MÚSICA

Elza Soares em trecho de 2022, produção musical da HBOMax, foto divulgação

Divulgação/HBOMax

Lista

Os melhores momentos de 2022, o especial musical da HBO Max

Dividido em três partes, o registro reúne 50 artistas de alto calibre para remontarem o Brasil através da música nacional; Elza Soares, Caetano Veloso e Racionais MC's estão no especial

Nicolle Cabral

Nicolle Cabral

Em alusão ao centenário da Semana de Arte Moderna, 2022 é uma obra original da HBO Max com o intuito de festejar a musicalidade potente, intuitiva e moderna criada em solo brasileiro. Sob direção de Monique Gardenberg, o especial convida 50 artistas nacionais para criar, em dois atos, um repertório de 22 canções de diversos gêneros.

No registro, disponível na plataforma de streaming a partir desta sexta-feira, 11, observamos encontros entre várias gerações de artistas que fertilizam a música brasileira até hoje. Entre eles, Gilberto Gil e Duda Beat, Caetano Veloso e Owerá, Alcione, Luedji Luna e Majur. A direção musical é de Liminha e Kassin, com regência de Jaques Morelenbaum.

Enquanto os músicos se apresentam, obras de artistas plásticos brasileiros são projetadas no fundo do cenário. Em boa parte do espetáculo, é possível notar a presença da nova geração da arte contemporânea, entre eles Elian Almeida, Denilson Baniwa, Kika Carvalho, Márcia Falcão, Maxwell Alexandre e outros.

Caetano Veloso e Owerá cantam no especial 2022, da HBO Max

Assista ao trailer de 2022, especial da HBOMax

A obra original da plataforma reúne grandes nomes da música brasileira

Com cerca de duas horas e meia de duração —se somarmos todas as partes—, o especial se divide entre 40 a 60 minutos de espetáculos musicais e mais uma hora de filmagens dos bastidores, entrevistas, montagem do set etc. Com tanta musicalidade, é fácil assistir a tudo de uma vez só. Mas, caso você procure apenas pelos melhores momentos, a Tangerina filtrou o puro suco desse especial para você tomar, quer dizer, assistir.

Carlinhos Brown, Mateus Aleluia e Olodum

Neste encontro energético e essencialmente baiano, os artistas reúnem forças e admiração para cantarem juntos Diáspora, composição de Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Castro Alves e Joaquim Sousa. O palco cheio, com artistas e instrumentos, proporciona uma sensação reconfortante e de emoção. A segunda faixa, Revolta Olodum, de Domingos Sérgio e José Olissom, também é interpretada com muito entusiasmo. Na parte visual, o artista plástico No Martins faz as honras com as obras da Série Para ver se dão valor.

Quando? No ato 1, aos 4 minutos e 38 segundos

Caetano Veloso e Owerá

Simbolicamente, é um dos grandes momentos de 2022 na HBO Max, visto que o gigante da MPB se reúne a Owerá (ex-Kunumi MC), uma das vozes mais importantes no canto da luta pela demarcação de terras. No começo, o encontro parece um pouco engessado, mas quando chega o momento do artista guarani, Caetano e ele dão as mãos e as seguram firmemente. O que fica é o olho no olho e muita emoção!

No repertório, Caê canta Um Índio, canção de 1977, do disco Bicho, e Owerá canta Mbaraeté. As três obras de artes projetadas ao fundo são, também, muito especiais. Todas de Denilson Baniwa. A primeira chama-se Nheengaitá: Protagonismo e a nossa voz precisa ser escutada; a segunda é Awá uyuká kisé, tá uyuká kurí aé kisé irü: Quem com ferro fere com ferro será ferido; e, por último, Cunhatain: Antropofagia Musical.

Quando? No ato 1, aos 15 minutos e seis segundos

Maria Gadú e Péricles

As duas vozes marcantes da música brasileira se juntam para interpretar uma canção de Fernando Brandt e Nelson Angelo, Canoa Canoa. Sentados um ao lado do outro, com um feixe de luz em cima como iluminação, a apresentação é intimista e cativante. Os novos arranjos para cada uma das canções do espetáculo foram escolhidos a dedo e com o intuito de potencializar a voz de cada um dos convidados. O resultado é uma linda celebração da música brasileira por outros olhares.

Rodrigo Bivar faz as honras na parte visual do espetáculo. A obra Ubatuba é o pano de fundo dos dois artistas.

Quando? No ato 1, aos 20 minutos e 20 segundos

Racionais MC’s

Não é surpresa que o maior grupo do rap nacional estaria nesta lista. Afinal, o Racionais é peça fundamental da música brasileira. Neste ato, Mano Brown e Edi Rock interpretam Nego Drama, faixa de Nada Como um Dia Após o Outro Dia (2002), disco duplo que, assim como o antecessor, Sobrevivendo no Inferno (1997)foi bem recebido pela crítica, quando lançado. Ao fundo, Éder Oliveira estampa sua obra intitulada Autorretrato vermelho.

Quando? No ato 1, aos 31 minutos e 43 segundos

Ludmilla

Para fora da própria zona de conforto, aqui, Ludmilla não se arrisca no pop, nem no pagode. Uma orquestra ilumina a voz da cantora, que cria uma versão interessante de Rap da Felicidade para 2022, da HBO Max. A composição de Julinho Rasta e Katia cai super bem na voz da cantora, especialmente neste outro formato. Para montar o cenário, Maxwell Alexandre, que estampou a capa de Gigantes, disco do rapper BK’, projeta a obra Um cigarro e a vida pela janela (diss).

Quando? No ato 1, aos 37 minutos e 32 segundo

Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Mosquito

O grande encontro entre os mestres da música tem como trilha Conselho, composição de Adilson Bispo e Zé Roberto. O samba de Bispo tornou-se a principal música da carreira da dupla. Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Mosquito dividem os vocais com entrosamento e estão entre um dos melhores momentos da produção. A obra Sem titulo, 2020, de Márcia Falcão, foi estampada durante a apresentação do trio.

Quando? No ato 1, aos 42 minutos e 26 segundos

Baiana System e BNegão

Quando Russo Passapusso está no palco, é difícil não ficar hipnotizade. O artista tem uma presença inconfundível, especialmente ao lado de BNegão. Juntos, cantam Reza Forte, parceria já existente no disco Navio Pirata, de 2021. A faixa ganha ainda mais apelo quando os dois interagem no palco. A obra que brilha atrás da dupla é do artista plástico Thiago Martins de Melo: Tupinambás, léguas e nagôs guiam a libertação de pindorama das garras da quimera de Mammón.

Quando? No ato 2 em um minuto e 28 segundos

Criolo e Emicida

Outra dupla fundamental para a história do rap nacional, Criolo e Emicida se juntam para cantar a clássica canção de Chico Buarque (também presente no especial), Construção. Os artistas se entendem como poucos no palco e o registro é, também, um dos pontos altos da produção. A obra que liga todo o ato é de Robinho Santana, chamada de Temporal.

Quando? No ato 2, aos seis minutos e 37 segundos

Ana Frango Elétrico e Tim Bernardes

Criativos, talentosos e modernos, a dupla potencializa a canção Tente Outra Vez, de Marcelo Motta, Paulo Coelho e Raul Seixas. Paralelamente, os dois artistas apresentam grandes trabalhos na música brasileira —como protagonistas das próprias canções ou como produtores de outras. O encontro, contudo, evidencia o talento de cada um dos dois. No fundo, a obra Sem título (2020), de Eduardo Berliner.

Quando? No ato 2, aos 18 minutos e 18 segundos

Gilberto Gil e Duda Beat

Quando Gil aparece, é quase impossível esconder a vontade de sorrir. Nessa versão de De Onde Vem o Baião, do próprio artista baiano, o que não falta é carisma. A voz e a intimidade de Duda Beat deixam a canção refrescante e encaixam perfeitamente com Gil. Cadê a versão no Spotify? Por enquanto, só em 2022, da HBO Max. Quem acrescenta um tom visual é Antonio Obá, com a obra Fábula dos Erês.

Quando? No ato 2, aos 24 minutos e 17 segundos

Elza Soares e Renegado

Em um dos últimos registros antes de sua morte, Elza Soares (1937—2020) apresenta um dos hinos de sua carreira, A Mulher do Fim Do Mundo. Poderosa e emocionante, a cantora canta o Brasil pela perspectiva da mulher preta, e a versão presente no especial chega arrebatando os nossos corações. Rafael Baron evidencia as obras Poderosas e Belas ao fundo.

Quando? No ato 1, aos 40 minutos e 54 segundos

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Antes de ser repórter da Tangerina, Nicolle Cabral passou por Rolling Stone, Revista Noize e Monkeybuzz. Nas horas vagas, banca a masterchef para os amigos, testa maquiagens e cantarola hits do TikTok.

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