O LADO FRUTA DA FORÇA

Oscar Isaac

Divulgação/Marvel

O Lado Fruta da Força

Teremos um novo modelo de masculinidade no MCU com Cavaleiro da Lua

Como um latino que já declarou apoio à população LGBTQI+, o MCU só tem a ganhar com a presença de Oscar Isaac

Christian Gonzatti

Christian Gonzatti

Com a estreia de Cavaleiro da Lua, nova série que integra o MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), disponível na plataforma de streaming Disney Plus, Oscar Isaac está em evidência na cultura nerd. 

Por isso, como um momento bem refrescante da coluna, eu resolvi listar alguns motivos pelos quais devemos “divulgar e enaltecer”, assim como Andrea Mello faz com Britney Spears, a entrada de um “homenzão da po%#@” como o Oscar no MCU. 

O MCU está precisando de novos modelos de masculinidade 

Sim, não dá pra negar que o MCU escalou atores que têm atitudes positivas em relação à diversidade, como o Chris Evans, o Capitão América, que várias vezes já se posicionou contra discursos de ódio e intolerâncias e é pró-LGBT. Ou ainda o Mark Ruffalo, nosso Hulk, ativista ferrenho contra políticas excludentes de Trump.

Ao mesmo tempo, a gente também teve que encarar algumas falas e ações bem vergonhosas de vários homens da Marvel. O próprio Chris Evans, junto com o Jeremy Renner, o Gavião Arqueiro, chamou a Viúva Negra de vadia em uma entrevista. Embora eles tenham se desculpado, Jeremy voltou a defender que estava tudo certo em qualificar  uma personagem ficcional dessa maneira. O ator, inclusive, foi acusado pela sua ex-esposa de ter cometido atos de violência doméstica

Chris Evans e Jeremy Renner na coletiva de imprensa em que chamaram a personagem Natasha Romanoff de vadia por “dar em cima” dos Vingadores

Divulgação/Marvel

Tem ainda as mensagens entre Paul Bettany, o Visão, com Johnny Depp, fantasiando o assassinato de Amber Heard, Chris Pratt sendo um entusiasta da caça de animais e não sendo muito fã de se posicionar politicamente além de ter usado uma camiseta com símbolos racistas. Entre outras polêmicas.

A questão é que ter um ator fofo, lindo, charmoso, que se posicionou politicamente, que só de olhar uma foto tu já consegue imaginar o quão cheiroso ele é (ok, sim, tenho um crush muito forte nele, já deu pra notar, mas não tô sozinho, né?), conta como um ponto positivo. E as ações do nosso novo super-herói tem mostrado que ele é um cara legal. 

O lado latino da Força

Oscar Isaac também é representante da presença latina em Hollywood. Ele nasceu na Guatemala, mas pouco meses após nascer, a família mudou-se para os Estados Unidos em decorrência de um terremoto que assolou a região em que vivia.

Seu pai, Óscar Gonzalo Hernández-Cano, tem origem cubana e sua mãe, Maria Eugenia Estrada Nicolle, é guatemalteca. Ele é membro de uma família de migrantes. “Sangue Latino”, como cantavam os Secos & Molhados. 

Inclusive, para combater o preconceito de cair no estereótipo de interpretar apenas o “malandro latino” ou vilões, o ator mudou o seu nome de Oscar Hernández para Oscar Isaac.

Oscar Isaac

Oscar e sua mãe em Hollywood

Reprodução/Instagram Oscar Isaac

Torcia pelo ship #Poefinn

Sem falar que Oscar tem um belo currículo. No ano de 2016, venceu o Globo de Ouro de melhor ator em Minissérie ou Telefilme pela série Show Me a Hero, ainda não disponível no Brasil. Além de estrear em filmes que eu gostei muito, como Ex-Machina, Sucker Punch, Duna, foi também dublador da animação A Família Addams. Na cultura nerd, o ator tem uma relevante presença. Foi ele quem deu vida ao membro da Resistência de Star Wars, Poe Dameron na franquia alé do famoso vilão dos X-Men, Apocalypse, em X-Men Apocalypse e ao seu primeiro super-herói, dublando Miguel O’Hara, o Homem-Aranha 2099, em Homem-Aranha no Aranhaverso.

Oscar Isaac

Ele também torcia para que Finn e Poe, de Star Wars, fossem um casal

Divulgação/Disney

Uma grande parte do fandom feminino e LGBTQIA+ – já que a maioria dos nerds que são homens cis-héteros e comentavam sobre esse assunto só desprezavam esse desejo – tinha um sonho que foi destruído pelo conservadorismo da Disney: que Finn e Poe fossem um casal. 

Esse ship -termo que se refere a torcer por uma relação, geralmente amorosa, entre personagens- é um dos mais famosos de Star Wars. A direção do filme inclusive, flertou com essa possibilidade, utilizando o famoso queerbaiting (estratégia para usar uma possibilidade de algum personagem ser LGBTQIA+ como “isca” para esse público). 

Oscar Isaac e John Boyega (Finn) eram defensores sinceros de um relacionamento entre os personagens. Isaac, em particular, expressou seu apoio várias vezes durante as turnês de imprensa, indicando que em algum momento havia uma possibilidade genuína de um relacionamento canônico entre eles,

Só que esse amor era uma cilada. Não aconteceu nos filmes, mas tá muito bem, obrigado, até hoje na mente do fandom, alimentando muitas fanfics e fanarts. 

Mas serviu para mostrar que a censura com personagens LGBTQIA+ ocorre com muita frequência nos bastidores das indústrias culturais, Isaac colocou a “boca no trambone” e revelou que a Disney proibiu essa abordagem nos filmes de Star Wars. 

Em entrevista ao IGN, falando sobre Finn e Põe, ele disse: 

“Acho que seria interessante, pensando mais à frente, uma história de amor ali, algo que ainda não foi explorado. Particularmente, há a dinâmica entre esses dois homens na guerra que poderiam ter se apaixonado. […] Eu teria tentado colocar o personagem mais nessa direção. Mas a Disney ponderou que não estamos prontos para isso”.

E para citar uma ação mais recente, vale lembrar que Isaac também foi veemente contra o projeto de lei “Don’t Say Gay” – a proposta do congresso americano quer simplesmente proibir que escolas e professores reconheçam a existência de pessoas LGBTQIA+ em seu material de apoio. Recentemente, foi revelado que executivos da Disney financiaram campanhas de congressistas que apoiam o projeto. Sobre isso, o ator falou: “Acho que meu comentário será gay, gay, gay, gay, gayyyyyy”, disse à revista Variety. “É uma lei absolutamente ridícula. É insano. É insanidade. E eu espero que a Disney, como empresa, venha e se posicione fortemente contra essa ideia. É aterrador que isso sequer exista, neste país” – completou.

Merece muitos biscoitos

Oscar Isaac

Quem não gostaria de ter um “sugar daddy” assim, né nom?

Reprodução/Instagram Oscar Isaac

Não vamos ser hipócritas, né? A gente ama dar um “biscoito” para alguns boys, ainda que, convenhamos, alguns “padrões” não mereçam nosso tempo. O que não é o caso do Oscarzito. 

Ele é um desses homens que nós, homens gays/bissexuais/pans e mulheres que não são lésbicas, adoramos “biscoitar”. Na real, eu acho que nem precisa deste recorte de sexualidade, né? Todo mundo acha esse homem lindo. Até homens cis-héteros que não são inseguros com a sua masculinidade não veem problema em assumir isso. 

Logo, quanto mais trabalho ele ter em Hollywood, mais dele nós poderemos apreciá-lo. Todo mundo correndo pra assistir Cavaleiro da Lua então! Nesta quarta (30) no Disney+

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Christian Gonzatti

Christian Gonzatti

Christian Gonzatti assina na Tangerina a coluna O Lado Fruta da Força, que fala do universo nerd com um olhar bem colorido. Ele preferia ser Mestre Jedi ou o Doutor Estranho, mas a vida só permitiu ser mestre e doutor em comunicação. LGBTQIA+, é criador da plataforma Diversidade Nerd nas redes. Um dos seus maiores sonhos é ser um X-Men e frequentar uma escola para mutantes em que a Lady Gaga seja a diretora.

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