Melhores discos nacionais do 1º semestre, de Criolo a Urias - Tangerina

MÚSICA

Ludmilla canta em show de Numanice uma música em homenagem à Marília Mendonça

Reprodução/YouTube

Lista

Criolo, Ludmilla e mais: Os melhores álbuns nacionais do 1º semestre

Seleção contempla ainda ótimos álbuns de Urias, Tim Bernardes, Terno Rei, Xênia França, Bala Desejo, João Gomes e outros

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Apresentados os 11 melhores discos internacionais do primeiro semestre, chegou a hora de exaltar a produção nacional. Com isso, fechamos nossos 22 preferidos de 2022. Cá como lá, grandes nomes esperaram a reabertura de casas de shows para botar seus trabalhos na praça.

A quantidade de ótimos álbuns lançados nesta primeira metade do ano foi tamanha que a equipe da Tangerina precisou fazer cortes difíceis.

Acorda, Pedrinho, da banda revelação Jovem Dionísio, por exemplo, acabou tendo que ficar de fora. Assim como Versions of Me, de Anitta (mas será que não é disco internacional?).

Nossa lista de melhores discos nacionais vai do rap ao piseiro, do indie rock ao pagode. Prepare seu play e boa viagem!

Urucum – Karol Conká

O primeiro disco de Karol Conká depois de sua participação no BBB chamou a atenção antes mesmo do lançamento por não fugir da polêmica. Nas letras, a rapper curitibana evoca diferentes características da sua personalidade que apareceram durante o reality: da rigorosa Jaque Patombá à sensual Mamacita ou a emotiva Karoline dos Santos de Oliveira. 

Em colaboração com o DJ baiano RDD, integrante do grupo Àttøøxxá, Karol trouxe a versatilidade das letras para as melodias. Dos elementos de arrocha e piseiro em Vejo o Bem ao pagode baiano de Subida, a artista se arrisca entre os gêneros que conquistaram todo o Brasil nos últimos anos. 

Em Nome da Estrela – Xênia França

Inspirada pelo jazz e pelo blues, Xênia França lançou Em Nome da Estrela cinco anos depois do seu álbum de estreia. Um dos grandes acertos do novo projeto é a habilidade com que retrata o afrofuturismo entre a inédita Ancestral Infinito e Futurível (gravada originalmente por Gilberto Gil, em 1969). 

Com seis faixas autorais, o álbum também costura antigos tesouros da música brasileira. Além de Gil, Xênia apresenta uma nova versão de Magia. Essa é a primeira regravação desde que foi lançada por Djavan em 1976.

Orgia – Johnny Hooker

Depois de conhecer o livro Orgia – Diários de Tulio Carella em 2018, Johnny Hooker se inspirou no escritor argentino para falar sobre o desejo e as angústias que sentiu durante a pandemia de Covid-19 e os avanços do conservadorismo no Brasil. 

Entre o pop e o samba, o projeto cria um verdadeiro coletivo de artistas LGBTQIA+. Filipe Catto foi designer da identidade visual e atuou como conselheira do projeto. Entre as 13 faixas, ainda há participações especiais de Silva, Chamaleo e o pernambucano Jader.

Lady LesteGloria Groove

Gloria Groove entregou em Lady Leste tudo o que prometia nos meses que antecederam o lançamento do álbum, quando adiantou os singles que viraram hits Bonekinha, Leilão e A Queda. É um grande baile, com o puro suco do pop brasileiro, condensado em 40 minutos. A festa da Lady Leste passa por funk, rap (em diferentes vertentes), reggaeton, brega, pagode e termina no pop-rock. Nesse meio, GG divide o microfone com amigos e ídolos, como Sorriso Maroto, Marina Sena, Priscilla Alcantara, MC Hariel e Tasha & Tracie. E Gloria canta muito, uma voz acima da média, que funciona nos diferentes gêneros que ela explora.

Alçada em 2021 a popstar de alcance nacional, ainda mais após vencer o Show dos Famosos, da Globo, a drag queen soube aproveitar as benesses do status. O disco é grandioso, muito bem produzido, reunindo alguns dos principais produtores e compositores da música pop atual, como Pablo Bispo e Ruxell. Ainda assim, o álbum finca o pé no que importa: Gloria Groove é Lady Leste, da Zona Leste de São Paulo, uma artista que sonha alto, mas que homenageia MC Daleste (1992-2013) em Vermelho pela importância que teve na cultura local, e que agora ela faz questão de levar para o Brasil inteiro. No mínimo. (Luccas Oliveira)

Numanice #2Ludmilla

Quem pediu dose dupla, ganhou um shot reforçado. Em Numanice #2, Ludmilla arranca aquele sorriso sapeca de quem acabou de ouvir um pagode de bagunçar o coração. Meu Homem É Seu Homem, 212, Cabelo Cacheado e Maldivas são alguns dos destaques do disco, que contabiliza dez faixas no total. Com certeza, o projeto não vai ficar de fora da playlist do churrasco de domingo.

Numanice #2 também chegou acompanhado de feitos inéditos na indústria. Foi a primeira vez que um projeto de pagode emplacou todas as faixas no Top 200 do Spotify Brasil. Isso prova que o disco tem cacife para entrar na lista de clássicos do gênero. Agito, romance e muita leveza acompanham as composições, escritas pela própria Ludmilla. E o embalo não para por aí: a gata ainda promete um DVD com participações especiais e regravações de sucessos. Chega mais no pagode da Lud! (Nicolle Cabral)

Mil Coisas Invisíveis – Tim Bernardes

Como um artesão de letras e sons em constante evolução, o músico paulistano revelado pela banda O Terno entrega o capítulo mais coeso e impressionante desta carreira ainda no início. Mil Coisas Invisíveis é um álbum que vive num tempo próprio. Nele, estamos, sim, na década de 2020, mas conservamos hábitos de outras épocas, como o simples ato de parar para escutar e absorver um disco. Não se assuste com faixas de longa duração, letras extensas e a dificuldade de transformá-las numa dancinha de TikTok.

Tim Bernardes está menos melancólico (tirando uma ou outra faixa, como a belíssima Olha), mas talvez ainda mais reflexivo do que em Recomeçar, seu primeiro álbum solo, de 2017. Mas não se confunda: ainda é um disco de música popular. Ele fala tanto sobre “a beleza eterna que às vezes pode se enxergar” quanto sobre “pegar caxumba pela segunda vez”, citando trechos de duas faixas que nele estão.

É difícil encaixar Mil Coisas Invisíveis numa caixinha sonora, mas num esforço reducionista daria para resumi-lo como algo entre o indie folk e o pop barraco. É grandioso no sentido orquestral que os arranjos de cordas e metais, coros, vozes e aplausos sugerem. Mas também permite ao ouvinte identificar facilmente se cada canção nasceu no violão ou no piano. (Luccas Oliveira)

Sobre Viver – Criolo

Esse é daqueles álbuns que, primeiro, você respira fundo. Depois, dá o play.

Sobre Viver é dito como o terceiro capítulo de uma trilogia (completando Nó na Orelha e Convoque Seu Buda), mas tem um efeito à parte; talvez porque não marque só uma crítica sistêmica, mas uma ferida extremamente aberta, longe de cicatrizar. Tudo no estilo Criolo de fazer: ainda que algumas faixas tenham um som mais tranquilo, como o reggae de Moleques São Meninos, Crianças São Também, o protesto está em cada palavra. Isso quando ele não exerce toda a raiva e angústia que guarda dentro de si, o que acontece em Sétimo Templário: “Vocês votaram na morte”. (Dora Guerra)

Gêmeos – Terno Rei

Terno Rei tem um jeitinho especial de fazer você se sentir um adolescente —pelo menos do tipo que eu era, que adorava ouvir músicas baixa-energia enquanto sentia que todos os meus problemas eram maiores que os seus. No álbum Gêmeos, a banda tem a sonoridade suave de sempre, mas dá uma passeada maior: dos synths às cordas, existe uma Terno Rei para vários tipos de gente dentro desse álbum. 

É um disco bem bonito, que casa bem com o ouvido e tem influências diversas; a própria Aviões, que não curti tanto à primeira ouvida, entra lindamente com o conjunto. Destaque pra Isabella, faixa elegante e cuidadosa. (Dora Guerra)

Digo Ou Não Digo – João Gomes

A grande revelação do forró eletrônico chega ainda mais longe em seu segundo disco. O piseiro ainda é o campo de ação principal de João Gomes, enquanto a voz potente que contrasta com a cara de moleque segue sendo protagonista. Mas em Digo Ou Não Digo ele expande suas fronteiras musicais e abraça a rádio FM, passando por trap, R&B e MPB. É festa e vaquejada, dor de corno e alegria.

Ainda compositor, João explora também seu lado intérprete, com releituras de Pitty (Me Adora), Giulia Be (Se Essa Vida Fosse Um Filme), Vanessa da Matta (Amado) e Armandinho (Outra Vida). E o resultado é encantador. João Gomes é o futuro e o presente da música realmente popular brasileira, e parece ser capaz de cantar e melhorar o que quiser. (Luccas Oliveira)

Sim Sim Sim – Bala Desejo

Se você curte MPB, saiba: ela pode seguir moderna em 2022. O primeiro disco do Bala Desejo, supergrupo formado por quatro amigos compositores cariocas, é um grande exemplo disso. Por isso, Sim Sim Sim entra na nossa lista de melhores discos de 2022. Tudo é muito bem pensado, executado e gravado neste álbum, que foi lançado em duas partes, Lado A e Lado B, num intervalo de cerca de um mês.

As mentes por trás do Bala Desejo são Dora Morelenbaum (sim, filha de Jaques, um dos grandes arranjadores da nossa música), Julia Mestre, Lucas Nunes (produtor do último disco de Caetano Veloso) e Zé Ibarra. Quatro jovens de 20 e poucos anos que cresceram diretamente influenciados pela nata da MPB, mas com a cabeça de jovens que são. Quase como os Doces Bárbaros zennials e cariocas. Junte isso à coprodução inventiva de Ana Frango Elétrico e à colaboração de Thomas Harres e Alberto Continentino, talvez o melhor baterista e baixista de sua geração, respectivamente.

Destaque para o reggae Clama Floresta, a doce Passarinha e o hit instantâneo Baile de Máscaras (Recarnaval). (Luccas Oliveira)

Fúria – Urias

O primeiro disco de estúdio apresenta Urias como uma artista dinâmica e plural. Divididas entre o canto e a rima, as faixas exploram gêneros e temáticas opostas de maneira provocativa. De rimas mais afiadas (Pode Mandar, Cadela) a um momento Tame Impala (Foi Mal), a artista potencializa a sonoridade explorada anteriormente no EP Urias, lançado em 2019. 

Fúria também brilha pelas colaborações de Vírus, Hodari, Charm Mone, Monna Brutal e Ebony, e transita, com excelência, nos ritmos do pop, drill, trap e r&b. (Nicolle Cabral)

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