O CARA DA LOCADORA

Capa com cena do filme Nosferatu

Foto: Divulgação / Arte: Tagerina

O Cara da Locadora

Tá no sangue: 10 filmes de vampiro para celebrar 100 anos de Nosferatu

Prepare sua pipoca com alho e faça uma maratona sangrenta junto com a gente por alguns dos melhores filmes de vampiro inspirados pelo clássico do expressionismo alemão

Rafael Argemon

Rafael Argemon

Há exatamente 100 anos o mundo conhecia um dos marcos do expressionismo alemão que impactaria a história do cinema para sempre. Nosferatu, dirigido pelo genial Friedrich Wilhelm Murnau, ou simplesmente F.W. Murnau. Adaptação “não autorizada” de Drácula, famoso livro de 1897 do irlandês Bram Stoker, que transcendeu a tela e cravou seus estranhos caninos avantajados no imaginário do terror.

Movimento artístico que nasceu na Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), mas que teve seu auge na Berlim da década de 1920, o expressionismo alemão fazia uma representação subjetiva do mundo. Algo que fosse capaz de revelar as angústias da existência humana através de imagens distorcidas, afastadas da realidade. Como se a realidade fosse, ao mesmo tempo, um pesadelo de luz e sombras. E foi nesse contexto que nasceram obras seminais como O Gabinete do Dr. Caligari (1920), Dr. Mabuse, o Jogador (1922), As Mãos de Orlac (1924), Metrópolis (1927), O Homem Que Ri (1928) e, claro, Nosferatu.

Extremamente criativo em suas representações visuais, o clássico de Murnau influencia filmes até hoje e foi tão importante quanto o livro de Stoker para popularizar este ser monstruoso que tanto nos fascina. É muito por “culpa” de Nosferatu que somos tão estranhamente apaixonados por vampiros.

E é por isso que resolvemos selecionar uma listinha básica para vocês que, assim como nós, adora um filme de vampiro.

Vá lá pegar uma pipoca com alho e aproveite esta maratona sangrenta.

Nosferatu (1922)

Cena do filme Nosferatu

Nosferatu (1922)

Clássico do expressionismo alemão que segue influenciando filmes até hoje

Claro que esta lista tinha de começar com este. Nosferatu é uma referência dentro do expressionismo alemão que segue influenciando filmes até hoje. Dê uma olhadinha no recente O Farol (2019) depois de ver Nosferatu e você vai entender. Dirigido pelo genial F.W. Murnau, o longa começou como uma adaptação não autorizada do livro Drácula, de  Bram Stoker, e terminou como uma das bases do horror no cinema. Os visuais da sombra do conde Orlock –em uma atuação assombrosa de Max Schreck– com seu corpo e membros alongados em uma parede é um marco da linguagem cinematográfica.

Onde ver: Telecine Play, Looke, Belas Artes À La Carte e Pluto TV 

Amantes Eternos (2013)

Cena do filme Amantes Eternos

Amante Eternos (2013)

Filme reúne Tom Hiddleston e Tilda Swinton em um papo cabeça sobre imortalidade

Já imaginou um filme com Tom Hiddleston (o Loki dos filmes da Marvel) e a camaleônica Tilda Swinton como uma dupla de vampiros super cool? Pois este filme já existe! Na visão filosófica do diretor uber indie Jim Jarmusch, Hiddleston e Swinton são dois vampiros cansados de séculos de vida boêmia que engatam longos papos sobre os altos e baixos da imortalidade. Os vampiros aqui são muito mais uma representação dos desejos humanos do que monstros sugadores de sangue. Um filme com a cara de Jarmusch, que adora pegar um gênero e desconstruí-lo completamente. 

Onde ver: Amazon Prime Video, Paramount+ e Oi Play

Cronos (1993)

Cena do filme Cronos

Cronos (1993)

Guillermo Del Toro deu seu toque no mito do vampiro

Estreia do cineasta mexicano Guillermo Del Toro (O Labirinto do Fauno e O Beco do Pesadelo)) em longas, Cronos é um filme de vampiros nada convencional recheado de referências ao horror corporal de David Cronenberg. Nele, o antiquário Jesus Gris (Federico Luppi) encontra dentro de uma estátua um misterioso aparelho construído por um alquimista em 1536. Sem querer, ele aciona o tal dispositivo e passa a ter um comportamento estranho e rejuvenescer.

Onde ver: Amazon Prime Video

Deixe Ela Entrar (2008)

Cena do filme Deixe Ela Entrar

Deixe Ela Entrar (2008)

Fábula sangrenta sueca deu origem a um remake americano do diretor do novo Batman

Um dos grandes filmes de vampiro da atualidade, o sueco Deixe Ela Entrar é baseado no best-seller de John Ajvide Lindqvist, que também assina o roteiro do filme dirigido por Tomas Alfredson (de O Espião Que Sabia Demais e Boneco de Neve). Na trama, Oskar, um solitário garoto de 12 anos fica curioso com a chegada de uma nova e misteriosa vizinha da sua idade, que só sai de casa durante a noite. Há também um remake americano muito bom chamado Deixe-me Entrar, de 2010, dirigido por Matt Reeves. Mesmo diretor do novo Batman.

Onde ver: Darkflix

Drácula de Bram Stoker (1992)

Cena do filme Drácula de Bran Stoker

Drácula de Bram Stoker (1992)

Coppola bebe na fonte do cinema mudo em sua adaptação do livro de Bram Stoker

A adaptação mais fiel do livro de Bran Stoker para o cinema. O diretor Francis Ford Coppola (da trilogia O Poderoso Chefão) nos entrega uma verdadeira obra-prima visual utilizando técnicas da era do cinema mudo com muitas influências do clássico Nosferatu. O conde Drácula vivido por Gary Oldman é um dos melhores e mais reconhecidos papéis de sua carreira. Uma versão que exala a sensualidade implícita nas linhas do romance de Stoker.

Onde ver: Netflix e Now / Looke, Claro Vídeo, Apple TV, Google Play e Microsoft Store (para alugar)

Fome de Viver (1983)

Cena do filme Fome de Viver

Fome de Viver (1983)

Romance estilizado de Tony Scott tem Catherine Deneuve, Susan Sarandon e David Bowie

O sexy thriller de Tony Scott (Top Gun e Amor à Queima Roupa) acabou ficando mais conhecido pela famosa cena de sexo entre Catherine Deneuve e Susan Sarandon. Mas o filme é muito mais do que isso. Super estilizado ao sabor da década de 1980, além de ter sido transformado em um ícone pela comunidade lésbica, Fome de Viver é um ótimo romance dark no qual a personagem de Deneuve busca na figura de uma médica (interpretada por Sarandon), a forma de lidar com a perda de um amante de longa data, este vivido por ninguém mais, ninguém menos que David Bowie.

Onde ver: HBO Max / Apple TV e Google Play (para alugar)

Garota Sombria Caminha pela Noite (2014)

Cena do filme Garota Sombria Caminha pela Noite

Garota Sombria Caminha pela Noite (2014)

Vampira skatista toca o terror nas ruas de Teerã, capital do Irã

Diferente de qualquer filme de vampiro que você já viu na vida, o iraniano Garota Sombria Caminha pela Noite usa e abusa da mistura de gêneros para contar a história de uma vampira skatista de hijab que toca o terror pelas ruas de Teerã. Filmado em um belo preto-e-branco que às vezes soa extremamente contemporâneo e em outras muito calcado na tradição de Nosferatu, o filme dirigido por Ana Lily Amirpour é daqueles que ficam na sua cabeça. Não interessa se você gostou ou não dele.

Onde ver: Globoplay / Apple TV e Google Play (para alugar)

O que Fazemos nas Sombras (2014)

Cena do filme O Que Fazemos nas Sombras

O que Fazemos nas Sombras (2014)

Taika Waititi mostra o lado engraçado dos sugadores de sangue

Quem disse que não há espaço para comédia nesta lista? Obra da mente criativa dos atores/roteiristas/diretores Jermaine Clement (da série Flight of The Conchords) e Taika Waititi (de Thor: Ragnarok e Jojo Rabbit), o filme é um documentário de mentirinha hilário que retrata o cotidiano de três vampiros que dividem uma casa em Wellington, capital da Nova Zelândia. Entre eles, um que faz referência direta ao conde Orlok, de Nosferatu.

Onde ver: Looke / Apple TV (para alugar)

O Vício (1995)

Cena do filme O Vício

O Vício (1995)

Visão particular de Abel Ferrara coloca o vampirismo como uma jornada à loucura

À sombra da epidemia da AIDS, na metade dos anos 1990, o sempre provocador Abel Ferrara (de Vício Frenético e Rei de Nova York) nos deu sua visão novaiorquina suja, porém elegante, do mito do vampiro. Tudo começa quando uma estudante de filosofia vivida por Lili Taylor é atacada por uma misteriosa mulher e, inexplicavelmente, adquire uma insaciável sede de sangue. O filme foca na descida à loucura da personagem. Uma pequena joia sobre trauma e auto destruição através das lentes do terror.

Onde ver: Looke e NetMovies

Quando Chega a Escuridão (1987)

Cena do filme Quando Chega a Escuridão

Quando Chega a Escuridão (1987)

Kathryn Bigelow inovou ao colocar seus vampiros em um faroeste moderno

Primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor direção, Kathryn Bigelow aproveitou uma curiosa onda de filmes de vampiros na década de 1980 para dar seu toque de western revisionista ao gênero. Com um visual bem particular, Quando Chega a Escuridão investe pesado na parte romântica do Drácula de Stoker em contraponto a um brutal bando de vampiros nômades vagando numa van pelo “oeste selvagem” moderno. A trilha eletrônica do Tangerine Dream deixa tudo ainda mais interessante.

Onde ver: Telecine Play e Oi Play

Um Drink no Inferno (1996)

Cena do filme Um Drink no Inferno

Um Drink no Inferno (1996)

A melhor sessão dupla de filmes B da carreira de Robert Rodrigues

Há décadas Robert Rodriguez (de Sin City e Pequenos Espiões) busca por seu filme B perfeito. O mais perto que ele chegou deste ideal foi com Um Drink no Inferno, um filme que se resolve muito melhor como uma típica sessão dupla grindhouse do que o projeto de mesmo nome que ele desenvolveu com Quentin Tarantino em 2007. Temos aqui um road movie criminal na primeira metade, e uma extravagância de sangue e outros fluidos corporais vampirescos na segunda. É tipo um parque de diversões para quem ama cinema trash.

Onde ver: Apple TV, Claro Vídeo e Misrosoft Store (para alugar)

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Rafael Argemon

Rafael Argemon

Rafael Argemon é criador do perfil O Cara da Locadora no Instagram e também assina uma coluna com o mesmo nome na Tangerina, onde indica as pérolas escondidas nas plataformas de streaming. Cinéfilo e maratonador de séries profissional, passou por Estadão, R7, UOL, Time Out e Huffpost. Apaixonado por pugs, sagu e jogos do Mario.

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