MÚSICA

Megan Thee Stallion no Rock in Rio 2022

Reprodução/Multishow

Crítica

Megan Thee Stallion alivia fama de furões dos rappers no Rock in Rio

Depois das desistências de Cardi B e Jay-Z em outras edições, vencedora do Grammy não só veio como se divertiu bastante no palco Mundo

Luccas Oliveira
Luccas Oliveira

Megan Thee Stallion estreou no Brasil diretamente como coheadliner do Rock in Rio. Vencedora de três Grammys em 2021, só a presença da norte-americana no festival já deveria ser celebrada.

Depois da desistência de Cardi B em 2019, finalmente uma rapper mulher ganhou destaque no Rock in Rio. O gênero como um todo costuma ser uma pedra no sapato do festival. Em 2011, Jay-Z cancelou e foi substituído pelo Maroon 5. Na atual edição, o trio Migos desistiu de última hora, forçando a organização a escalar Jota Quest no último domingo (4).

E Megan Thee Stallion, uma das maiores rappers mulheres atualmente, veio para mostrar o que sabe. Vestida quase como uma passista de escola de samba, ela dançou muito, provocou a plateia e se divertiu com a multidão.

“Essa é a minha primeira vez no Brasil e eu já estou pronta para quebrar tudo. Vocês estão prontos para quebrar tudo?”, perguntou Megan entre palavrões censurados por esta reportagem.

Esbanjando atitude, presença e sensualidade que lhe são características, Megan veio mesmo com tudo. Ela compensou o fato de o rap mainstream ainda ter certa dificuldade de penetrar no público médio do festival —e do Brasil— com muito suor e seu flow ao vivo.

Os vocais auxiliares, como os refrões, eram pré-gravados, o que é comum no rap. Assim como os feats, no caso de WAP, hit que Megan soltou com Cardi B em 2020, já em plena pandemia.

“Eu quero saber como vocês fazem twerk no Brasil”, provocou ela antes de Thot Shit, também um hit pandêmico da rapper. Se os espremidos fãs da Dua Lipe não mostraram se sabiam, as cinco bailarinas e a própria estrela de 27 anos esbanjaram suingue no palco.

Megan Thee Stallion e os fãs

Ainda querendo saber como os brasileiros dançam, Megan ganhou minutos valiosos convocando fãs para acompanhá-la no palco em What’s New. Uma menina em específico trocou longo papo com a rapper, que se emocionou com o que ouviu.

Megan Thee Stallion acabou esticando demais a interação para convocar fãs da plateia. Divertiu uma dúzia e esqueceu das dezenas de milhares na pista.

Música mais escutada de seu catálogo no Spotify, atualmente, Sweetest Pie não teve a participação de Dua Lipa, que gravou o feat originalmente. Ela estava logo ali, no backstage, já que fecha esta edição do Rock in Rio. Mas Savage, que viralizou pelo remix com Beyoncé, divertiu a multidão.

Com seus versos explícitos sobre sexo, drogas e ostentação, Megan não garantiu coros ou interações como outras grandes atrações. Mas, apesar dos erros estratégicos, ajudou a tirar a má fama de furões dos rappers no festival, além de finalmente representar o hip hop feminino no palco Mundo.

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QUEM FEZ
Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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