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Cena da série Ozark

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Crítica

Infelizes para sempre: Não há luz no fim do túnel de Ozark

O encerramento do sucesso da Netflix tem tudo para satisfazer aos fãs que têm senso de humor sombrio e não esperam redenção

Rafael Argemon

Rafael Argemon

Da primeira cena do piloto à última de seu episódio derradeiro, Ozark nunca deu um minuto sequer de descanso a seus protagonistas. Para a alegria dos fãs da série da Netflix, que chega à sua conclusão com o lançamento da segunda parte de sua quarta e última temporada nesta sexta-feira (29). 

Injustamente comparada a Breaking Bad (2008 – 2013) quando estreou na plataforma, em 2017, Ozark é o extremo oposto da saga de redenção às avessas do professor de química bonzinho que se transforma em um implacável traficante. Na série estrelada por Jason Bateman, Laura Linney e Julia Garner não existe nada relacionado à mudança. No mundo de Ozark ninguém é incorruptível. E se você vacilar, morre. Simples Assim.

Enquanto em Breaking Bad as situações limite são construídas com extrema paciência, em Ozark nós simplesmente não temos tempo para respirar. Os problemas enfrentados pelo casal Marty e Wendy Byrde (Bateman e Linney, respectivamente) se acumulam numa montanha russa dos infernos que conquistou muitos admiradores de estômago forte e nervos de aço.

No final da terceira temporada e primeira parte da quarta, a advogada do Cartel Navarro Helen Pierce (Janet McTeer) leva uma bala na cabeça assim que chega na mansão de Omar Navarro (Felix Solis). Assim, Marty e Wendy se transformam nos principais braços do poderoso chefe do tráfico de drogas nos Estados Unidos. Mas se as coisas “vão bem” no trabalho, na casa da família Byrde, a relação com o filho mais novo, o prodígio da lavagem de dinheiro Jonah (Skylar Gaertner), vai de mal a pior.

Jason Bateman e Laura Linney em cena de Ozark

Trailer da parte 2 da quarta temporada de Ozark

Ozark chega na beira do abismo na aguardada conclusão da série da Netflix

Ele topa trabalhar para Ruth Langmore (Julia Garner); que, por sua vez, presta serviço para a incontrolável Darlene Snell (Lisa Emery) –que casou e teve um filho com o primo de bom coração de Ruth, Wyatt (Charlie Tahan)– em sua produção de heroína.

Sede de vingança

Para conseguir satisfazer os desmandos do sobrinho de Omar Navarro, Javi Elizonndro (Alfonso Herrera), que não vai com a cara de Marty e Wendy, os Bryde conseguem um acordo de fornecimento de heroína para uma empresa farmacêutica de má reputação. 

Mas Elizondro não quer saber de livre mercado, e quer porque quer eliminar a concorrência de Darlene. Por mais que os Byrde não concordem com isso, Javi mata Darlene e Wyatt, deixando Ruth furiosa e com sede de vingança.

E já que tudo que está ruim pode ficar ainda pior, um investigador particular contratado pelo ex-marido de Helen Pierce, o ex-policial Mel Sattem (Adam Rothenberg), aparece em cena atrás da defunta para que ela assine os papéis de seu divórcio. 

E olha que esse resumo não detalha outros abacaxis azedos que os Byrde têm de descascar em sua tentativa de sair da vida de crime e se transformar em respeitáveis e poderosos empresários do interior do estado de Missouri.

Em Ozark, ninguém se salva

Ozark nunca foi dado a sutilezas. Seus personagens têm diversos esqueletos no armário e só pensam em uma coisa: prosperar. Seja por meio do dinheiro, da política, do crime ou de tudo isso junto. O grande barato da série é provocar pequenos ataques cardíacos no espectador a cada episódio, e é exatamente isso que a última parte da última temporada faz.

A única mensagem que fica é de que a humanidade não presta e ninguém, absolutamente ninguém, se salva. Todo mundo quer alguma coisa e fará de tudo para conseguí-la. 

Se você está esperando ver alguma coisa alto astral, já deveria saber que Ozark não é a sua praia. Agora, se você tem um senso de humor sombrio o suficiente para se divertir com esse estudo do capitalismo na sua essência mais selvagem, pode ter certeza que vai amar cada cena dessa conclusão em que todos serão infelizes para sempre.

Dois pelo preço de um: Já que Ozark e Breaking Bad vão ser sempre comparadas entre si, por que não ir pelo “caminho do meio” e encarar Better Call Saul?

Presta atenção, freguesia: Na energia absurda que a ainda bastante jovem Julia Garner coloca em sua atuação como Ruth Langmore. Ela rouba o show em qualquer momento em que está em cena.

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Pôster da série Ozark

Ozark (quarta temporada - parte 2)

Crime / Policial / Drama
18
Direção
Bill Dubuque (criador)
Produção
Netflix
Onde assistir
Netflix
Elenco
Jason Bateman
Laura Linney
Julia Garner
Sofia Hublitz
Skylar Gaertner
Charlie Tahan
Felix Solis
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QUEM FEZ
Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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