MÚSICA

Olivia Rodrigo, eleita a mulher do ano pela Billboard em 2022, posa em post promocional de Sour

Divulgação/Interescope

Grammy 2022

As fofocas de Sour, disco de Olivia Rodrigo

O álbum de estreia da jovem cantora coleciona indicações ao Grammy, mas é cercado de polêmicas

Nicolle Cabral

Nicolle Cabral

A estreia de Olivia Rodrigo na indústria fonográfica já contava com a expectativa de conquistar o público ligados nas produções teen da Disney. A artista, que brilha como Nina Salazar-Roberts em High School Musical: A Série: O Musical, do Disney+, segue a mesma fórmula de sucesso de Demi Lovato, Miley Cyrus e Selena Gomez. Eleitas como “as queridinhas da Disney” em algum momento da juventude, elas se aventuraram na música pop. E se deram bem.

No entanto, ninguém poderia prever que o coro voraz do refrão de drivers license quebraria o recorde do Spotify com o maior número de streams em uma só música no período de sete dias. O single confessional, que aborda o término com Joshua Bassett, conquistou a marca de 65 milhões de plays na semana de lançamento e coleciona mais de 1,5 milhão de vídeos produzidos no TikTok —plataforma na qual um trecho da faixa viralizou, antes dela ser lançada oficialmente.

Quando Sour chegou às plataformas digitais, em maio de 2021, as faixas good 4 u (2.º), deja vu (3.º) e traitor (4.º) entraram no top 10 da parada norte-americana, enquanto as outras oito canções do disco estrearam no top 30 da Billboard Hot 100. Na Apple Music dos Estados Unidos, as 11 faixas do registro ocuparam as primeiras posições —dividindo a soberania apenas com Butter, do BTS.

Ao estourar a bolha geracional, Rodrigo, então com 17 anos, desbancou pódios de artistas consagrados na música pop como Justin Bieber e Ariana Grande. Assim como Billie Eilish, ela foi indicada com o disco de estreia às quatro principais categorias do Grammy Awards. Na 64ª edição da cerimônia, 3 de abril, ela vai disputar com oito indicações.

Mas o que está por trás desse lançamento estrondoso, que coleciona números notáveis em todas as plataformas de streaming e conta com o prestígio das premiações?

As letras e batidas cativantes, a estética voltada para a Geração Z —que abusa de influências do pop punk— e a produção de Daniel Nigro são, com certeza, alguns dos temperos que embalam Sour. Por outro lado, o disco é cercado de gotas ácidas, como um suposto triângulo amoroso entre estrelas da Disney e acusações de plágio nas redes sociais.

A fim de apontar os mistérios do sucesso de Rodrigo, eleita pela Billboard como mulher do ano em 2022, a Tangerina separou as principais fofocas que você precisa saber para entender o lado realmente azedo de Sour.

Por trás do hit: drivers license

Por formarem um par romântico na série de High School Musical e pela frequente aparição juntos nas redes sociais, os fãs começaram a suspeitar de um romance entre Joshua Bassett e Olivia Rodrigo. Os primeiros boatos surgiram em 2020, mas nenhum dos dois confirmou (nem negou) publicamente.

Em um vídeo tirado da conta LeBlanc Updates no YouTube, a artista conta sobre o dia em que ela e Bassett descobriram que a música co-escrita por eles, Just For a Moment, entraria na trilha de High School Musical: A Série: O Musical.

“Fomos ao In-N-Out comemorar, e eu não podia dirigir, na verdade. Eu tinha 16 anos, mas não tinha minha carteira de motorista. Então, ele me levou no carro dele, e nós dirigimos ao redor do estacionamento. Essa foi a minha primeira vez dirigindo. Nunca vou esquecer”, conta Rodrigo.

Na letra de drivers license, a estrela canta: “Tirei a minha carteira de motorista na semana passada, assim como sempre falamos/ Porque você estava tão animado para eu finalmente dirigir até a sua casa”. Um trecho do vídeo foi publicado pela conta @simpingsugarmommies no TikTok e conecta a fala da artista à letra da música. Os fãs especularam que o título da faixa seria uma referência à Bassett, visto que foi ele quem “ensinou” a artista a dirigir:

Em um episódio do podcast de Zane Lowe na Apple Music, Rodrigo discorreu sobre o processo de composição da música, mas não deu detalhes que poderiam envolver Bassett: “Eu estava dirigindo ao redor da minha vizinhança e ouvindo músicas realmente tristes. Acabei chorando no carro e, quando cheguei em casa, pensei: ‘Talvez eu escreva uma música sobre isso, chorar no carro”.

A ideia da dupla ter engatado um namoro não parece tão absurda, visto que Olivia já havia namorado Ethan Wacker, um colega de elenco de Bizaardvark, em 2018. O namoro entre eles, no entanto, chegou ao fim no ano seguinte, quando a série da Disney estreou. Em 2020, Bassett lançou Anyone Else, cuja letra fala sobre estar apaixonado por uma pessoa próxima, mas que estava envolvida com outra.

Em entrevista ao Euphorizone, o artista discorreu sobre o processo de composição da letra: “Eu a escrevi no meu apartamento em Salt Lake City [onde morou durante as gravações da série] e, alguns meses depois, quando terminei de filmar, fui para o estúdio tentar pensar em uma música. Foi quando eu disse [para o produtor]: ‘Tenho uma ideia guardada que pensei há um tempo’. Quando comecei a tocar, foi mágico”.

A história não para por aí…

Na mesma rapidez em que surgiram boatos de um envolvimento romântico do casal fora das telinhas, a suspeita de que eles haviam terminado circulou entre os fãs.

As aparições nas redes sociais haviam diminuído drasticamente. Quando Rodrigo publicou um vídeo no TikTok dizendo “você acha que pode me magoar? Eu escrevi essa música”, enquanto All I Want tocava no fundo, o público automaticamente especulou sobre o término entre ela e Bassett. A legenda ainda enfatiza que a canção é sobre relacionamentos fracassados.

Meses depois dessa publicação, Bassett foi visto com Sabrina Carpenter em um restaurante de Los Angeles. A loira foi protagonista de Garota Conhece o Mundo (2014–2017), sitcom da Disney. Os dois chegaram até a gravar um TikTok juntos, na época do Halloween, fantasiados como Lavagirl e Sharkboy.

Com o lançamento de drivers license, o trecho “E você provavelmente está com aquela garota loira/ Que sempre me fez duvidar/ Ela é muito mais velha do que eu/ Ela é tudo aquilo que me deixa insegura” foi automaticamente relacionado a Carpenter, pintada como pivô da separação de Bassett e Rodrigo.

Em janeiro de 2021, as coisas azedaram (de novo). Carpenter lançou Skin, faixa que muitos fãs encararam como uma diss track —podendo ser lida no Brasil como “mandar uma indireta”. Uma diss tem o propósito de expor e/ou insultar uma pessoa ou um grupo de artistas, prática recorrente na música pop. Para citar um exemplo clássico: a briga entre Mariah Carey e Eminem, que rendeu o clipe de Obsessed.

Sabrina Carpenter em trecho do clipe Skin

Assista ao clipe de Skin, de Sabrina Carpenter

A faixa foi interpretada pelos fãs como uma indireta para Olivia Rodrigo

No caso de Skin, a loira inicia a canção com os versos: “Talvez poderíamos ter sido amigas/ Se eu tivesse te conhecido em outra vida/ Talvez então pudéssemos fingir/ Que não há gravidade nas palavras que escrevemos/ Talvez você não tivesse a intenção/ Talvez loira fosse a única rima”.

Ao final da canção, ela propõe uma conciliação: “Eu só espero que um dia/ Nós duas possamos rir disso/ Quando não estiver tão na nossa cara/ Quando não tivermos que evitar o assunto/ Não perca a cabeça/ Não vai ser sempre assim”.

A atriz, no entanto, publicou uma foto no Instagram onde esclarece as acusações a respeito da composição, embora não cite o nome de Olivia Rodrigo:

“Obrigada a todos que ouviram Skin, especialmente aqueles que abriram suas mentes liricamente para o que eu estava tentando transmitir“, escreveu. “Não fiquei incomodada com algumas linhas de uma música (magnífica) e escrevi uma diss track sobre ela. Eu estava em um ponto crítico na minha vida por inúmeras razões. Fiz o que normalmente faço: escrever algo que gostaria de ter dito a mim mesma no passado“.

Carpenter não chegou a dar entrevistas sobre as inspirações da música, mas é curioso como as letras se encaixam perfeitamente com a história do trio.

Inspiração ou cópia?

As canções confessionais e a vida amorosa de Olivia Rodrigo não são os únicos motivos pelos quais a cantora apareceu nos assuntos mais comentados do Twitter. Após o lançamento do disco, os fãs de Taylor Swift —considerada uma “guru musical” para a cantora— notaram a semelhança entre as faixas deja vu e Cruel Summer, presente em Lover (2019).

Capa dos singles de dèja vú, de Olivia Rodrigo e Cruel Summer, de Taylor Swift

Ouça o mashup de deja vu e Cruel Summer

Rodrigo foi acusada de plagiar Taylor Swift

A comparação ganhou força nas redes sociais, o que levou a estrela da Disney a creditar e pagar os direitos autorais aos três compositores de Cruel Summer, Taylor Swift, Jack Antonoff e St. Vincent. A musa do pop já havia sido creditada anteriormente em Sour na faixa 1 step forward, 3 steps back, onde Rodrigo usa o sample de New Year’s Day, presente em Reputation (2017).

Rinha no pop punk

Quem nasceu nos anos 1990 e ouviu o refrão de good 4 you imediatamente notou que a melodia era muito familiar à de outra canção que bombou nas paradas musicais de 2007: Misery Business, hit do Paramore. Com o lançamento da faixa de Rodrigo, várias contas do TikTok e do YouTube publicaram mashups das duas canções.

Olivia Rodrigo credita Paramore por usar sample de Misery Bussines

Ouça o mashup de good 4 u x Misery Business

A cantora precisou creditar a banda por utilizar o sample do hit de 2007

Diante da nítida semelhança entre as batidas, o público acusou a cantora de plágio nas redes sociais.

Para cessar as críticas, a cantora incluiu o grupo nos créditos da canção e deu 50% dos lucros para os criadores da música original: Hayley Williams e Josh Farro, ex-guitarrista do Paramore. Na época, nenhum dos dois se manifestou, mas a gravadora responsável comemorou a conquista dos créditos.

Por fim, ficou estabelecido que Rodrigo havia utilizado a faixa como sample, embora a cantora nunca tenha discutido abertamente o caso. Em uma entrevista à Teen Vogue, ela citou ter sido alvo de comportamentos tóxicos na mídia. Além de enfatizar que “o bonito da música é você poder se inspirar em coisas que vieram do passado”. Segundo ela, “nada é novo e existem apenas quatro acordes em toda música. Mas essa é a parte divertida —tentar tornar aquilo seu”.

Carrie, corre aqui!

No meio desse imbróglio dos supostos plágios, em junho, a cantora decidiu celebrar o sucesso com um show virtual, intitulado Sour Prom, no YouTube. No entanto, a imagem de divulgação da live chamou a atenção —até demais— de Courtney Love.

Em um post no Instagram, deletado pela artista, a vocalista do Hole apontou semelhanças da arte com a da capa do disco Live Through This (1994). Em ambas as fotos, as artistas aparecem vestidas de rainha do baile de formatura, com um buquê de flores nas mãos e os olhos borrados de rímel. Na publicação, Love escreveu: “Descubra a diferença! (gêmeas)”.

No Instagram, Rodrigo viu a postagem e se declarou para a veterana: “Te amo e vivo muito isso” (em referência ao nome do disco). Na sequência, Love alfinetou a artista: “Olivia, seja bem-vinda. Minha florista favorita está em Notting Hill, Londres. Me mande uma mensagem para mais detalhes. Estou ansiosa para ler sua mensagem”.

O mesmo post foi replicado pela vocalista do Hole no Twitter, rede onde os fãs de Rodrigo aproveitaram para defender a artista.

“Sim, claro! Porque uma rainha do baile/da beleza chorando não é uma coisa que existe”, apontou.

Nada se cria, tudo se copia?

Em agosto de 2021, a cantora lançou o videoclipe de brutal, um dos singles promocionais de Sour. Na produção, Rodrigo apresenta várias referências da cultura pop. Para citar exemplos: a aparição de Britney Spears no American Music Awards de 2003, o figurino inspirado em Lana Thomas (Mandy Moore) de O Diário de Uma Princesa e uma cena do terror Garota Infernal (2009), estrelado por Megan Fox.

Olivia Rodrigo em cena do clipe de Brutal

Assista ao clipe de brutal, canção de Olivia Rodrigo

A cantora pop foi acusada de plágio pelos fãs de Rina Sawayama

Embora esses acenos tenham sido explícitos no clipe, não demorou muito para que os fãs notassem algumas semelhanças entre o curta XS, de Rina Sawayama. Ambas as produções foram dirigidos pela mesma diretora, Petra Collins, mas os fãs da britânica não perdoaram, dado o histórico da estrela pop.

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Antes de ser repórter da Tangerina, Nicolle Cabral passou por Rolling Stone, Revista Noize e Monkeybuzz. Nas horas vagas, banca a masterchef para os amigos, testa maquiagens e cantarola hits do TikTok.

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