Rock: Artistas pop indicam discos no Dia Mundial do Rock - Tangerina

MÚSICA

Rock: Red Hot Chili Peppers foi indicado por artistas pop

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No Dia Mundial do Rock, artistas pop listam seus discos favoritos

MC Tha, Vitor Kley, Mateus Carrilho, Vanessa da Matta, Lagum, Tim Bernardes e muitos outros contam os álbuns de rock que mais os marcaram

Luccas Oliveira
Luccas Oliveira

Idealizado em 1985, o Dia Mundial do Rock é muito levado a sério no Brasil —e somente aqui, como contamos. Rádios preparam programações especiais, canais de televisão também, e eventos dedicados ao gênero se espalham pelo país. Afinal, a música como conhecemos não seria a mesmo se não fosse o rock.

Tanto é que praticamente todos os músicos, dos mais variados gêneros e estilos, foram marcados por algum disco de rock. Por isso, a Tangerina foi atrás de diversos deles, do pop ao pagode, do funk à MPB, para perguntar: Qual é o seu disco de rock favorito? Spoiler: o Red Hot Chili Peppers (foto acima) foi a banda mais citada.

MC Tha
Ideologia – Cazuza

“Sou uma grande fã da obra de Cazuza, em Ideologia ele canta o seu Brasil, alerta sua geração, pede piedade e sonha como menino. Fala sobre amor, sobre luta. Em 2022, infelizmente, ainda reconheço boa parte deste país que Cazuza está refletindo e sinto as inquietações de ser uma artista vivendo nele. É um dedo na ferida, mas também um álbum esperançoso com melodias ótimas e composições que não fazem curvas.”

Mateus Carrilho
Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not – Arctic Monkeys

“Eu era só um pré-adolescente em busca de identidade e novos sons que mexessem comigo. Esse álbum foi paixão à primeira vista. As guitarras sujas, os vocais poderosos do Alex Turner e toda aquela sonoridade fresca de uma banda efervescente que tinha acabado de chegar era tudo que eu precisava na época. É impossível ouvir e não ser levado de volta no tempo.”

Luccas Carlos
American Idiot – Green Day

“Era uma época em que eu assistia muito à MTV e foi meio que a volta do Green Day. Esse disco me chamou muito a atenção, assim como os clipes. É um álbum que eu escuto até hoje. Feliz Dia do Rock pra geral!”

Vitor Kley
Crime of the Century – Supertramp

“Pergunta dificílima, mas Crime of the Century, do Supertramp, tem meu coração. O álbum começa com uma levada animal, Roger Hodgson cantando com aquele timbre agudo e lindo, a psicodelia no meio. Muito foda! Bloody Well Right eu piro no arranjo vocal da música, na diferença de agudos e graves que eles usam. E Hide In Your Shell, que eu acho a canção da vida, começa com piano elétrico, sons que me trazem a nostalgia da infância.”

Yasmin Santos
Bloco do Eu Sozinho – Los Hermanos

“Esse álbum foi praticamente a trilha sonora da minha adolescência. As pessoas têm uma visão um pouco ‘nada romântica’ do rock. E esse disco mostra exatamente o contrário, o quanto o rock passa amor e muito sentimento através de suas guitarras pesadas e suas músicas pra cima.”

Jorge (Lagum)
Stadium Arcadium – Red Hot Chili Peppers

“Pra mim, o melhor álbum de rock de todos os tempos. Foi um álbum que marcou o ápice, na minha opinião, sobre composição e a parte musical da banda. Ele veio depois de dois sucessos que foram o By the Way e o Californication, recebeu sete indicações ao Grammy e ganhou cinco. Com 28 músicas, muita coisa. O disco foi gravado na mesma mansão que eles gravaram o Blood Sugar Sex Magik, outro grande sucesso deles. E eles falam que é uma mansão que pertenceu ao mágico Houdini e que lá é meio assombrado.

Então, até o guitarrista Frusciante fala que ele sentia que havia presença de seres com inteligência elevada lá, que contribuíram muito neste álbum. E é um álbum em que ele realmente tem a essência do rock n’ roll. As bases deles foram gravadas todas ao vivo, então bateria, baixo e guitarra foram gravados juntos. Isso com certeza reflete muito na sonoridade.

Ele é completamente analógico, passou pela fita, então isso capta a essência musical da galera, capta que eles com certeza ensaiaram e pré-produziram muito. Então, para mim, ele tem toda a essência de um álbum rock n’ roll e é o ápice da carreira deles.”

Tim Bernardes
São Paulo 1554/Hoje – Joelho de Porco

“Meu disco de rock favorito é o São Paulo 1554/Hoje, do Joelho de Porco. Eles são uma banda clássica de rock de São Paulo, não tão conhecida, dos anos 1970. Eles têm relação com Os Mutantes de alguma forma, pois o Arnaldo Baptista produziu coisas deles. Pra mim, essa banda tem um dos melhores cantores de rock, que é o Próspero Albanese, e esse álbum é incrível de cabo a rabo. Passei minha adolescência ouvindo, porque meu pai tinha o disco, e eu acho que é um tesouro do rock brasileiro. Pouca gente conhece e é bom demais! Ouçam Joelho de Porco.”

Bruno Berle
Angles – The Strokes

“Eu descobri The Strokes com uns 19 anos, assistindo à MTV, e eles estavam lançando esse disco. Foi muito marcante ver uma galera com essa formação clássica de bateria, baixo e guitarras fazendo um som pop, com canções redondas, que, de certa forma, também carregavam influência da música brasileira. Eu tinha uma resistência aos Beatles e acho que o Strokes me abriu a percepção para entendê-los.”

Lio (Tuyo)
Hail to the Thief – Radiohead

“Porque é a memória mais fresca e carinhosa que eu tenho de sentir vontade de ter uma banda, ouvir me provocava demais no lugar da vontade.”

Zeeba
By the Way – Red Hot Chili Peppers

“Difícil de escolher, porque tem muitas bandas de rock que eu escuto muito desde minha adolescência até hoje. Mas acho que o meu favorito é o By The Way, do Red Hot Chili Peppers, de 2002.

Foi a primeira vez que escutei um álbum inteiro, acho que eu tinha oito anos e estava na segunda ou terceira série. Eu peguei um discman de um amigo, ele me emprestou por dois dias e fiquei escutando o disco inteiro, do começo ao fim. Todas as músicas são iradas, eu curto muito esse álbum.”

Zimbra
Acústico MTV – Charlie Brown Jr.

“Como adolescentes de Santos, nós não passamos ilesos de ouvir esse disco que até hoje deve ser um dos melhores acústicos MTV realizados. Apesar de não soarmos parecidos com o Charlie Brown Jr., foi algo que ouvimos muito enquanto aprendemos a tocar e começamos a formar a banda. Musicalmente falando, o Charlie Brown sempre teve músicos fora da curva, e isso se evidencia nesse disco. Apesar de ter trocado guitarras por violões, não se perdeu nem um pouco a energia e a riqueza musical que a banda sempre teve.”

Vanessa da Matta
Vários

“Bom, existem algumas bandas de rock, brasileiras e do exterior, que eu gosto muito. 

Do exterior, as clássicas —Beatles, Rolling Stones— gosto da voz áspera e muito pessoal do Mick Jagger, aquela voz que marca, não é aquela voz perfeita de backing vocal, mas tem personalidade. As guitarras e os timbres são muito bem feitos, a sensibilidade de todo mundo, o baixo e a bateria sempre muito bem feita. Isso criou uma escola e gosto muito dessa variedade. 

Nacionais, Paralamas do Sucesso e Rita Lee eu acho sensacionais. Ela, Rita Lee, por ser uma compositora livre, por ter ousado muito para a época dela, pagando muito caro por isso, sofrendo bullying em todos os lugares possíveis. Eu acho que ela tem uma personalidade muito impressionante, ela tem inventividade, criatividade… toca muito guitarra. A personalidade de fazer graça e não estar nem aí com isso, de largar esse ‘foda-se’ necessário para o rock.

O rock sempre trouxe de protesto, de ativismo, de atacar as coisas que são hipócritas e que ficam manipulando um monte de gente. Eu acho o rock muito interessante.”

Nobat
Ando Meio Desligado – Os Mutantes

“Acredito que esse disco tenha todos os temperos fundamentais de um clássico álbum de rock. A começar pela estética sonora autêntica que beira o lo-fi, mas que acaba mesmo é trazendo uma textura de garagem charmosíssima. Adoro o cinismo lírico e performático da banda neste álbum, as letras debochadas, os temas impróprios, sobretudo pensando o Brasil naquele momento: imaginem em pleno governo Médici, auge repressor de uma ditadura sangrenta, alguém cantando Ave, Lúcifer ou Meu Refrigerador Não Funciona e outras.

A irreverência dos arranjos, dos vocais, especialmente na dupla Rita-Arnaldo, me encanta tanto quanto o aspecto psicodélico que o disco traz dos anos 1960 como quem antecipava os anos 1970. Fora que, além de tudo isso, ainda sinto uma brasilidade tropicalista experimental que tempera tudo e abre caminho para grandes grupos de rock brasileiro, como vieram a ser os Novos Baianos, A Cor do Som, O Terço e vários outros. Amo tudo nesse disco, do som à capa que faz alusão à uma ilustração do Inferno de Dante Alighieri.”

Thomas Roth
Physical Graffiti – Led Zeppelin

“Uma banda que me impressionou e acho incrível é o Led Zeppelin. Acho a música maravilhosa e o disco Physical Graffiti, que contém a faixa Kashmir, que é uma obra-prima. Acho essa música incrível. A harmonia, a melodia, a ideia é incrível, muito boa. É uma música que marcou muito minha juventude e me impressiona até hoje, cada vez que escuto. E a dupla e Robert Plant e Jimmy Page, enfim, são infernais. É uma banda incrível.”

Gegê (Di Propósito)
Iowa – Slipknot

“Apesar de ser do pagode, curto muito rock e uma das minhas bandas preferidas é o Slipknot. Eu comecei a gostar da banda por dois motivos: primeiro, porque eles têm percussionista, e eu também sou percussionista, então, já me identifiquei. E, também, na minha adolescência, jogando videogame, tinha o jogo do Resident Evil, e depois lançaram o filme. Tem um trecho dele que tem uma música do Slipknot (My Plague, do disco Iowa) e aí meu primo me apresentou a banda por conta do filme. Ele me mostrou o Slipknot e, desde então, curto a banda. 

E viva o rock, o pagode, a música!”

Hodari
Bold As Love e Eletric Ladyland – Jimi Hendrix

“Minha maior referência, tanto na guitarra, quanto imagética é o Jimi Hendrix. Ele é um cara que, quando eu vi tocando guitarra pela primeira vez, fiquei muito apaixonado. Ele é canhoto, eu sou canhoto também, então já rolou uma afinidade.

Na minha idade não tinham muitos negros na cena do rock, então quando eu conheci o Jimi Hendrix, ainda na minha infância, foi um choque muito grande. Acho que meus traços parecem um pouco com os dele, eu tenho uma mistura de negro e indígena, que é de onde ele vem também. 

Outra referência, que eu conheci mais para frente, foi a banda Red Hot Chili Peppers, que é também uma das minhas bandas favoritas da vida. John Frusciante, que é o guitarrista da banda, também é muito fã do Jimi Hendrix. Ele foi um cara que conseguiu trazer muito da linguagem do Jimi para as gerações dos anos 2000, ele estudou muito o cara e trouxe isso para algo mais moderno, me acessando muito.

Viva o rock e viva a raiz do rock!”

Ruby
The Dark Side of the Moon – Pink Floyd

“Tenho um carinho especial por esse disco, não só por ser um clássico, mas porque tenho memórias muito boas com meu pai escutando esse álbum. Sem dúvida nenhuma, é um dos meu preferidos.”

Mar Aberto
Rumours – Fleetwood Mac

“O Rumours, do Fleetwood Mac, é nosso disco de rock favorito, tanto pelas canções como pelas circunstâncias em que foi concebido. Todos aqueles conflitos amorosos internos rolando, as indiretas musicais que eles produziram e o profissionalismo de não quebrar a corrente e levar a banda em frente surpreendem. É um excelente exemplo de bom uso do caos para a criação.”

Bryan Behr
Dois – Legião Urbana

“Esse disco mudou a minha vida, posso dizer que é um divisor de águas. Eu fui uma criança que cresceu envolto a muita música regional do Sul e foi a primeira vez que eu ouvi uma banda de rock e a primeira vez que ouvi rock na minha vida.

Meu primo colocou o disco no aparelho de CD e tudo mudou. O jeito como o Renato Russo organizava as palavras, as letras e a sonoridade do disco também mexeram muito comigo, foi uma descoberta muito grande. A partir daí eu comecei a desbravar muitos outros discos de rock e a mergulhar nesse universo que eu sou muito fã e com certeza ajudaram a construir o compositor que eu sou hoje. Acho que o disco Dois não é o meu preferido da vida, mas sem dúvida nenhuma é o mais importante.”

Marô
Nevermind – Nirvana

“Um álbum que foi muito marcante na minha história foi o Nevermind, do Nirvana. Eu tenho um irmão, que é nove anos mais velho do que eu, que sempre me inspirou muito. Eu queria ser como ele e lembro que ele tocava muito Nirvana. Isso marcou muito a minha adolescência e fala muito de quem eu sou e da reverência que eu tenho.”

Rodrigão
Tamo Aí Na Atividade – Charlie Brown Jr.

“Meu disco de rock predileto é o Tamo Aí Na Atividade, de 2004, do Charlie Brown Jr., devo ter deixado o Chorão rouco de tanto ouvir esse álbum no repeat nos meus rolês de skate!”

Vicka
High Voltage – AC/DC

“Esse álbum tem músicas que marcaram vários momentos da minha vida, e AC/DC foi uma das bandas que me inspirei quando comecei a tocar a cantar. A performance e a energia da banda é muito contagiante.”

Camilla Brunetta
Wolfgang Amadeus Phoenix – Phoenix

“A banda Phoenix tem uma memória afetiva muito grande para mim, ela fez parte da minha adolescência. Esse álbum, especificamente. Quando eu estava na faculdade, ouvia muito, estava muito na moda bandas de indie rock, quando umas amigas minhas tocavam. Eu comprei CD deles na época. Fez parte de várias viagens minhas para Portugal, porque Phoenix bombava nas rádios de lá.”

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QUEM FEZ
Luccas Oliveira

Luccas Oliveira

Luccas Oliveira é editor de música na Tangerina e assina a coluna Na Grade, um guia sobre os principais shows e festivais que acontecem pelo país. Ex-jornal O Globo, fuçador do rock ao sertanejo e pai de gatos, trocou o Rio por São Paulo para curtir o fervo da noite paulistana.

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