MÚSICA

Colecionadora de vinil olha LP de Elvis Presley em loja

Jamakassi/Unsplash

Vinil

Um guia básico para te ajudar a colecionar discos de vinil

Saiba onde comprar discos, lojas confiáveis, os melhores modelos de vitrola, quando trocar a agulha e fique pronto para começar a sua coleção de LPs

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Não dá para negar: o disco de vinil está de volta e com cheiro de novidade. Na semana que antecedeu o Natal de 2021, 2,11 milhões de LPs foram vendidos só nos Estados Unidos, segundo a Billboard, o maior número desde 1991. No Brasil, por conta da demanda, as fábricas estão com filas de espera que superam 15 meses para produzir novos discos.

Cada vez mais, a boa e velha vitrola aparece sendo manuseada por um personagem jovem em algum filme ou série recém-lançada. E estrelas pop, como Olivia Rodrigo, Billie Eilish, Adele, Ed Sheeran e Bad Bunny, têm encarado o vinil como um produto fundamental para suas linhas de merchandising —cada álbum ganha diferentes versões de capas e de cores do LP, de olho nas novas gerações.

Ao contrário das plataformas de streaming, porém, ouvir música em toca-discos exige muito mais do que apenas escolher a canção e apertar o play. Por outro lado, a experiência também entrega muito em termos de qualidade sonora e de mergulho sensorial no disco em questão. 

Por ser um universo novo para muita gente, a cultura do vinil pode gerar diversas dúvidas em quem está começando nesse universo. Para evitar que sua experiência fique azeda, a Tangerina preparou um guia com perguntas e respostas básicas que podem te ajudar a espremer o melhor que o vinil tem a oferecer!

LP amarelo do primeiro disco da cantora Billie Eilish

Artistas pop como Billie Eilish têm investido em diferentes versões de LPs

Vitaly Mazur/Unsplash

Como escolher uma vitrola?

Primeiramente e ACIMA DE TUDO, evite modelos do tipo “maletinha”, por mais práticos, bonitos e baratos que possam parecer. Esses toca-discos danificam os LPs, principalmente os discos mais novos, que costumam ter 140 ou 180 gramas. Além de estragar a bolacha, a experiência em si fica ameaçada: muitos LPs de 180g não rodam corretamente nas maletas, emperram em trechos ou pulam. Você pode achar que o problema é do disco, tentar trocar na loja ou pedir reembolso, mas o problema vai voltar, cedo ou tarde. 

Isso acontece porque vitrolas maletas não têm contra-peso nem anti-skating, funções fundamentais para não danificar o sulco do vinil e para equilibrar a força centrífuga do toca-discos, respectivamente. Então, ao buscar uma vitrola, é fundamental comprar uma que tenha essas funções no braço do aparelho.

Exemplo de vitrola do modelo 'maleta', que é prejudicial ao disco

Vitrola maletinha: prática e charmosa, mas um pesadelo para os seus LPs

Ryan Arnst/Unsplash

Priorize modelos novos como os da Audio-Technica, Technics, Project e Polyvox. Esses costumam custar a partir de R$ 1 mil e não têm erro. Caso o orçamento não permita tal investimento, a saída é procurar uma vitrola usada, vintage, cujos preços podem variar entre R$ 300 e R$ 1 mil. Modelos como Philips “geleião” e alguns da Raveo e Gradiente são muito buscados, mas a lista de aparelhos antigos de boa qualidade é enorme. 

Procure um vendedor de confiança na sua cidade, atente-se à presença de anti-skating e contra-peso e vá na fé. Antes de efetuar a compra, busque o modelo no YouTube e assista a reviews que vão te ajudar tanto a saber mais sobre o aparelho quanto a entender como montar e instalar.

É importante entender, também, se a vitrola tem pré-amplificador interno ou não —um sistema que recebe o sinal de áudio e amplifica o volume antes de chegar às caixas de som. Sem ele, o toca-discos não funciona. Muitos aparelhos novos já vêm com o pré-amp embutido. Caso o seu não tenha, procure um externo ou um receiver. Eles controlam o som que vai para as suas caixas.

Onde comprar uma vitrola?

Modelos novos da Audio-Technica, Technics, Project e Polyvox são vendidos pelas próprias empresas, mas também em sites como Amazon e no Mercado Livre. Muitas lojas físicas de eletrônicos, como as de shoppings, vão tentar te empurrar uma maletinha. Mais uma vez, evite essa cilada. Toca-discos usados estão à venda no Mercado Livre e Shopee, assim como em grupos de Facebook, mas priorize vendedores que estão na sua cidade, para que você possa averiguar o estado do aparelho e evitar danos no transporte. 

Foto de uma vitrola Technics, modelo indicado para colecionadores

Vitrolas com sistemas mais robustos de anti-skating e controle de peso na agulha, como esta da foto, são recomendadas

Velvet/Unsplash

Onde comprar agulha para toca-disco de vinil?

A escolha da agulha/cápsula é uma parte fundamental para o colecionador de discos de vinil. Em aparelhos novos, elas vêm de fábrica e quebram um galho e tanto. Caso você seja exigente, indicamos pesquisar e assistir a vídeos no YouTube para encontrar aquelas que melhor se encaixam na sua demanda. 

Como dicas básicas, é importante evitar cápsulas de cerâmica e priorizar as agulhas elípticas, que são as mais recomendadas para uso caseiro. 

Para comprar agulhas e cápsulas, indicamos lojas de música especializadas em vinil, a Amazon, vendedores de credibilidade no Mercado Livre e Shopee, ou os próprios sites das fabricantes.

Quanto tempo dura uma agulha de toca-discos?

Varia de modelo a modelo e a própria fabricante da agulha costuma apontar o tempo de vida recomendado. Em média, cerca de mil horas de uso, então também vai depender do quanto você pretende aproveitar sua vitrola. Os mais preocupados anotam o tempo de uso para controlar, mas não precisa de tanto. Caso você use a vitrola 14 horas por semana, por exemplo, sua agulha vai durar cerca de 1 ano e 5 meses.

Quanto custa um disco de vinil?

A resposta depende de muitos fatores. O preço de mercado de um disco de vinil simples novo, lacrado, costuma girar por volta de R$ 130. Um duplo, mais ou menos R$ 170. Se for importado, esse valor pode dobrar, triplicar ou ser até cinco vezes maior. LPs esgotados no mercado comum também são consideravelmente mais caros.

Captura de tela mostra cópias originais do disco Paêbirú sendo vendidas por mais de R$ 20 mil

Valor de uma cópia rara do LP Paêbirú pode chegar a R$ 40 mil em sites como Discogs

Quanto aos usados, os melhores preços sempre são encontrados em garimpos mais profundos por sebos, feiras ou caçando colecionadores que estejam abrindo mão de seus discos. LPs com prensagens altas, fáceis de achar, costumam girar entre R$ 10 e R$ 50. Os mais raros, como Paêbirú (de Lula Côrtes e Zé Ramalho) e Krishnanda (de Pedro Sorongo), podem chegar a mais de R$ 40 mil. 

O site Discogs é um bom parâmetro para saber o preço médio de um disco —atente-se à edição específica que você procura, já que isso também impacta no valor. 

Onde comprar discos de vinil baratos?

Tente procurar feiras de antiguidades (especializadas em vinil ou não) e sebos de confiança na sua cidade. Estas costumam ser as melhores opções, assim como lojas especializadas. Mas a pandemia também fez a venda virtual explodir.

Listamos algumas opções abaixo:

Grupos de Facebook 

São ótimos fóruns para tirar dúvidas sobre o universo do vinil, encontrar discos à venda e também entender como funcionam clubes de assinatura. Indicamos esses aqui: Amigues do Vinil (música brasileira), Troca de Vinil das Revistas Noize & Três Selos (clubes de assinatura), Bolachas do Século XXI (música brasileira contemporânea), Fundão do Vinil (música pop internacional e nacional) e Discos de Vinil – Brasil (geral, mas inspira cuidado com possíveis golpes).

Lojas virtuais confiáveis

Casa da Mia Discos (SP), Made in Quebrada (SP), Locomotiva Discos (SP), Secilians Shop (SP), Fatiado Discos (SP), Sabiá Discos (SP), Patuá Discos (SP), Baratos Afins (SP), Brasil Vinyl (SP), Bambas Discos (DF), Music Matters (RS), Pindorama Discos (SP), UP LPs (SP), Maraca Discos (RJ), Vinyl Land (MG), DaGringa (ING/RJ), Papisa Discos (SP), Direct Discos (CE), Loud Love Vinyl (SP), Bilesky Discos (SP). 

Para discos importados, a dinamarquesa Imusic.dk tem preços quase imbatíveis e as compras costumam chegar no Brasil em poucas semanas. Uma boa dica é comprar um ou dois LPs por vez, para evitar fretes mais caros.

Outras opções

A Amazon tem vendido muitos discos de vinil lacrados —às terças-feiras, a gigante do varejo faz promoções ao longo do dia, em intervalos periódicos. Além dela, Mercado Livre e Shopee também contam com muitos vendedores e lojas, mas é bom, claro, checar a credibilidade na plataforma. 

Dicas para comprar discos de vinil

Como qualquer mercado em ascendência, o de vinil tem seus golpes e armadilhas. A pirataria cresceu em 2021, principalmente em páginas de Instagram. Desconfie de preços muito abaixo do mercado e, mais ainda, de discos verdes —os LPs piratas costumam ser feitos de um material esverdeado de baixa qualidade. 

Quando for comprar de vendedores em grupos de Facebook, caso não conheça nem tenha indicações de ex-clientes, priorize aqueles que aceitem vender por Mercado Livre e Shopee, onde é possível reaver seu dinheiro. Não se prive de pedir fotos e vídeos para saber o real estado do disco, principalmente em usados.

Onde vender discos de vinil?

A grande maioria das lojas listadas acima também compram discos de vinil usados. Caso tenha paciência, catalogue a coleção e indique a condição do disco e da capa —o Discogs também ajuda a precificar e delimitar cada nível de qualidade. Se tiver pressa, busque sebos e/ou lojas próximas da sua casa que aceitem comprar lotes inteiros.

Como guardar discos de vinil?

Nunca empilhe os discos horizontalmente. Caso contrário, há grande risco de empenamento e inutilização das mídias. O ideal é guardar os LPs na vertical/inclinado. Faça uso de plásticos externos e separe os discos de vinil em grupos de dez a 20 cópias (30, no máximo), intercalados por divisórias. 

Estante organizada com discos de vinil e vitrola

Se possível, tente replicar um esquema de organização de discos parecido com o da foto

Jon Tyson/Unsplash

O local onde você vai guardar seus LPs deve ser arejado e longe da incidência direta do sol. Estantes e caixas próprias para isso são encontradas na internet ou podem ser encomendadas com marceneiros, em tamanhos personalizados. Mas uma boa caixa de feira, higienizada, pode quebrar um galho. 

Como limpar disco de vinil?

Antes de mais nada, é importante deixar claro que nenhuma opção terá um custo-benefício melhor do que a boa e velha fórmula “detergente neutro na esponja” —com a parte macia, claro, e tente sempre deixar uma esponja exclusiva para a limpeza dos discos. Ou, como no vídeo abaixo, use lenços próprios.

Vídeo faz tutorial de como limpar um disco de vinil de maneira simples e caseira

Tutorial: como limpar disco de vinil

Vídeo mostra de maneira simples como higienizar seus LPs em casa

Faça movimentos circulares gentis, tomando cuidado com o selo (os mais antigos costumam ser resistentes), em cada lado do disco. Depois, tire a espuma com água e deixe secar naturalmente, de preferência em um escorredor de louça. IMPORTANTE: a secagem deve ser na sombra, já que o seu vinil NUNCA deve ficar exposto ao sol.

Existem máquinas próprias para limpeza de discos de vinil à venda na internet, como a Vil Cleaner, que custa a partir de R$ 139,90. Elas facilitam o trabalho manual, mas não são fundamentais para sua coleção.

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QUEM FEZ
Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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