Glastonbury: Festivais são palco de protesto na Europa - Tangerina

MÚSICA

Ney Matogrosso canta no palco do Rock in Rio Lisboa

Reprodução/Instagram

De Billie a Ney

Aborto, Bolsonaro e Ucrânia: Festivais são palco de protesto na Europa

Billie Eilish e Ney Matogrosso foram alguns dos artistas que entraram em temas políticos durante o Glastonbury e o Rock in Rio Lisboa

Lucas Almeida
Lucas Almeida

A Europa recebeu dois grandes festivais no final de semana, o Rock in Rio em Lisboa e o Glastonbury, realizado no Reino Unido. Billie Eilish, Ney Matogrosso, Duran Duran e outros cantores e bandas aproveitaram a oportunidade para protestar contra questões políticas no mundo. Entre os temas mais comentados, estavam a suspensão do direito ao aborto nos Estados Unidos, a guerra na Ucrânia e o governo de Jair Bolsonaro.

Billie Eilish encerrou as performances do palco principal do Glastonbury na sexta-feira (24). Durante o show, ela desabafou: “Hoje é um dia realmente muito, muito sombrio para as mulheres nos Estados Unidos. Só vou dizer isso porque não suporto mais pensar sobre [o assunto]”.

Billie já havia comentado sobre a decisão da Suprema Corte norte-americana de retirar o direito ao aborto em uma entrevista publicada no mesmo dia. A fala serviu como introdução para a música Your Power, que fala sobre viver uma situação de abuso.

No sábado (25), foi a vez de Olivia Rodrigo abordar o tema. Ela cantou a música Fuck You ao lado de Lily Allen como forma de resposta aos juízes que votaram a favor da retirada do direito ao aborto.

Assista à performance de Olivia Rodrigo e Lily Allen

Cantoras dedicaram a música Fuck You para a Suprema Corte dos EUA

O Glastonbury ainda foi marcada por mensagens pedindo o fim da invasão russa na Ucrânia. Uma mensagem em vídeo gravada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi exibida nos telões do festival antes do show da banda The Libertines.

“Glastonbury é a maior concentração de liberdade nos dias de hoje, e peço que vocês compartilhem esse sentimento com todos cuja liberdade está sendo atacada”, disse Zelensky.

Um dos membros do quarteto folclórico ucraniano DhakaBrakha também passou mensagens de esperança em um show no domingo (26). “Para os soldados, para as pessoas na Ucrânia e em todo o mundo, quando suas grandes estrelas o apoiam e o entendem, isso mostra que vocês têm a verdade do seu lado”, disse Marko Galanevych, de acordo com a BBC.

Paul McCartney também fez a sua demonstração de protesto. O ex-beatle andou pelo palco com uma bandeira da Ucrânia durante a sua performance.

Protestos no Rock in Rio Lisboa

Em Lisboa, a banda Duran Duran também falou sobre a Ucrânia. O vocalista Simon Le Bon dedicou a música Ordinary World para as pessoas que estão no país em guerra. Ele disse que a canção é sobre “ter fé”, antes de cantar os versos “mas eu não vou chorar por ontem/ Há um mundo normal/ Que, de alguma forma, eu tenho que encontrar”.

Os artistas brasileiros ainda levaram pautas nacionais para o palco. No sábado, a banda Francisco, El Hombre cantou a música Bolso Nada, de 2016. Eles emendaram uma faixa inédita, chamada Arranca a Cabeça do Rei, dedicada a “quem vai, a partir do voto, arrancar a cabeça do rei”.

Ney Matogrosso, uma das atrações mais aguardadas do sábado (25) também fez a sua manifestação. Durante a performance da música Ponta do Lápis, ele ficou de costas para o público enquanto fazia uma reverência às imagens de indígenas, exibidas no telão.

Postura contrária

Os protestos aconteceram no mesmo final de semana em que Elba Ramalho chamou atenção por uma postura bem diferente. Durante um show na festa de São João, no Parque de Exposições de Salvador, ela interrompeu parte do público que gritava “fora Bolsonaro”, afirmando que não queria “fazer política”. “Isso aqui é um show de São João. Não é um comício”, disparou.

Quando o público começou a gritar o nome de Lula, Elba disse que deveria deixar, porque vivia em uma democracia, complementando com a frase “cada um tem o presidente que merece”.

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Lucas Almeida

Lucas Almeida

Repórter. Passou pela MTV Brasil e Veja.com. É fã de um pop triste e não deixa de ouvir todos os lançamentos musicais da semana.

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