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George R. R. Martin com um dos seus Emmys

Divulgação/Emmy/Invision/AP

Game of Thrones

Casa do Dragão: R. R. Martin quer vencer ‘duelo’ contra Anéis do Poder

'Se eles ganharem seis Emmys, e espero que ganhem, quero que a gente ganhe sete!', afirma autor

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

George R. R. Martin, o consagrado criador do universo de Game of Thrones, é um sujeito competitivo. Em longa entrevista ao jornal inglês The Independent, o escritor não fugiu da comparação entre A Casa do Dragão, série derivada de GoT, e Os Anéis do Poder, produção inspirada no universo de seu mestre, J. R. R. Tolkien.

“Eu li diversas matérias e sei que estão criando uma espécie de batalha pela supremacia da fantasia. É Os Anéis do Poder versus A Casa do Dragão. Não entendo o motivo de sempre fazerem isso”, começou R. R. Martin, antes de se posicionar. “Eu espero que ambas as séries tenham sucesso. Eu sou competitivo o bastante. Espero que tenhamos mais sucesso. Se eles ganharem seis Emmys —e espero que ganhem—, quero que a gente ganhe sete”.

Emma D'Arcy e Matt Smith na série House of the Dragon, variação de Game of Thrones

Emma D'Arcy e Matt Smith na série House of the Dragon, variação de Game of Thrones

Divulgação/HBO

Como bom fã de Tolkien, George R. R. Martin também está ansioso para assistir a Os Anéis do Poder. No entanto, ele alfinetou o acordo feito pela gigante do streaming. “É um negócio estranho. Amazon comprou Tolkien, mas na verdade não pegou nenhum dos livros”, comenta. “Eles não pegaram O Senhor dos Anéis, não pegaram O Hobbit, não pegaram nem O Silmarillion, mas pegaram os apêndices, eu acho, e estão construindo uma história na Segunda Era sobre isso. Existem muitos mitos sobre isso, então vai ser interessante ver o que eles fizeram”.

Nazanin Boniadi e Ismael Cruz Cordova em cena de Os Anéis de Poder

Nazanin Boniadi e Ismael Cruz Cordova na série Os Anéis de Poder

Divulgação/Prime Video

De sua parte, o autor já assistiu a alguns cortes bem brutos de A Casa do Dragão. Apesar de apostar no sucesso da série, George R. R. Martin sabe que é impossível prever a reação dos fãs de Game of Thrones. “São personagens diferentes, outra época. É o mesmo mundo, mas uma história diferente. Essa profissão é uma grande aposta. Você conta sua história, e depois vê se eles aplaudiram de pé ou se levaram frutas podres para atirar em você no teatro. Se jogarem, você tem apenas que correr para os bastidores e inventar outra história para contar da próxima vez. É isso que eu faço, sou um contador de histórias”, cravou.

‘Star Wars mata mais do que eu!’

A entrevista ao jornal inglês é repleta de pérolas. Em outro momento, o autor fala sobre seu apreço por dramatizar a morte, e cita o Casamento Vermelho como grande exemplo de sucesso (“as pessoas realmente sentiram a morte”). E aproveitou para fazer um paralelo com outro sucesso da cultura pop.

“Star Wars mata muito mais personagens do que eu!”, compara. “No primeiro filme, eles explodiram o planeta de Alderaan inteiro, algo como 20 bilhões de pessoas estavam lá, e todas morreram. Mas, quer saber? Ninguém liga. Nós não conhecemos o povo de Alderaan. Não sentimos a morte deles. É apenas estatística. Se você vai escrever sobre morte, você deve senti-la”.

No papo, George R. R. Martin também aproveitou para explorar um dos seus assuntos mais recorrentes, recentemente: os fãs que se transformam em haters. “Eu não entendo como as pessoas podem passar a odiar tanto algo que um dia amaram”, questiona. “Se você não gosta de uma série, não assista! Como tudo se tornou tão tóxico?”.

A Casa do Dragão estreia no dia 21 de agosto, na HBO. Ambientada dois séculos antes dos eventos de Game of Thrones, a série prólogo de dez episódios vai mostrar ascensão e a queda da Casa Targaryen (da qual faz parte Daenerys, personagem vivida por Emilia Clarke na série original) por conta de uma amarga e brutal guerra civil conhecida nos livros como a Dança dos Dragões.

A série foi criada pelo autor George R. R. Martin e Ryan J. Condal (da série Colony) e é baseada no romance Fogo & Sangue, escrito por Martin. 

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Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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