Entrevista com Pabllo Vittar: Lolla, turnê, Coachella, feats - Tangerina
Entrevista

Onipresente em 2022, Pabllo Vittar também vai ocupar passarelas e TV

Em papo exclusivo com a Tangerina, a popstar fala sobre os planos para um 2022 agitado, com turnê mundial, Lollapalooza e feats

Divulgação/Ernna Cost

O editor de música da Tangerina, Luccas Oliveira, e Nicolle Cabral, repórter de música
Luccas Oliveira e Nicolle Cabral
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Atura ou surta: falaremos muito sobre Pabllo Vittar em 2022. Não que o nome da drag queen mais seguida do mundo no Instagram tenha sido pouco citado desde que ela surgiu, em 2016. Mas os próximos meses prometem lançamentos inéditos com Anitta, Rina Sawayama e Duda Beat, estreia no Lollapalooza, shows no badalado festival californiano Coachella, turnê europeia com a amiga Urias, giro pelo Brasil e muito mais.

Aliás, neste papo exclusivo, Pabllo conta à Tangerina que a agenda não vai parar na vida de popstar: ela quer se dedicar às passarelas e à atuação.

I Am Pabllo

Tangerina: Seu novo lançamento saiu nesta quinta-feira, 3, a performance de Lovezinho, com Ivete Sangalo, filmada durante o show virtual I Am Pabllo. Na época da divulgação do show, você disse que ia guardar este trecho para soltar “num momento especial”. Por que agora?

Pabllo Vittar: A música é do álbum 111 (2020), mas eu nunca tinha feito a performance ao vivo dela com a Ivete, que é uma das minhas maiores inspirações musicais, desde criança. A gente teve o prazer de gravar essa música no projeto I Am Pabllo e está muito lindo. Então, é mais para gente trazer essa performance ao vivo para que todo mundo veja.

A minha carreira meio que é um elemento da natureza. Eu não consigo controlar

Pabllo Vittar

Cantora

Tangerina: Com isso você fecha a divulgação audiovisual de I Am Pabllo?

Pabllo Vittar: Sim. A gente já está preparando o meu próximo lançamento inédito e está muito legal. Vai ser um feat com a Rina Sawayama, vem logo aí.

Tangerina: Em I Am Pabllo, você escolheu os quatro elementos da Terra para destacar cada fase da sua carreira. Tem alguma explicação por trás?

Pabllo Vittar: Ficou uma coisa bem Avatar: A Lenda de Aang, né, gata? Eu escolhi os quatro elementos porque a minha carreira meio que é um elemento da natureza. Eu não consigo controlar, ela vai e vem, e me leva para lugares incríveis. Também queria destacar os meus quatro álbuns de estúdio [Vai Passar Mal, Não Para Não, 111 e Batidão Tropical], cada um representando um elemento natural.

Pabllo Vittar em performance da música A Lua, no show virtual I Am Pabllo

Veja a performance de A Lua

Clipe é um dos sucessos de I Am Pabllo

Pabllo Vittar para sempre?

Tangerina: Recentemente, em entrevista ao podcast do Mano Brown, Gloria Groove comentou que a persona de drag queen pode não ser a única coisa que ela vai fazer, artisticamente. Um recurso que está mudando a vida dela, mas que pode não estar ali para sempre. A Pabllo Vittar vai ser a sua persona artística para o resto da carreira? 

Pabllo Vittar: Eu não gosto de me limitar a nada. Acho que quem se limita, se estrumbica. Mas eu amo o que eu faço, eu amo estar Pabllo Vittar, a energia, essa vibe popstar. Isso me dá muita força sabe? Para o Phabullo conseguir passar pelos dias ruins, a Pabllo Vittar ajudou muito. Mas concordo com Gloria, também. Acho que a gente é muito plural, podemos ir para vários lados, mas eu amo fazer o que eu faço. Eu quero muito ver a Pabllo Vittar modelando.

Quero muito me aprofundar no mundo fashion. Quero trabalhar com marcas que eu admiro, desfilar para designers que eu gosto. Não só do Brasil, mas pelo mundo. E também quero ver a Pabllo atuando

Pabllo Vittar

Cantora

Tangerina: Conta mais.

Pabllo Vittar: Em 2022, eu quero muito me aprofundar no mundo fashion. Quero trabalhar com marcas que eu admiro, desfilar para designers que eu gosto. Não só do Brasil, mas pelo mundo. Então, podem esperar a Pabllo Vittar na passarelas, fotografando. É algo que faz parte de mim, não só necessariamente cantar nos palcos. Mas quero ver também a Pabllo Vittar atuando. Amo falar na terceira pessoa, acho muito chique [risos].

Tangerina: E a Pabllo Vittar apresentadora de TV?

Pabllo Vittar: Sim, eu amo apresentar também, acho que já está enraizado em mim. Este ano, estreia o programa que eu apresento com a Luísa Sonza, o Queen Stars Brasil, e foi uma experiência muito fod*. A gente passou um mês gravando e apresentando. Eu amo porque quando eu era viadinho, uma criança viada, eu ficava na frente da TV: “agora não sai daí que a gente já volta”. [risos]

Shows no Lollapalooza

Tangerina: Por falar em turnê internacional, você volta a rodar o mundo este ano. Mas, antes, tem os shows nos Lollapalooza Brasil, Chile e Argentina. O que você pode adiantar dessas performances na América do Sul?

Vai ser [barulhos animados] incrível. Tô preparando um show que vai ser pop e potente. Eu quero estar ali em contato com os meus fãs e fazer com que eles se sintam dentro desse universo que eu vou levar para o Lollapalooza Brasil e para os outros, também. Looks, coreografias, vocais. Vai ser um show realmente que vai marcar, tô muito ansiosa, só isso que posso falar [risos].

Tangerina: Quais shows do line-up do Lollapalooza você vai tentar assistir? E artistas que você quer tietar nos bastidores?

Pabllo Vittar: Tem, tem, tem! Eu quero muito rever o show da minha amiga Ashnikko, que eu conheci lá no México. A gente trocou WhatsApp. Ela falou assim: ‘mano, vamos fazer uma música. Vem aqui em LA e tal’. Quando eu estava em Los Angeles, ela mandou mensagem para mim. Enfim, eu quero muito rever o show dela, que é muito fod*. Quero muito ver Doja Cat! Quero ver muita gente, tirar foto. Espero que dê tempo de fazer tudo o que eu quero.

Sonho com o Rock in Rio

Tangerina: Por falar em festival, lembro do rebuliço que você causou no Rock in Rio, em 2017, quando fez uma apresentação surpresa no palco de um patrocinador. Desde então, existe essa expectativa por uma performance sua no evento. Você também tem essa vontade, essa esperança?

Pabllo Vittar: Ah, eu ainda tenho esperanças do Rock in Rio, é um dos festivais que eu mais amo. Queria fazer uma participação, fazer alguma coisa com alguma marca, algum show. Sempre amo falar daquela energia maravilhosa, eu lembro do último que eu fui. Meu Deus, eu me diverti muito! Assisti ao show da Jessie J, da Ivete, ali na frente. Vai ter várias amigas minhas fazendo shows no Rock in Rio 2022 e eu espero conseguir ver os shows delas. E que eu consiga também fazer um nesse festival que é tão legal e que marca minha história desde pequenininha. Quantas pessoas legais eu já não vi nesse festival, da Beyoncé, Rihanna… Seria uma honra cantar no [mesmo] palco. 

Pabllo Vittar no Coachella

Tangerina: Você está no line-up do Coachella, um dos festivais mais badalados do mundo. O que muda na sua preparação quando é um show em festival internacional?

Pabllo Vittar: Nossa, é outro público, né? O público brasileiro é muito exigente, muito mesmo. Eles estão atentos aos detalhes, então eu gosto de deixar tudo alinhado. Sou o tipo de artista que gosta de ensaiar com a roupa que vou me apresentar, gosto de passar o som antes de fazer o show. Essas coisas que parecem ser tão pequenas, mas são muito importantes. Para o Coachella, por exemplo, todo o meu show eu vou ensaiar no palco que já foi desenhado. Vou antes para Los Angeles ensaiar para poder deixar tudo refinado. 

Tangerina: O que está preparando para esses shows?

Pabllo Vittar: A gente vai começar a gravar os interlúdios antes. O repertório em si é uma coisa de suma importância, porque é um público que vai me ver pela primeira vez, em grande maioria. Fico muito preocupada, penso em qual sonoridade eu vou colocar no primeiro bloco, no segundo, no terceiro. Como que eu vou terminar esse show para deixar tudo redondo? Então, eu me preocupo muito com isso e fico muito ansiosa também. Eu estou trabalhando bastante agora com a volta do shows e quero saber de tudo. Que música começa, que música termina. Estava morrendo de saudades disso. Mas, sim, é muito diferente fazer um show aqui e fazer um show fora.

Turnê europeia com Urias

Tangerina: Na agenda da sua turnê europeia, chama a atenção uma data em Varsóvia, na Polônia, que é um país conservador e, muitas vezes, homofóbico. Qual é a importância de estar presente nesses lugares lá fora? E que cuidados você pensa em tomar?

Pabllo Vittar: É importante para poder dar voz às pessoas que vivem lá e que são como eu. Pessoas que são da comunidade LGBTQIA+, que não tem esse aval, essa possibilidade de ser quem são de verdade. Fico imaginando o quão triste isso é, porque eu me sinto totalmente livre e confiante, e quero que os meus fãs também se sintam assim, mesmo que eles vivam em países como esses, totalmente conservadores, e que não têm uma visão aberta quanto a gente tem no Brasil. É muito triste. Quando estou no palco nesses lugares, parece que eu quero explodir mil vezes mais, para dar força e levar um pouco de carinho e afago para os fãs. 

Tangerina: E você vai levar a Urias para te acompanhar nessa parte europeia da turnê.

Pabllo Vittar: Óbvio, óbvio [risos]. Minha peligrosa vai estar comigo em várias datas, abrindo os shows. Eu me sinto muito honrada, porque crescemos juntas, eu sou amiga de Urias desde 2013. Na época. eu não era Pabllo Vittar, ela não era Urias ainda, a gente ainda estava galgando o nosso lugar no palco. Eu olho tudo o que ela vem conquistando e sou muito orgulhosa dessa garota.

Lançamentos inéditos

Tangerina: Mais cedo você citou um feat com Rina Sawayama e soubemos de outro com Anitta. Então, 2022 não vai ser só um ano de agenda cheia, mas também de lançamentos inéditos?

Pabllo Vittar: Com toda certeza! Podem esperar lançamentos, feats… Voltando da turnê internacional, tem os shows marcados aqui no Brasil, para os meus fãs de São Paulo e do Rio. Estamos preparando um show incrível para a galera de São Paulo. Mas vou poder conciliar, sim, lançamento, show, turnê. Igual aquele meme da Lady Gaga: “Another club, no sleep, bus, another club”.

Dias ruins na pandemia

Tangerina: Estamos vislumbrando um fim da pandemia, com a volta dos shows. Mas o que você fez nesse período difícil, longe dos holofotes? Do que você vai lembrar desse período tão estranho que a gente viveu?

Pabllo Vittar: Eu vou lembrar que os dias ruins também servem para deixar a gente forte. Passei por muitos dias não tão belos. A ansiedade me consumiu muito no tempo ocioso, em que eu estava em casa. Eu lidei com várias questões pessoais e questões de trabalho, também. Eu vou levar isso, sabe? Não se sentir culpado pelas coisas que acontecem e saber que a gente também não pode abraçar tudo, porque não somos um polvo. Tem dias que a gente está mais feliz, tem dias que estamos mais tristes. Mas tudo passa, até uva passa. É isso que eu vou levar. 

Passei por muitos dias não tão belos. A ansiedade me consumiu muito no tempo ocioso, em que eu estava em casa

Pabllo Vittar

Cantora

Tangerina: Você passou parte do isolamento em Uberlândia. Foi um processo desafiador voltar para lá, depois de se tornar uma popstar, e ter que encarar esse realidade onde tudo estava fechado?

Pabllo Vittar: Foi muito difícil. Imagina que eu estava a todo vapor, viajando o mundo todo, tinha acabado de voltar de Sydney, Austrália, feito um show incrível. Fiz o meu carnaval maravilhoso por todas as partes do país e em Salvador. Então, como eu falei, lidei com questões que só parando mesmo para eu poder enxergar. E tiveram dias que eu realmente não queria nada, queria sumir. Queria abrir um buraco no chão e me jogar lá dentro. Mas, graças a Deus, tenho os meus fãs, as pessoas que me ajudam, minha família, minha mãe… E terapia, meninas! Façam a terapia!

O que refresca a cabeça de Pabllo Vittar

Tangerina: Você já disse que não é Pabllo Vittar 24 horas por dia. O que refresca sua cabeça quando você não é a popstar? O que te ajuda a desanuviar?

Pabllo Vittar: Sair com as minhas amigas, tomar uns drinks, falar de coisas banais. Tipo, “ai, ontem eu comi tal coisa”. Sabe essas coisas bem bobas? Não ficar falando de Instagram, de número, de fofoca dos outros. Gata, não me interessa o que fulana fez. Acho que as pessoas têm que voltar a fazer mais coisas banais, conversar com seus amigos, com a sua família, sair para andar de bike, para andar na rua, ver gente. É isso que me desanuvia.

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QUEM FEZ
Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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