FILMES E SÉRIES

Doutor Estranho

Divulgação/Marvel

Crítica

Doutor Estranho 2 se perde em enxurrada de referências nerds

Novo filme da Marvel que estreia nesta quinta (5) veio para estabelecer de vez o conceito de Multiverso na nova fase do MCU, mas escorrega no excesso de referências e cai na armadilha da vilã louca

Gabriela Franco

Gabi Franco

“Quantos filmes da Marvel eu vou precisar ver pra entender esse?”. Pois a vida imita o meme. Depois de muita gente brincar com o fato de todos os filmes do estúdio estarem ligados e não funcionarem isoladamente, chega Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022), dirigido pelo célebre Sam Raimi (Homem-Aranha 1, 2 e 3), e abusa das referências —e da paciência do público. 

O filme estrelado por Benedict Cumberbatch joga para todos os lados menções a elementos dos quadrinhos e de filmes de terror, transformando a mais nova aposta do MCU (Universo Cinematográfico Marvel) em uma grande salada nerd e confirmando a piada recorrente.

No geral, o longa é um grande pipocão que homenageia a fase clássica e lisérgica do Doutor Estranho nos quadrinhos (décadas de 1960/1970), da qual inclusive o diretor já disse que é fã.

Mas se perde na tentativa de ligar justamente todos os pontos que o conceito de Multiverso oferece, inserindo novos elementos que fazem parte das HQs ou das séries complementares que estão em cartaz no Disney+, como What If…. No entanto, sem contexto algum para o público em geral, acaba ficando tudo muito confuso. E sim, você vai precisar ter visto a série WandaVision para entender grande parte do filme.

Na trama, Stephen Strange (Cumberbatch) precisa proteger a garota America Chavez, (Xochitl Gomez), um ser de um universo paralelo que vem parar em sua realidade por ter o poder de viajar entre diferentes dimensões. Chavez é perseguida por Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen), a Feiticeira Escarlate, que está infinitamente mais poderosa do que jamais esteve por ter dominado as magias sombrias do livro das trevas, o Darkhold. 

Por meio do livro, Wanda descobre o Multiverso e, em algumas das realidades que vislumbra, encontra uma versão de si mesma feliz, com os filhos, o que não acontece na realidade em que está. Tomada pelo poder sombrio e implacável do livro dos condenados, a Feiticeira Escarlate pretende usar o poder de America Chavez para acessar a realidade que mais lhe agrada, nem que para isso tenha que sacrificar a garota.

Trailer de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Uma deusa, uma louca, uma feiticeira

Aqui, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura é mais um filme de herói que abusa do clichê da mulher que tem um colapso nervoso e sai fazendo sandices —só que, no caso, essa mulher é um ser ultra poderoso capaz de controlar mentes e modificar realidades. 

A jornada da heroína no filme, da perda de limites até a conscientização de seus atos e, por fim, sua redenção, seria um enredo interessantíssimo se não fosse exatamente o mesmo já trabalhado anteriormente na série WandaVision. Muito bem trabalhado, aliás. Com calma, cuidado e delicadeza.

No filme, esse enredo é jogado de qualquer jeito, simplesmente porque precisavam de uma vilã. Um recurso pobre e que invalida praticamente toda a narrativa de WandaVision. Na série, arrasada pela morte de Visão, seu amado que perece na guerra contra Thanos, Wanda sem querer joga um feitiço em uma cidade inteira e cria uma realidade em que vive com uma família feliz. Mas, ao final, ela percebe o erro que cometeu e abre mão dessa felicidade inventada para fazer a coisa certa. 

No entanto, Doutor Estranho 2 ignora tudo isso. Um novo descaso com uma das heroínas mais poderosas da Marvel.

Doutor Estranho

Wanda, possuída pelo Darkhold

Divulgação/Marvel

Chuva de fanservices

O filme vale, isso sim, por aparições muito esperadas por fãs, pelos sustos e por recursos de “terrir” e “gore” —a estética que é marca registrada de Sam Raimi. Vale também, principalmente, pela introdução de America Chavez, um dos pilares para a apresentação dos Novos Vingadores, uma clara passagem de bastão dos Vingadores tradicionais. Ainda assim, agora com o multiverso, nada impede que os heróis clássicos apareçam em “outras versões” por aí. 

Novamente, fazendo um resumo, é uma enxurrada de referências nerds que não vai fazer sentido para quem não viu as séries e filmes anteriores ou é fã das HQs, e só serão contextualizados adiante, em outras produções. Diverte, mas não muda vidas.

Leva que tá doce: É um filme necessário para você entender a nova fase da Marvel. Mas esse negócio de ter que fazer “lição de casa” e ser obrigado a assistir todos os filmes do MCU para entender os elementos da história já está cansando bastante.

Dois pelo preço de um: A série WandaVision. Não tem nem como não citá-la depois disso.
Presta atenção, freguesia: Na participação do ator Bruce Campbell, que não tem nada a ver com a Marvel, mas é o ator de estimação de Sam Raimi por conta da trilogia Uma Noite Alucinante, que tornou o diretor famoso no nicho do terror.

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Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Ação/Terror
14
Direção
Sam Raimi
Produção
Kevin Feige
Onde assistir
Nos cinemas
Elenco
Benedict Cumberbatch
Elizabeth Olsen
Xochitl Gomez
Rachel McAdams
Benedict Wong
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QUEM FEZ
Gabriela Franco

Gabi Franco

Editora de filmes e séries na Tangerina, Gabi Franco é criadora do Minas Nerds, jornalista, cineasta, mãe de gente, pet e planta. Ex- HBO, MTV, Folha, Globo… É marvete, mas até tem amigos DCnautas.

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