MÚSICA

O rapper Kanye West sorri em cena da trilogia documental jeen-yuhs, da Netflix

Divulgação/Netflix

Lista

jeen-yuhs: o que aprendemos sobre Kanye West na trilogia da Netflix

Documentário conseguiu registrar aspectos menos conhecidos da personalidade do genial e genioso rapper de Chicago

Mateus Campos

Mateus Campos

Encontrar histórias inéditas sobre a vida e a carreira de Kanye West para uma série da Netflix pode ser uma tarefa difícil. Nos últimos 20 anos, incontáveis manchetes na mídia e os próprios versos escritos pelo rapper de Chicago revelaram detalhes íntimos e polêmicos da sua trajetória.

Ex-humorista e apresentador de um programa televisivo sobre hip hop no fim dos anos 1990, o videomaker Clarence “Coodie” Simmons conseguiu registrar aspectos menos conhecidos da personalidade de Ye em jeen-yuhs: Uma Trilogia Kanye. Junto com Chike Ozah, seu parceiro criativo, ele reuniu material de arquivo capturado ao longo das duas décadas em que conviveu nos bastidores com o autor de College Dropout

Coodie foi um dos primeiros a apostar no talento do rapper. Na época, Kanye era apenas um jovem de 19 anos que fazia parte do grupo The Go Getters, em Chicago. Como produtor, Kanye cobrava US$ 500 por batidas. Foi nesse contexto que o videomaker decidiu fazer um documentário para saber até onde os sonhos poderiam levar aquele artista iniciante.

A Tangerina reuniu cinco fatos interessantes registrados por ele na trilogia sobre Kanye West na Netflix. O terceiro e último ato da atração estreou nesta quarta-feira, 2 de março. Ah, caso você esteja se perguntando, “jeen-yuhs” é “genius” (gênio, em inglês) no vocabulário de Ye.

Visão de carreira

A personalidade imprevisível e cheia de si, como sabemos, costuma marcar as aparições públicas de Kanye West já se manifestava quando ele era apenas um jovem produtor anônimo. No primeiro episódio da série, Kanye revela que ensaiava o seu discurso do Grammy todos os dias a caminho do trem que o levava ao trabalho. Uma preparação que se mostrou frutífera, afinal ele viria a levar 21 prêmios da Academia da Gravação para casa.

Kanye West fantasiado de urso, na época do lançamento do disco The College Dropout

Assista ao trailer de jeen-yuhs: A Kanye Trilogy

Atração está disponível na Netflix

Desde muito cedo, o rapper parecia saber que estava destinado a ser grande. Gostava de dizer também que seria o artista de hip hop mais bem vestido do showbizz. A promessa se mostrou realidade anos depois, quando ele assinou contratos milionários para lançar coleções de roupas e calçados. Quando ninguém acreditava em seu trabalho solo, Kanye investiu US$ 33 mil do próprio bolso para financiar um clipe. Entre outras coisas, ele invadia as sedes de gravadora sem ser convidado para rimar diante dos funcionários desavisados. Kanye West já era Kanye West antes mesmo do mundo conhecê-lo.

Donda: a base de tudo

De tanto filmar Kanye West antes da fama, Coodie passou —de certa forma— a fazer parte da família West. Sua relação com Donda, mãe do rapper, extrapolou a amizade que ele mantinha com Kanye. Mesmo quando andava distante do músico, já famoso, o videomaker era convocado para filmar momentos íntimos da vida da matriarca. Ele estava lá em festas de aniversário e reuniões de família.

Esse livre acesso à pessoa mais importante da vida de Kanye West rendeu momentos espetaculares diante das câmeras. Em um deles, com Kanye presente, Mama West lembra verso por verso um antigo rap composto pelo filho na infância. A professora de inglês, que morreu em 2007, entrega a letra com um flow invejável. O espectador da Netflix entende naquele momento que o talento com as palavras, naquela família, é uma herança genética. 

O rapper Kanye West ri ao lado da mãe, Donda West

Diretor da trilogia ficou muito amigo de Donda West, a mãe de Kanye (na foto)

Divulgação/Netflix

Problemas dentários

Apesar de ter uma personalidade forte, Kanye West admitiu diversas vezes ser um sujeito tímido, preocupado com a própria aparência. Na primeira parte da série, conhecemos um rapper com problemas de dicção, que parecia ter dificuldade para falar corretamente por conta da sua arcada dentária. O problema seria solucionado com o uso de aparelhos móveis, que o artista usava inclusive nas sessões de gravação.

O documentário mostra uma bronca que ele recebeu de um rapper veterano por ter deixado o aparelho largado em cima da mesa do estúdio. Em 2002, quando sua dentição parecia estar melhor e a carreira começava a decolar, Ye sofreu um acidente em Los Angeles e fraturou a mandíbula. O processo de recuperação do trauma foi amplamente documentado pela atração da Netflix e rendeu o primeiro clipe oficial de Kanye West: Trought The Wire

Kanye West comanda a mesa de som em cena da trilogia jeen-yuhs

Kanye comandando a mesa de estúdio: no começo, rapper teve que driblar a pressão de ser apenas produtor

Desconfiança dos pares

Kanye viu sua popularidade no mundo do hip hop aumentar após produzir metade do álbum Blueprint, lançado por Jay-Z em 2001. No entanto, quase todos à sua volta pareciam querer que ele mantivesse o foco nas batidas e não se tornasse rapper. Muitos diziam que a falta de ficha criminal e as letras sobre Deus e família não ajudariam sua carreira. Afinal, era um mercado dominado pela mentalidade gangsta.

No entanto, o rapper fez de tudo para provar o seu talento. Nomes como Jay-Z e Talib Kweli aprovavam seus versos, mas executivos de gravadoras como Roc-A-Fella e Rawkus hesitaram em assinar um contrato com Ye. Mesmo depois de entrar para o time da Roc-A-Fella, ele precisou conviver com constantes adiamentos do lançamento de seu título de estreia. A gravadora só foi convencida pela insistência do artista, que chegou a investir dinheiro do próprio bolso para conseguir lançar o primeiro trabalho. 

Ego frágil, mas inflado

Apesar de ter se sentido afastado de Kanye por alguns anos, Coodie nunca deixou de retratar o amigo com um viés positivo. O videomaker decidia abaixar as câmeras quando via que ele estava fora de si, falando coisas desconexas. Isso antes mesmo do diagnóstico de transtorno bipolar. O diretor escolheu mostrar muito pouco desses momentos na trilogia da Netflix, mas aqui ou ali é possível perceber os problemas que atormentam Kanye West, sobretudo depois da morte da mãe.

Em certos momentos, Kanye mostra como é facilmente ofendido e também como os elogios massageiam o seu ego. Dá para notar, por exemplo, quando o astro recebe críticas duras de um ex-amigo de Chicago, no início da carreira. E também quando ele é elogiado por um âncora da Fox News em sua campanha presidencial de 2020. Os reflexos desse comportamento narcisista são públicos e notórios. É interessante, porém, ver como esse é um traço de sua personalidade desde o dia 1 de sua carreira. 

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Mateus Campos

Mateus Campos

Formado pela PUC-Rio, Mateus Campos é repórter e pesquisador na área da cultura. Já publicou matérias e artigos de opinião em veículos como O Globo, UOL e The Intercept Brasil. Música, literatura e outros mistérios fazem sua cabeça.

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