MÚSICA

Billie Eilish foi a artista mais jovem a vencer a principal categoria do Grammy Awards 2020

Divulgação/Universal Music

Grammy 2022

Por que Billie Eilish pode dominar o Grammy de novo

A jovem cantora norte-americana é uma 'queridinha' da premiação e tem chances de fazer história se superar hits de Olivia Rodrigo e Lil Nas X

Nicolle Cabral

Nicolle Cabral

É difícil assimilar a dimensão do sucesso de Billie Eilish. Com apenas 20 anos, a cantora arrebatou milhões de jovens com canções no estilo dark pop, virou um ícone de moda da Geração Z, conquistou o prestígio da crítica e bateu recordes no Grammy —tudo isso com apenas dois discos.

Entre suas composições com o irmão FINNEAS, ela ainda foi a artista mais nova a produzir a música-tema de um filme da franquia 007, com No Time to Die (e recebeu um Grammy e um Oscar por ela). Todos os trabalhos levaram a norte-americana a somar 70 vitórias e 188 indicações às principais premiações de música do mundo.

O álbum mais recente, Happier Than Ever (2021), disputa três das quatro principais categorias do Grammy 2022. O anterior, When We All Fall Asleep, Where Do We Go? (2019), deu a Billie Eilish cinco gramofones dourados. Dado o histórico da cantora na premiação, podemos ver essa história se repetir em 2022.

Afinal, até no hiato entre os discos de estúdio, a artista saiu premiada, em 2021. No Time to Die fez história: foi a primeira música de um filme ainda não lançado a ganhar o Grammy. E o single Everything I Wanted venceu como gravação do ano, categoria mais cobiçada da festa, ao lado de álbum do ano. Em 2020, o posto tinha sido ocupado por Bad Guy de… Billie Eilish.

Caso volte a vencer, ela se juntará a um pódio seleto de artistas ocupado por Taylor Swift, que conquistou o mesmo troféu três vezes, e Adele, cujos lançamentos 21 e 25 foram galardoados como álbum do ano. Entre os prêmios principais, a cantora só não disputa em artista revelação, vencido por ela em 2020. Mas está representada pelo irmão FINNEAS, produtor e coautor dos discos de Eilish.

Mas por que a hegemonia da cantora soa possível, mesmo depois do sucesso de Sour, disco de Olivia Rodrigo, que também compete às categorias principais? Ao pensar nisso, a Tangerina separou alguns elementos que apontam Eilish como uma “queridinha do Grammy”.

O clipe de Happier Than Ever foi dirigido pela própria cantora

O clipe de Happier Than Ever foi dirigido pela própria cantora

Reprodução/GIPHY

Um segundo bom disco

O sucesso do primeiro disco poderia ter sido revertido em inibição. Após um lançamento grandioso, é natural que alguns artistas sofram com a pressão de concretizar uma boa sequência. No caso de Eilish, o estresse da fama combinado à pouca idade poderia impedir a cantora de alcançar uma maturidade musical.

Felizmente —para ela e para nós—, a artista soube distribuir toda a energia que recebeu e injetou no público a dose de criatividade pop perfeita para um segundo disco.

Diferentemente dos versos inspirados em filmes de terror e o deboche adolescente do primeiro disco —quando Eilish parecia revirar os olhos para o mundo o tempo todo—, o segundo lançamento tem uma produção afiada e voltada para os dramas românticos e, às vezes, abusivos.

Billie Eilish em trecho do clipe de Your Power

De visual novo, a artista chamou a atenção dos fãs para a nova fase

Reprodução/GIPHY

Boa parte do conteúdo autobiográfico que aparece nas canções pode ser conectado aos fatos apresentados no documentário Billie Eilish: The World’s a Little Blurry (2021), disponível na Apple TV+.

A diferença entre as duas fases da cantora podem ser resumidas aos primeiros versos dos discos. Se em When We All Fall Asleep… Eilish anuncia que tirou o aparelho dentário invisível e que “este é o álbum”, em Happier Than Ever ela amacia o público com um vocal doce e conformado: “Estou ficando mais velha, acho que estou envelhecendo bem”.

Billie Eilish posa para capa de Getting Older, primeira faixa do disco

Assista ao clipe de Getting Older

A Rolling Stone EUA classificou a faixa como uma das 20 melhores da artista

Recepção do público

Com 16 faixas no total, o disco foi precedido por cinco singles. My Future foi o primeiro a preparar o público para o que Eilish estava construindo sonoramente.

A faixa chegou a estrear no top 10 do Hot 100 da Billboard, mas não durou muito tempo na lista. Therefore I Am acabou se destacando em relação às demais ao estrear na segunda posição da parada norte-americana e virar tendência no TikTok.

No caso de Lost Cause, o videoclipe —uma espécie de 7/11 da Beyoncé— chamou a atenção do público, especialmente pelo novo visual da artista, que havia abandonado as raízes verde neon e platinado todo o cabelo. Mas nenhum dos singles havia conquistado o glamour de bad guy.

Billie Eilish no trecho de Lost Cause, single do segundo disco Happier Than Ever

Assista ao clipe de Lost Cause, de Billie Eilish

"Ela faz o 7/11 dela", disseram alguns fãs

Os números notáveis chegaram com a estreia do disco. Na primeira semana, Happier Than Ever conquistou 185 milhões de streams e entrou para a lista das 10 melhores estreias femininas do Spotify. Na Billboard, estreou como um dos mais bem vendidos, somando 238 mil cópias na primeira semana.

Com isso, Happier Than Ever empatou com Sour, de Olivia Rodrigo, como disco com mais músicas de artistas femininas a alcançarem a primeira posição nos charts de 2021. Cada álbum entrou com 16 faixas. O registro de Billie Eilish também alcançou o primeiro lugar entre as melhores estreias do ano no Spotify, ao ocupar nove das dez posições da parada.

O recente histórico do Grammy

Embora o Grammy leve bastante em consideração o pop que reina nas rádios, temos o recente exemplo de Folklore, de Taylor Swift. O registro ganhou como álbum do ano contra Future Nostalgia, de Dua Lipa —o pop disco e chique que embalou os nossos ouvidos no auge pandêmico.

A vitória veio logo depois de Taylor perder na categoria de melhor álbum vocal de pop para Dua Lipa. Porém, é possível que essa derrota não faça tanta diferença no currículo de Eilish.

Nesse caso, ela pode embolsar os maiores prêmios da noite, álbum, gravação e canção do ano, enquanto deixa o pódio de melhor álbum vocal de pop para Sour, que rendeu grandes sucessos. Ou até mesmo para Lil Nas X, com Montero (Call Me By Your Name).

Montero, faixa-título do disco, entrou na coleção de hits que Lil Nas X emplacou no TikTok

Reprodução/GIPHY

Nas categorias de gravação e canção do ano, o grupo Silk Sonic (encabeçado por Bruno Mars e Anderson .Paak) soa atraente. Isso quando pensamos na evidência de outro gênero na premiação, já que o Grammy tem corrido atrás —sem muito êxito— do bonde da música contemporânea. Quem lembra de 2015, quando Beyoncé perdeu para Beck na categoria de melhor álbum do ano? Esse descompasso, inclusive, resultou em uma série de boicotes à premiação nos últimos anos.

Nesse quesito em específico, para o Grammy, Eilish tem uma vantagem: o fato de o grupo ser recente, embora os integrantes já estejam na indústria há anos.

Marca possível

Por falar em marcos, se o carro-chefe do disco, Happier Than Ever, levar o gramofone de gravação do ano, Eilish se juntará a Paul Simon, único artista a colecionar o prêmio três vezes seguidas por Mrs. Robinson, Bridge Over Troubled Water e Graceland. É uma manchete que brilharia na história.

Embora a vitória soe desafiadora em meio a tantos talentos, é possível que a artista lidere a premiação. Afinal, ninguém imaginou que Everything I Wanted desbancaria a parceria de Megan Thee Stallion e Beyoncé no remix de Savage, em 2021.

Billie Eilish, inclusive, deixou claro ao receber o prêmio que achava “muito constrangedor” o fato de a canção ter vencido essa disputa. Mas não é de hoje que vemos o ícone da geração Z gritar na cadeira antes de subir no palco para ganhar (mais uma) troféu da indústria. Se depender dos eleitores da Academia da Gravação, Eilish continuará se levantando.

Billie Eilish vence às principais categorias do Grammy 2020

A artista levou seis gramafones para casa na 63.ª cerimônia do Grammy Awards

Reprodução/GIPHY

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Antes de ser repórter da Tangerina, Nicolle Cabral passou por Rolling Stone, Revista Noize e Monkeybuzz. Nas horas vagas, banca a masterchef para os amigos, testa maquiagens e cantarola hits do TikTok.

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