MÚSICA

A cantora gaúcha Francinne posa para foto de quimono; ela é a primeira idol brasileira de k-pop sem ascendência asiática

Divulgação/Felipe Garcia

K-pop

Como uma brasileira sem ascendência coreana se tornou idol de k-pop

Gaúcha, Francinne começou como cover de Britney Spears, encontrou no k-pop e trabalha para trazer a cultura coreana para o Brasil: "Caí de paraquedas"

Gabriela Ferreira

Gabriela Ferreira

Ser idol não é para qualquer um. Ser brasileira, não ter nenhuma ascendência asiática e ser idol é para menos gente ainda. Mas, sem saber que era impossível, Francinne foi lá e fez. A gaúcha de 29 anos foi contratada pela LL Entertainment, empresa focada em fazer um intercâmbio cultural entre o Brasil e a Coreia do Sul, e estreou recentemente com Fading Like a Moon. A cantora está no início da carreira coreana, mas já chama a atenção da mídia local —e, por aqui, da popstar Pabllo Vittar, que é fã declarada de k-pop e compartilhou no Instagram um vídeo cantando Fading Like a Moon.

Idols não coreanos são comuns no k-pop. Lisa, do Blackpink, e Ten, do NCT e WayV, são da Tailândia. Momo e Sana, do Twice, são japonesas, e por aí vai. Agora, idols de países do Ocidente sem ascendência asiática são casos mais raros, apesar de existirem alguns, como Olivia, a integrante francesa do The Gloss, e a americana Alex Reid, do Rania.

Aqui no Brasil, dois brasileiros com ascendência asiática debutaram no k-pop: Victor Han, ex-baterista do About U, e a nipo-brasileira Leia, que foi uma dos integrantes do Blackswan. Eles abriram portas para que Francinne pudesse se tornar uma idol brasileira sem ascendência asiática, pela primeira vez.

Capa do clipe de Fading Like a Moon, música de k-pop da brasileira Francinne

Assista ao clipe de Fading Like a Moon

Música marca o debut de Francinne no k-pop

Brasileira no k-pop era cover de Britney Spears

Antes de começar a relação com a Coreia do Sul, a gaúcha de 29 anos iniciou no mundo da música como cover de Britney Spears. A artista começou a fazer balé e aula de canto logo criança e participou de vários programas de TV imitando a princesinha do pop. 

Como uma boa intérprete de Britney, Francinne chamou a atenção e conseguiu assinar com uma grande gravadora. “Fui na onda de cantar o que o público queria ouvir e gravei funk, reggaeton, várias coisas, até que caí de paraquedas no k-pop”, conta. 

Empurrão da pandemia

A história da cantora com o k-pop começou de uma forma bem inusitada. Em março de 2020, o cantor coreano Spax, ex-membro do grupo BLANC7, veio ao Brasil para uma série de shows, que precisou ser interrompida por conta da Covid-19. 

O artista ficou de quarentena no país e aproveitou a oportunidade para gravar Te Quiero Mas, que acabou ganhando uma segunda versão com Francinne. “A partir disso, comecei a me interessar mais pela cultura. Já conhecia e admirava k-pop, já tinha cantado 2ne1 e Psy, sempre admirei os videoclipes, mas era uma coisa muito distante de mim”, relata a gaúcha. 

Francinne com o sul-coreano Spax na música Te Quiero Mas

Francinne fez parceria com o sul-coreano Spax

Veja o clipe da música Te Quiero Mas

Com o incentivo de Spax, Francinne começou a cantar em coreano e chamou a atenção de empresários do país asiático que moram no Brasil. O recrutamento da brasileira foi parecido com o que ouvimos falar sobre alguns idols. 

Como a LL Entertainment tem o objetivo de promover o intercâmbio cultural entre os países, Francinne viajou para a Coreia do Sul e passou três meses treinando lá. “Fui sabendo sobre a música e o videoclipe que ia gravar, e que ia ter que me dedicar porque eram só três meses. Fui sem ensaiar nada porque os produtores não queriam que eu pegasse vício de pronúncia. Fizemos vários ensaios até acharmos a forma de cantar mais próxima do k-pop. Foi um aprendizado muito incrível”. 

Há anos na indústria da música, Francinne agora pode comparar o comportamento dos artistas brasileiros com o dos coreanos. “Acredito que uma característica muito boa do k-pop é a perfeição e dedicação deles para cantar e dançar bem, de treinar e treinar. Não vejo muito isso aqui. Aqui você marca um videoclipe e tem três dias para ensaiar. Lá, é treino o tempo todo. Nas apresentações, não tem um braço torto. É tudo perfeito. Sinto falta disso no Brasil”, diz ela. 

Ponte aérea Brasil-Coreia do Sul

Francinne explica que o foco da carreira dela continua sendo o Brasil, mas que vai continuar a ir e voltar para a Coreia do Sul. “A gente quer trazer a cultura coreana para cá. Vamos fazer as versões em português das músicas, mas meus sons sempre vão ser produzidos lá. Já gravei a versão em português de Fading Like a Moon e mandei pra ser mixada e masterizada. Vamos fazer um videoclipe, vai ser bem legal”. 

Trilhar esse novo caminho pode parecer um desafio, mas está sendo um sonho na vida de Francinne. “É a fase mais confortável da minha carreira, porque o k-pop é o que eu sempre quis. É o pop, só que feito na Coreia, tem muita coreografia, uma coisa que me encanta”, diz ela. “Sinto uma responsabilidade quando dizem que sou idol. Não consigo mensurar isso porque é muito incrível e sempre foi uma coisa muito distante”.  

Francinne se encontrou na música, mas tem encarado o hate (ódio nas redes sociais) por ser uma brasileira no k-pop. “Estou levando na boa porque nunca tive hater. Estou até um pouco emocionada, porque quando a gente tem hater, é porque a gente tá no caminho certo”, comenta. 

“Recebo mais hate no TikTok, acho que lá as pessoas são mais jovens. Eles falam que estou fazendo apropriação cultural, mas eles não entendem a minha história. Não era o meu sonho virar idol, eu caí de paraquedas. O povo não aceita, não sei se é um pouco de ciúmes também”.

Show no forno

Apesar de receber comentários negativos, a gaúcha também conta com o apoio de fãs dos dois países, mas principalmente dos brasileiros que sonham em se tornar idols: “Muitos ficam felizes por eu ser a primeira idol sem ascendência porque eu abri portas para eles. Dou a maior força pra todo mundo porque se eu consegui, todo mundo consegue”. 

Muito inspirada pelo BTS, Twice e pelas solistas HyunA e Chung Ha, Francinne está preparando o show da nova fase da carreira. “Tenho frequentado muitas festas de k-pop para ver como é. Também vejo muitos shows e estudo quais são as melhores músicas que posso colocar nas minhas apresentações. Estou estudando muito, porque a gente não pode fazer nada meia-boca”, explica. 

Capa do clipe de Takedown, música que Francinne lançou anted do k-pop

Assista ao clipe de Takedown

Música dá nome ao EP de Francinne pré-k-pop

Além de incluir covers, Francinne pretende cantar nos shows as músicas de Takedown, EP com três faixas que ela lançou de maneira independente, e tudo o que vier a partir de Fading Like a Moon. “Tenho orgulho de tudo o que fiz, mas, nessa nova fase, prefiro cantar o que me sinto confortável. As outras músicas estão lá nas plataformas para quem quiser ouvir”. 

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Gabriela Ferreira

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Gabriela Ferreira é repórter de música e fissurada por música pop. K-popper desde 2018, é multi-stan e tem uma bias list maior do que o necessário.

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