Conheça os 11 melhores álbuns internacionais do 1º semestre - Tangerina

MÚSICA

Melhores discos de 2022: Bad Bunny lança um dos grandes discos do ano

Divulgação/Spotify

SELEÇÃO DE OURO

Tangerina recomenda: Os melhores álbuns internacionais do 1º semestre

De Bad Bunny e Rosalía a The Smile e Soccer Mommy, uma lista com os 11 discos não brasileiros que você deveria ter escutado no ano

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Já começou a preparar sua lista de melhores discos de 2022? O primeiro semestre do ano acaba nesta semana, e nós já tivemos uma penca de grandes lançamentos musicais. Afinal, muitos artistas relevantes esperaram a reabertura de casas de shows e baladas para jogarem seus álbuns na praça.

Enquanto o novo da Beyoncé não vem, a equipe de música da Tangerina elencou os 11 melhores discos internacionais que saíram até agora. Somados a outros 11 álbuns brasileiros, fecharemos uma lista com nossos 22 preferidos do primeiro semestre de 2022.

Concorda? Trocaria algum da lista? Mostre sua opinião nos comentários!

Motomami – Rosalía

A César o que é de César —nesse mundinho, não há ninguém como Rosalía. A artista, que tem um alcance muito maior do que na época do lançamento do seu último álbum, parece pouco afetada pela fama excessiva. Aliás, Rosalía segue profundamente autêntica, como se ainda fizesse música sem pressão alguma de hitar. 

Motomami é, para todos os efeitos, torto e caótico —um exemplo é a linda, delicada faixa Hentai, cuja letra é até meio explícita. É para poucos. Na verdade, o disco é uma prova de o quanto Rosalía consegue passear por estilos e formatos sem perder identidade, ritmo e refinamento; durante todo o tempo, a única coisa que você consegue pensar é “Madre mia, Rosalía”. Mesmo a bachata-quase-brega de La Fama (que eu adoro, na verdade, mas tinha medo de destoar do resto) fica repentinamente descolada no meio do flamenco, rap, reggaeton e salsa por onde a artista transita. Ao contrário da obra-prima El Mal Querer, que girava em torno do flamenco, em Motomami a artista manda avisar que ela faz o gênero musical que der vontade —e o faz com maestria. (Dora Guerra)

Dawn FM – The Weeknd

No primeiro disco esperado do ano que efetivamente saiu, o cantor e compositor canadense The Weeknd aprimorou sua releitura do pop dançante da década de 1980, dando sequência a um estilo particular que iniciou em Starboy e seguiu em After Hours. A diferença, aqui, é que Dawn FM é um álbum muito mais coeso. 

Formatado como uma rádio transmitida direto do purgatório (e apresentada por Jim Carrey), Dawn FM tem The Weeknd cantando como nunca, participações de Tyler, the Creator, Lil Wayne, Quincy Jones e Swedish House Mafia, além de citações e referências ao city pop japonês, R.E.M., Angelina Jolie, Prince e The Romantics. Se o Grammy não sabe valorizar o trabalho de The Weeknd, azar do Grammy. (Luccas Oliveira)

Un Verano Sin Ti – Bad Bunny

Dois anos depois de seu último álbum (cujo nome parece quando você esbarra todos os dedos no teclado de uma vez: YHLQMDLG), o porto-riquenho Bad Bunny volta com o disco Un Verano Sin Ti. Como bom amigo do Drake, ele também parece gostar de fazer álbuns com muitas faixas. A diferença é que, ao contrário do rapper, Bad Bunny faz músicas com mais de 2 minutos.

Bad Bunny é um fenômeno interessante: talvez por ser mais popular em outros países latinos (ou nos EUA?) do que no Brasil, eu perdi o momento em que ele foi consolidado “o maior popstar da atualidade” ou algo parecido; mas, em Un Verano Sin Ti, ele honra o título que lhe foi dado. É um disco extremamente criativo, que surge de repente com mambo, cumbia, dembow e mais —e não me parece ter muita preocupação em tocar nas rádios o tempo todo, o que é uma característica frequente de Bad Bunny. 

Bad Bunny

Assista ao clipe de Después de La Playa

Música é um dos destaques do disco de Bad Bunny

De forma similar à Rosalía, Bunny consegue alternar entre os hits que se espera de um nome mainstream e a autenticidade de um artista que ama o que faz. Pra além da sonoridade que escancara as raízes de Bad Bunny, os feats também são muito bem selecionados: ele não convida Cardi B, mas os menores Buscabulla, pra mostrar uma outra Porto Rico além da sua própria. 

Un Verano Sin Ti é uma viagem repleta de texturas pra quem não pode pegar o carro e fazer um mochilão até o México. De Después de La Playa a Otro Atardecer, esse verão sem você é um verão latiníssimo, em suas várias versões. Isso aí, estadunidense não faz. (Dora Guerra)

Mr. Morale & The Big Steppers – Kendrick Lamar

Durante as 18 faixas do disco duplo, com nove músicas em cada parte, Kendrick Lamar vai fundo numa viagem interna, tentando fazer uma espécie de diário do que já viu no mundo e o que passou nos últimos 1855 dias (seu tempo de hiato).

O rapper investe em flows que só ele consegue e uma produção refinada, coisa de quem passou boa parte da pandemia trancado em algum estúdio.

No novo álbum de Kendrick, não temos nenhuma grande estrela do rap norte-americano, e sim nomes mais ligados ao círculo de amizade e inspirações do cantor, como a vocalista da banda Portishead, Beth Gibbons, e até familiares, como seu primo Baby Keem.

Talvez o disco não seja um sucesso por ter um amontoado de hits, mas por falar de temas tão atuais na perspectiva de uma pessoa comum. Se bem que Kendrick Lamar não é uma pessoa comum. (Guilherme Rocha)

Harry’s House – Harry Styles

Um dos álbuns mais aguardados de 2022, Harry’s House agradou ao público pela descontração e pelo carisma do ex-integrante do One Direction. Inspirado por Hosono House (1973), disco do japonês Haruomi Hosono, o cantor britânico se jogou na sonoridade oitentista, com referências de Wham! e Prince. 

Durante a divulgação, Harry se mostrou menos preocupado com as paradas musicais. Ele sentiu liberdade até para escrever uma música romântica com o título de Music for a Sushi Restaurant (música para um restaurante de sushi, em português). 

Mas o projeto não fugiu do sucesso. O single de estreia As It Was chegou ao topo da lista de mais ouvidas nos Estados unidos, a Billboard Hot 100. Outras cinco faixas entraram para o ranking. (Lucas Almeida)

Ants From Up There – Black Country, New Road

O grupo britânico estava fazendo tudo certo. Estreou criando expectativas com o ótimo For the First Time, recebeu da crítica o rótulo de salvador do rock, e passou pela prova do segundo disco. Ants From Up There é ainda melhor do que a estreia. O problema é que tão logo o álbum saiu, o vocalista Isaac Wood, fundamental por uma voz excêntrica que remete ao estilo de David Byrne, anunciou que estava saindo da banda para cuidar da saúde mental. O grupo segue sem ele, agora um sexteto, mas o futuro é um mistério.

O fato é que a obra está aí. Ants From Up There é o resultado perfeito de o que um disco de rock experimental deveria ser para chamar atenção dos zennials. A alternância de protagonismo entre cada faixa envolve o ouvinte. Chaos Space Marine, por exemplo, cria uma espécie de competição entre o piano, as cordas e os metais para ver quem chama mais a atenção. Por cima, está a voz de Wood e coros que remetem tanto ao rock de arena do The Killers quanto ao barroco do My Chemical Romance. Ainda assim, se fosse rotular, daria para dizer que é uma música de jazz. (Luccas Oliveira)

Dragon New Warm Mountain I Believe In You – Big Thief

O quarteto do Brooklyn é um dos mais prolíficos da música americana atual. Nos últimos cinco anos, seus integrantes lançaram sete discos. Se em 2019 a banda liderada pela habilidosa vocalista Adrianne Lenker soltou dois álbuns, agora ela facilitou o processo com um álbum duplo. Dragon New Warm Mountain I Believe You não tem apenas um título enorme. São 20 faixas divididas em 1h20, mas pode ir na fé.

Harpa? Tem. Acordeon? Também. Guitarras para todos os gostos? Opa. O que não tem é falha. E tudo está em seu devido lugar. O Big Thief é a banda certa para você deixar de bocejar quando ler que o indie folk existe. As melodias e arranjos contemplativos contrastam com a lírica peculiar de Lenker, que opta por se mostrar curiosa com o mundo ao seu redor, quase como se Neil Young nascesse uma mulher em 1991. (Luccas Oliveira)

A Light for Attracting Attention – The Smile

The Smile é mais um daqueles nomes quase sarcásticos: a banda, composta por Thom Yorke e Jonny Greenwood do Radiohead, além de Tom Skinner (Sons of Kemet), não é pra mim a coisa mais próxima de um sorriso largo. Musicalmente, na verdade, é quase impossível reduzir o som a uma expressão emotiva somente; The Smile pede, pelo menos, uns cinco emojis diferentes. 

Sorrisos ou não à parte, o primeiro disco do “side project” do Radiohead é inconfundivelmente um side project do Radiohead, sem que isso seja um problema. Tem aquela estética quase flutuante, que divaga, mas às vezes eclode; a percussão de Skinner tem aquele elemento crescente que esbarra com o dançante, mas sugere uma angústia. Como tudo que Yorke e Greenwood tocam, o álbum existe em uma aura própria, sensível, sereno e aflitivo ao mesmo tempo. 

A Light for Attracting Attention requer atenção, como ele mesmo impõe, requer uma noite contemplativa e o fone de ouvido dedicado. (Dora Guerra)

Sometimes, Forever – Soccer Mommy

Em seu terceiro disco como Soccer Mommy, a cantora e compositora Sophie Allison consegue algo invejável. O indie rock de riffs de guitarra e melodias grudentas passa a ser a assinatura principal de um artista que sabe transformar estilo em norte artístico. Traduzindo: quem acompanha a carreira dessa expoente de uma geração de jovens mulheres tocando guitarra já associa automaticamente uma música a ela. É uma discografia pautada pela criatividade minimalista.

Num jogo de paradoxos, em que a letra melancólica cantada por uma vocalista quase debochada se confunde com musicalidade quente e séria, Soccer Mommy firma seus pés no bom rock feito neste século. (Luccas Oliveira)

Laurel Hell – Mitski

Rotulada pelo jornal britânico The Guardian como a melhor compositora jovem dos Estados Unidos, Mitski fez jus ao status em Laurel Hell. Melhor pode soar forte, mas a nipo-americana é, sem dúvida, um dos nomes mais inventivos do rock contemporâneo. O caminho da renovação do gênero deve passar por sua noção de abordar canções como se fossem viagens. Nelas, Mitski tem tesão em explorar novidades e conhecer novas culturas, mas não deixa de manter o pé firme no território seguro de uma melodia certeira e dos versos afiados.

Laurel Hell até te convida a dançar diversas vezes, em especial na melhor faixa do disco, Love Me More. São esses momentos que fazem deste o álbum mais pop de Mitski, dentro do que ela consegue ser pop. Até porque volta e meia, dotada de um vozeirão que chamou atenção até de Mariah Carey, Mitski não se priva de te puxar para baixo, como uma ressaca do dia seguinte. Isso fica claro em bad trips como Everyone e I Guess. Afinal, até uma viagem de férias pode ter suas turbulências. (Luccas Oliveira)

Dance Fever – Florence + The Machine

Nada que Florence Welch faz vem sem uma mitologia por trás. Nesse disco, a lenda que orquestra as canções é ao mesmo tempo uma sátira e uma realidade: Dance Fever é inspirado pela “coreomania”, uma praga medieval que fazia com que grupos dançassem até a exaustão ou mesmo a morte. 

O curioso é que a metáfora se estende por muito mais que só o auge da pandemia. No momento de composição do disco, Florence estava mais distraída pela praga mundial que nos assolava —e as inevitáveis questões existenciais que se seguiram. Depois do lançamento do disco, talvez estejamos presenciando justamente o momento de dançar até a exaustão, em um movimento que tenta compensar e acaba por exagerar. De qualquer forma, Florence encontra em Dance Fever uma comparação inegavelmente relevante. 

Teatral por natureza, a artista faz seu melhor trabalho quando entende o drama como ferramenta, não como escape; nesse disco, Florence está lutando com seu próprio vício do sagrado, enquanto lida com questões mundanas —e não por isso menos avassaladoras. É curioso que tenha sido propositalmente lançado em uma sexta-feira 13, porque aqui, o assustador é simplesmente existir: ser mulher, estar sóbria, ser artista, estar em uma certa idade, querer ser mãe, não querer ser mãe, querer ser completa. Ao longo do disco, acompanhamos uma Florence que não rodeia tanto suas próprias questões, mas as encara de frente —e as desenha pra nós, inclusive. (Dora Guerra)

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