MÚSICA

Claudia Leitte posa para foto para promover novo single De Passagem

Divulgação/Arte: Tangerina

Entrevista

Claudia Leitte: ‘A música é uma mensagem de esperança do futuro’

Claudia Leitte faz balanço dos 20 anos de carreira, desde o Babado Novo ao single mais recente, De Passagem

Nicolle Cabral

Nicolle Cabral

Em 2022, Claudia Leitte completa 20 anos dedicados à música. Desde quando surgiu, aos 21, no Babado Novo, a artista virou dona de uma das notáveis vozes do axé brasileiro e bateu recordes em cima de trios elétricos. Mas esses não são os únicos títulos da carreira de Claudia. A artista arrastou uma multidão de um milhão e meio de pessoas para a gravação do primeiro DVD solo; entrou para o Guinness World Records após promover a maior quantidade de beijos simultâneos da história durante o Axé Brasil 2009; e cantou na abertura da Copa do Mundo, com Jennifer Lopez e Pitbull, em 2014.

Junto aos feitos, contudo, a carreira da artista nascida em São Gonçalo (RJ) também foi envolvida numa rivalidade feminina criada em grande parte pela mídia e por fãs, entre Claudia e outra figura emblemática da axé music: Ivete Sangalo. Em entrevista à Tangerina, a artista, que lançou o single De Passagem para celebrar a própria carreira, comenta alguns dos momentos mais marcantes de sua estrada, desde a despedida do Babado Novo até ser a primeira brasileira a cantar no Walt Disney World Resort. Ela se apresenta em Orlando nos próximos dias 24 e 25 de abril.

Leia o bate-papo na íntegra a seguir:

Musa do trio elétrico: do Babado Novo à carreira solo

Tangerina: Em 2009, você bateu um recorde de permanência na avenida no Carnaval de Salvador. Você se apresentou por oito horas em cima de um trio elétrico. Como você se prepara para essas maratonas?

Claudia Leitte: Rapaz, foi puxado! Sempre é fisicamente desafiador. Como em uma maratona, para um atleta. Mas, assim como um atleta se prepara para uma maratona, eu sempre me preparo muito para o carnaval. Até nos mínimos detalhes. Eu não como durante o Carnaval, eu me alimento [risos]. Como muito regradinho, para não passar mal. Então, me preparei para estar ali.

É sempre uma expectativa muito grande em torno do Carnaval, porque eu sou apaixonada por isso. Amo cantar para as pessoas, para aquela multidão. Amo o trio elétrico! Sou louca, fissurada pela festa que eu faço. Então, tem toda uma preparação, uma disponibilidade para fazer aquilo, que é de mim. Já diria Whindersson Nunes, “é de mim”, entendeu? Nasci para fazer aquilo ali, não tenho nada para reclamar. Só alegria subir naquele trio, cada desafio, cada calinho no pé, gotinha de suor. Passar oito horas em cima do trio para mim não é fácil, mas é uma delícia.

Tangerina: E como era ficar lá em cima por oito horas? Beber água, se organizar…

Claudia Leitte: Beber água é toda hora. Você vai bebendo e cantando, cantando e bebendo. Só não tem esse negócio de xixi. Como diz na Bahia, “sem tirar de dentro” [risos].

Tangerina: Também tem um momento muito especial seu, na turnê de despedida do Babado Novo. Você se emocionou e até pediu para a plateia rezar o Pai Nosso. Como você vê hoje a sua saída do grupo? Como foi fechar um ciclo de carreira para começar um novo?

Claudia Leitte: Tô até emocionada [de lembrar disso] de novo, vixe. É um momento muito especial para mim, sempre lembro com muito amor. É como se fosse ontem! Não vejo isso como algo que aconteceu há muito tempo. Também vejo como algo natural, não foi uma ruptura. Não consigo ver uma transição onde eu me transformei em uma pessoa completamente diferente. Foi um caminho tão natural, só passei por ele. E ter registrado essa passagem é muito importante, porque deu para saber em que altura eu estava da minha vida, da minha carreira. É muito legal poder se ver fazendo algo desafiador quando você já amadureceu, já passou por tudo aquilo. Ao mesmo tempo que me traz uma gratidão, também tão natural quanto ter feito aquela passagem ali.

Trecho do clipe De Passagem, da despedida de Claudia Leitte do Babado Novo

Assista à despedida de Claudia Leitte do Babado Novo

'É o momento que eu me sinto apoiada pela minha equipe, mas também pelo meu público'

Lembro de ter muitas pessoas ao meu lado. No meu clipe novo, De Passagem, tem esse momento. Assisti e chorei de novo, revivi tudo aquilo. Quando todo mundo tira a camisa do Babado Novo, e [por baixo] estão vestidos com uma camisa escrito “Claudia Leitte”. É emblemático. É o momento que eu me sinto apoiada pela minha equipe, mas apoiada pelo meu público também. Era o ano de Exttravasa (2007), o ano em que eu lançava uma música crucial na minha carreira solo. Isso tudo mostra para mim como a música é importante, como ela me alimenta, como a música é algo que eu faço dali por diante. Não tem outra coisa mais prezadora. É isso que me faz subir no trio e ficar oito horas. É a música e o povo.

Tangerina: Logo depois, você se lançou na carreira solo com a gravação do seu primeiro DVD, com uma expectativa de receber 500 mil pessoas. Mas, quando você chegou lá, o número dobrou: um milhão de pessoas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Qual foi a sensação de ver as pessoas te abraçando como uma artista solo?

Claudia Leitte: Quando você fala de números, me vem um negócio, uma história na cabeça. Um dos meus empresários falou pra mim: “Se tiver 40 mil aí ótimo — porque 40 mil é um número excelente, né. A praia é muito grande, mas disfarça na câmera”. E eu fiquei: “É, então tá bom. Porque eu sou de humanas mesmo [risos]”. E aí começou a chegar muita gente. Ao meio-dia já tinha mais de 200 mil pessoas na praia. Eu via lá de cima, porque eu estava hospedada no Copacabana Palace, de frente para o lugar onde foi montado o palco. Fiz passagem de som e eu tinha ouvido na noite anterior que a movimentação em torno do show estava igual ao réveillon nas areias de Copacabana.

Assista ao show da Claudia Leitte em Copacabana

O show é um dos grandes marcos da carreira da artista

Só que eu não tinha muita consciência. Acho que o meu foco nunca é quantas cabeças têm em um show. Eu sei que é importante, que os números são relevantes, sobretudo atualmente, onde a gente busca muito likes e views, muitas coisas numéricas na vida. Mas eu sempre fui imbuída de fazer o outro feliz, e aí eu fui surpreendida. Acho está aí a graça dos 20 anos de carreira. Eu nem consigo lembrar das coisas que calculei. Os momentos mais emocionantes da minha vida são esses que eu me preparo para estar lá, fisicamente, porque eu quero dar o melhor de mim para aquelas pessoas, e porque quero ser feliz com elas. Exttravasa fala sobre isso, De Passagem também.

Estou falando tudo isso para você e recapitulando esses momentos para dizer que o mais importante de tudo não foi colocar um milhão e meio de pessoas em Copacabana. Mas, sim, me conectar com elas e com todas as pessoas que vieram depois. Porque eu produzi muito mais, fiz mais músicas, ganhei mais coragem. Quando eu estava muito ruim, muito mal, essa energia continuou ali presente. Eu continuava confiando que daria certo, mesmo não estando tão bem.

Além da pandemia: Shows na Disney e a vontade de ver Chris Martin

Tangerina: Imagino que o período de pandemia deva ter sido difícil, então.

Claudia Leitte: Pode falar uma palavra chula assim? Foi uma bosta [risos]. Já falei isso várias vezes porque as pessoas sempre me perguntam como tá sendo. É muito difícil. Sempre tiro um proveito de tudo, mas posso lhe dizer que desses 20 anos, esse período foi o mais difícil de toda a minha carreira.

Porque desde criança eu canto, sempre tive o palco como o meu principal objetivo, sempre gostei de cantar para pessoas. Quando canto ao vivo, me sinto abraçando as pessoas. E eu não podia abraçar ninguém, ninguém podia se abraçar. Um negócio muito triste. Pensar nesse momento, inclusive, não me traz coisas boas. E a gente está passando por isso ainda. Vamos sair disso, se Deus quiser. Mas complicadíssimo. Estou saindo mais forte, essa é a verdade. Mais segura, mas confesso que fui em um lugar bem difícil. Do ponto de vista artístico e pessoal, sem nenhuma vergonha ou pudor em lhe dizer isso.

Tangerina: E quando passar, qual é a sua programação? Quais shows pretende fazer ou blocos que quer subir?

Claudia Leitte: Tenho uma programação de celebração dos meus 20 anos de carreira, né? Então, tenho três projetos que são muito importantes para mim, como a Prainha da Claudinha, a minha turnê, que é um show mais pop, com mais efeitos visuais, mas com um repertório sempre muito fundamentado na música. Os pilares são as músicas que compõem esses 20 anos de carreira. Canções de outros artistas, inspirações de elementos musicais, rítmicos, vou construir cada coisa desse show. E o trio elétrico. Este ano, o levo para os Estados Unidos, o que, para mim, é um grande feito do ponto de vista musical. Tenho um monte de shows marcados e até o final do ano farei algo que eu sempre quis fazer —que eu não posso contar ainda—, mas vou fazer. Anote aí que eu vou fazer! [risos]

Tangerina: E tem show de algum artista que você quer assistir?

Claudia Leitte: O da Lady Gaga, eu amo ela. Quero ir ao show do Coldplay, eu preciso ver Chris Martin outra vez.

Você vai no Rock in Rio?

Claudia Leitte: Não sei se vou assisti-lo no Rock in Rio, mas que vou vê-lo esse ano, eu vou. Minha agenda vai estar muito doida com o que a gente tem programado aqui. Mas vou conseguir. Estou me organizando, porque eu sou uma mulher de projetos [risos].

Tangerina: Agora, como está a emoção de ser a primeira brasileira a fazer um show na Disney? Como os seus filhos estão com essa informação?

Claudia Leitte: Vou ser bem sincera, acho que meus filhos nem têm noção do que está acontecendo [risos]. Eles vivem uma vida tão simples. Meu filho estava passeando comigo na rua, e aí veio uma galera tirar foto comigo e ele falou para o irmão: “bro, eu esqueci que mamãe era famosa” [risos]. Acho que eles respiram tudo com muita naturalidade. Eu estou muito empolgada, acho que brotou um espírito infantil. Eu estou a Pequena Sereia, olha o meu cabelo! Estou radiante! Sou contratada como aquelas atrações da Disney. Sabe quando você vai assistir ao show da Pequena Sereia, de Frozen? Vai ter o show da Claudia Leitte. Então, estou me sentindo uma princesa da Disney. É um sonho encantado!

Tangerina: Tem alguma coisa do show que você consegue adiantar para a gente?

Claudia Leitte: Vou levar a Prainha da Claudinha. Para a Disney, escolhi levar [esse show], porque é bem inusitado. Orlando não tem praia, o Brasil é um país tropical. Eu queria dividir uma coisa que se parecesse muito com a minha gente, com a Bahia, com a minha essência. E não dava para por um trio elétrico lá, pelo espaço. Então, eu estou levando a praia. O repertório é bem pequeno, são três sessões por dia, com dois dias de apresentação. Cada sessão tem um tempo específico de show, então provavelmente vai rolar alguns mashups da minha carreira. Estou produzindo, trabalhando e finalizando o processo, mas quero levar muita brasilidade, vou misturar também com blues, R&B, hip hop. Porque são elementos-chave do meu processo criativo. Amo música pop, música eletrônica, então vai ser tudo isso.

20 anos de carreira e rivalidade feminina, mas uma Claudia Leitte mais forte

Tangerina: Legal! Bom, 20 anos de carreira é uma vida, né. Na sua visão, qual foi a coisa mais importante que você aprendeu sobre música até hoje?

Claudia Leitte: Que música é uma mensagem do futuro. Uma mensagem de esperança do futuro. Por isso, temos que cuidar do que nós fazemos. Existe tempo de piada, tempo de lamento, e a música enfatiza isso. A música é a trilha sonora da vida de alguém. E se é a trilha de sonora da vida de alguém, a gente precisa cuidar dela. Porque música não é algo que o homem criou, é algo divino. Música conecta as pessoas, aproxima as pessoas. A gente é que separa as pessoas. que coloca etiqueta na música. “Faz a playlist de fulano aí”. Porque cada um se identifica com a sua parada ali. Mas não é a música que separa. É a gente que se separa das pessoas. E eu preciso cuidar da minha música com todo o amor do mundo.

Sou da geração de artistas que estava saindo da gravadora e logo veio a pirataria e a digitalização da música, então tem música minha que já foi gravada direto da mesa de som. Não tem qualidade nenhuma, mas está ali um registro eterno daquilo. Por mais que tenha uma mensagem boa nisso, porque representa o momento, precisa ter muito cuidado com o que você registra, com o que você comunica. E principalmente com o que você canta. Estou muito nessa vibe.

Tangerina: E você conseguiria elencar três coisas que foram fundamentais nesses 20 anos de carreira?

Claudia Leitte: A primeira é “gente”. É imprescindível você se cercar de gente, às vezes não vão ser as pessoas certas, mas dará certo, se você estiver certo do que você quer. Então, até as pessoas que não estão no lugar certo, elas fazem parte da sua vida por uma razão. E se você for coerente com os seus princípios e valores, você saberá lidar com qualquer situação. Depois disso, são seus valores, que eu acabei de falar. Valores para tomar decisões importantes na vida. Porque se você começa a se vender, se você faz qualquer parada, isso influencia na sua música e na mensagem que você deixará para o mundo. A música é o seu lugar de fala.

E a terceira coisa, para mim, é o ao vivo. Rapaz, você pode entrar no estúdio para gravar, ligar sua câmera em casa, você pode fazer coisas com computador, mas não tem nada que substitua o “tête-à-tête”. A interação com a galera que está no seu show. Isso vai te trazer experiências que vão fortalecer o seu coro, para as dificuldades que vão vir. Tem muita gente ficando muito triste, criando raízes profundas disso, porque elas estão saindo dessa produção caseira de YouTube, de conteúdos digitais, para o ao vivo e, muitas vezes, elas não sabem lidar e são cobradas.

Tangerina: Vou aproveitar que você falou sobre as pessoas que estiveram na sua vida durante esse tempo. Ao longo da sua carreira, ficou presente no imaginário das pessoas uma rivalidade entre você e a Ivete Sangalo. Por isso, queria te perguntar: como você avalia essa situação após tanto tempo?

Claudia Leitte: É, assim, a cada tempo, essa coisa se repete de um jeito diferente. Expectativas são criadas, quando se trata de assistir a uma celebridade, a vida do outro, e nós vemos isso em toda a história da humanidade. Agora, as coisas se repetem em uma proporção ainda maior, porque tem mais mulheres e mais homens expostos nas redes. As pessoas estão mostrando mais a própria vida, se expondo muito mais.

Acho que não ia ser diferente comigo. Acho também que aconteceu. Sabe quando você sabe que rolou alguma coisa, mas isso não faz parte da sua vida? Lembrei disso agora, porque você trouxe à tona. Acho que isso, de alguma maneira, me beneficiou, porque sou uma mulher forte, Ivete é uma mulher forte. Porque nos encontramos, permanecemos em nossos lugares de mulheres fortes, de indivíduos. Cada uma tem o seu universo e a sua vida. A gente não se deixou levar por nada do que criaram, mas isso não é novo. Não é circunstancial, isso acontece, infelizmente.

Existe uma expectativa mesmo, porque as pessoas acham que celebridades são personagens de novela. Que elas podem escolher o final, com quem vão ficar, com quem vão namorar, quem é rival de quem. E a gente se posicionar no lugar do outro é sempre muito ruim. Mas assim, não dá tempo [de prestar atenção nisso]. Não dá tempo quando você tem foco. Não dá tempo de você viver isso. Você sente e se levanta, sobretudo como mulher. E a gente sabe que existe rivalidade entre mulher, provocada pelo outro. As pessoas gostam de ver uma brigando pela outra. Não entendo de onde vem esse desejo, essa coisa mórbida, é triste. Mas, aos poucos, a gente está mudando isso, graças a Deus.

Tangerina: Demais! E agora, falando de De Passagem, como foi fazer essa música? E o que podemos esperar de Claudia Leitte em 2022?

Claudia Leitte: De Passagem é uma música tão profunda. Engraçado a mágica feita: resumir 20 anos da minha vida em dois minutos e meio de música. A gente fez um clipe que está muito lindo, modéstia à parte, então todas as vezes que assisto, eu choro. De Passagem é sobre mim, mas acredito que é sobre o que estamos vivendo agora. Acho que é uma música que resume aquilo que eu te falei de fazer música verdadeira. Daqui a vinte anos, vou cantar e sentir a mesma emoção, assim como quando eu canto Amor Perfeito, do Roberto Carlos, um divisor de águas da minha carreira.

De Passagem tem uma letra muito forte, e, embora seja uma música na primeira pessoa, qualquer um pode tocar essa música e sentir o que eu sinto com ela. É a esperança para continuar. Eu canto: “Posso ser sereia, aprendi desde cedo a não cair na rede, a ir na contramão”. A vida não está fácil para ninguém. Às vezes, ficamos iludidos com as coisas que vemos nas redes sociais.

Pensa que as coisas que a gente vê na vida do outro é mais bonita, é mais colorida. E, na verdade, é difícil para todo mundo. A gente precisa nadar às vezes na contramão, seguir contra o fluxo, fazer algo diferente e ser bom. Eu estou nesse lugar: onde é difícil, mas eu vou. Vou meter a cara, quero fazer tudo de novo se for preciso, dar tudo de mim mais uma vez, porque vale muito a pena e eu já sei que vale a pena, né. Sou uma mocinha de quatro décadas de idade, então vale a pena. Vamos nessa!

Claudia Leitte no trecho do clipe De Passagem

Assista ao clipe De Passagem

O clipe reúne imagens desses 20 anos de carreira da cantora de axé music

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Antes de ser repórter da Tangerina, Nicolle Cabral passou por Rolling Stone, Revista Noize e Monkeybuzz. Nas horas vagas, banca a masterchef para os amigos, testa maquiagens e cantarola hits do TikTok.

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