou em censura, mas insinuou que o corte poderia ter motivações escusas.

“Aos meus amigos em Dallas que estão me perguntando: eu não sei se a afiliada WFAA cortou o meu monólogo de hoje intencionalmente ou inadvertidamente, mas vou descobrir. Enquanto isso, aqui está o que vocês não puderam ver”, escreveu ele, em um tuíte acompanhado do video.

Cerca de uma hora depois, Peter Freedman, diretor de conteúdo digital da afiliada, explicou o motivo do corte: “Mais cedo, havíamos tomado a decisão de prorrogar nosso jornal das 22h com a cobertura de Uvalde, não teve nada a ver com seu monólogo. Estamos no mesmo time”. Marc Istook, âncora matinal do noticiário da WFAA, avisou que o discurso seria exibido na íntegra no programa dele.

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Luciano Guaraldo

Editor-chefe da Tangerina. Antes, foi editor do Notícias da TV, onde atuou durante cinco anos. Também passou por Diário de São Paulo e Rede BOM DIA de jornais.

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