MÚSICA

25-4-2021. O músico Jon Batiste na cerimônia do Oscar, onde saiu premiado

Matt Petit / A.M.P.A.S.

Grammy 2022

Jon Batiste, o músico de jazz que desbancou Billie Eilish no Grammy

Com 11 indicações ao prêmio da música, Jon Batiste é uma das inspirações para o protagonista do filme Soul, da Pixar, e faz uma mistura interessante entre jazz e música pop

Renan Guerra

Renan Guerra

O Grammy 2022, principal prêmio da indústria musical, acontece no dia 3 de abril, porém um nome já se destacou antes mesmo da festa: Jon Batiste. O músico norte-americano concorre em 11 categorias e é o artista mais indicado do ano, deixando para trás nomes como Doja Cat, H.E.R. e Justin Bieber, cada um com oito indicações, e Billie Eilish e Olivia Rodrigo, com sete indicações cada. 

O nome Jon Batiste pode ser pouco familiar aqui no Brasil, mas um dos trabalhos mais recentes do artista é bem conhecido de todos: o filme Soul, de 2020, lançado pela Disney/Pixar e disponível no Disney+. É de Batiste a trilha sonora jazz do filme, produzida em parceria com Trent Reznor e Atticus Ross, pela qual eles ganharam o Oscar em 2021. 

25-4-2021. Jon Batiste, Trent Reznor e Atticus Ross no Oscar de 2021

Jon Batiste com Trent Reznor e Atticus Ross: eles venceram o Oscar no ano passado pela trilha de Soul

Matt Petit / A.M.P.A.S.

Importante reforçar: Jon Batiste fez a trilha sonora de Soul, mas ele também tem uma participação fundamental para a animação em si. O diretor Pete Docter e sua equipe de animação usaram as mãos de Batiste como molde para o desenho dos membros do protagonista Joe Gardner, um professor de música que ganhou a voz do ator Jamie Foxx. 

Suas 11 indicações ao Grammy de 2022 se dividem entre categorias relacionadas à trilha sonora de Soul e ao seu disco WE ARE, lançado em 2021. No total, são oito indicações por WE ARE e três por Soul. Mas Jon não é nenhum novato: WE ARE é seu oitavo disco. O trabalho, porém, marca um momento importante da carreira de Batiste e de suas pesquisas musicais. 

Vamos voltar no tempo: onde começou a carreira de Jon Batiste?

Jon Batiste nasceu no estado da Louisiana, na região metropolitana de New Orleans, cidade mundialmente conhecida por suas raízes musicais. Isso está no sangue do artista. Seu sobrenome, Batiste, faz parte de uma longa tradição de artistas, com cerca de 25 músicos do universo do jazz e do soul, desde cantores e compositores até instrumentistas de renome. 

Jon Batiste fazia aulas de música clássica e piano desde a infância. Como forma de ensaiar e estudar, ele gostava de tirar no piano músicas das trilhas de seus jogos de videogames preferidos, como Street Fighter, Final Fantasy e Sonic. E foi ainda bem jovem, com apenas 17 anos, que Batiste lançou seu primeiro disco, Times in New Orleans (2005). 

Após o disco, ele fez turnês ao redor do mundo ao lado de sua banda, Stay Human. Batiste participou também da série Treme, exibida pela HBO entre 2010 e 2013. Mesmo já trabalhando diretamente com música, Jon seguiu seus estudos no universo da música e se formou na prestigiada Juilliard School, finalizando sua formação como mestre em música no ano de 2013.

Mas foi só em 2015 que Batiste assumiu o trabalho que o tornaria uma estrela nos Estados Unidos. Ao lado do Stay Human, ele se torna o líder da banda do The Late Show with Stephen Colbert, importante talk-shows da TV norte-americana. Batiste trabalha no programa até hoje como músico e diretor musical. Foi nesse palco que ele se apresentou ao lado de alguns dos mais importantes nomes da música pop, como Stevie Wonder, John Legend e Billy Joel.

Disco de Jon Batiste foi influenciado pela Covid e pelo Black Lives Matter

Com uma formação calcada no jazz, Jon Batiste entende a sua música como uma força política fundamental de protesto. Por isso mesmo, em 2020, já durante a pandemia de coronavírus e após o assassinato de George Floyd e Breonna Taylor, Batiste levou seu piano para as ruas de Nova York e fez shows ao ar livre durante os protestos do Black Live Matters.

Esses shows de protesto ganharam o título de WE ARE, que era o single que Batiste estava lançando na época. WE ARE, a canção, tem participação da banda marcial St. Augustine High School Marching 100. Esta foi a primeira banda marcial afro-americana a participar de uma parada do Mardi Gras de New Orleans, em 1967. É também a banda da escola na qual Jon Batiste fez o seu ensino básico.

Esse primeiro single foi o pontapé inicial do disco que ganharia corpo em 2021. Ele está completamente atrelado a todas as vivências do artista durante a pandemia. A nossa reclusão e o distanciamento mostraram para Jon Batiste uma necessidade maior de conexão com o que há de mais central na música: sua possibilidade de conectar os ouvintes e de unir as pessoas em prol de algo em comum.

Nesse sentido, Batiste criou em WE ARE o que ele chama de um disco sem gênero musical. Nele, sua preocupação é a história a ser contada. O jazz está na espinha dorsal do álbum, porém há conexões com o hip hop, o R&B, o soul e o gospel. 

Cena do filme Soul

Trailer da animação Soul (2020)

Tema metafísico é bem interessante, mas a trama se perde entre duas narrativas distintas

Pontes entre a história e o pop

Jon Batiste cria pontes entre a história da música negra norte-americana e traz o seu olhar sobre os sons diaspóricos que formaram esses gêneros. Porém, ele faz isso de forma sábia, desaguando no pop. E isso talvez seja um dos pontos para explicar as suas muitas indicações para o Grammy Awards. WE ARE é um disco complexo e cheio de nuances de produção, mas tão bem alinhavado, que conquista o ouvinte.

O disco WE ARE e a trilha sonora de Soul colocaram Jon Batiste em evidência. Agora, resta aguardarmos para ver com quantos gramofones ele sairá da premiação do Grammy, no dia 3 de abril. Até lá, aproveite e dê o play em WE ARE e descubra as qualidades de Batiste. 

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Renan Guerra

Renan Guerra

Renan Guerra é jornalista de cultura e integrante do Podcast Vamos Falar Sobre Música. Apresenta no Instagram o programa Quero Música Nova, ao lado do DJ Zé Pedro, e também gosta de comentar reprises de novelas antigas no Twitter.

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